[PT] Casado (♂x♂)? 64

Cap novo de Casado (♂x♂)
Agora é a vez de Lin ajudar Tom a seguir no caminho certo

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Casado (♂x♂)? 64

— Acabei de upar. Dá uma testada — disse Thomas após enviar o código reescrito. Espero que isso arrume os bugs.

Enquanto o Mestre testava, ele só podia esperar. Eu vou fechar meus olhos por um instante, pensou, suas pálpebras ameaçavam se fechar sozinhas. Ele carregou o notebook até a mesa de café e deitou no sofá. Não fazia ideia de quanto tempo se passou, mas, antes que soubesse, o Mestre estava falando.

— Tá funcionando! Os bugs não tão em lugar algum! E não vejo nenhum novo!

— Finalmente. Eu não posso mais tocar nesse código — brincou Thomas, soltando uma risada fraca. — Tem mais alguma coisa?

— Pra você, nada. Só tô esperando os últimos designs do artista 3D e então o beta vai estar completo! — O Mestre não podia esconder a emoção e animação na voz.

Thomas sorriu. Seu amigo estava mais exausto que ele, mas ainda tinha energia. Acho que ele é mais café do que humano agora.

— Quando é a reunião?

— Domingo à noite. Vai ser segunda de manhã pros japoneses — explicou o Mestre antes de ele poder perguntar.

— Sendo assim, vai dormir um pouco enquanto o artista te manda o design. Não quero que você foda com a apresentação porque pegou no sono.

— Obrigado, mãe. Mas não se preocupe. Vou adicionar os designs dos personagens e dormir. Depois vou passar o resto o final de semana me preparando para a reunião.

Após se despedirem. Thomas terminou a chamada. Ele estava prestes a fechar o notebook quando olhou para o código de novo. Embora fossem só linhas, na cabeça dele, ele podia vê-las funcionando, podia ver como a sessão de RPG de mesa seria.

É um nicho que poucas pessoas vão jogar. Mas vai ser legal. Se tudo funcionar, vai revolucionar os jogos de RPG de mesa

Foi a última coisa que Thomas pensou antes de sua consciência sumir. Quando ele voltou a si, não fazia ideia de onde estava. Ele piscou até seus olhos se acostumarem a luz vindo da janela. Só então ele percebeu que estava no quarto de casal. Como cheguei aqui? Quando eu cheguei aqui?

Antes de seu cérebro conseguir funcionar e pensar em uma resposta, a porta se abriu e Lin entrou no quarto. Ao ver Thomas acordado, ele sorriu.

— Bom dia — disse, se aproximando da cama para dar um beijo no namorado.

— Bom dia — murmurou Thomas, sua garganta tão seca que a voz estava rouca. — Que horas são?

— Quase hora do jantar.

Ele arregalou os olhos. Eu dormi o dia todo… Depois olhou para seu amado com um sorriso.

— Estou surpreso que não me acordou para me fazer sofrer.

Lin riu e revirou os olhos e depois negou com a cabeça.

— Se tem tanta energia pra brincadeiras, talvez eu devesse ter te arrastado pra correr.

— Não, por favor. Estou no meu limite. — Thomas ergueu o cobertor até o pescoço, fechando os olhos. — Ainda preciso de muitas horas de sono.

— Tem certeza? Preparei sua comida favorita.

— Pizza e cerveja? — Thomas jogou o cobertor para o lado quando Lin assentiu. Assim que ficou sabendo sobre a comida, ele percebeu que estava faminto e foi correndo até a mesa.

Enquanto comiam e bebiam, Lin sorriu.

— E o programa?

— Eu terminei o código. Ontem, acho. Perdi a noção o tempo — disse após engolir a comida. — Só faltava o design dos personagens. Acho que o Mestre já deve ter tudo agora.

— Ótimo. Após a reunião, vamos jogar de novo. Vou ligar pro Cris e as meninas, e você pode chamar o Carlos e a Ericka também.

— Parece massa, mas duvido que o Mestre vai ter tempo pra uma sessão.

— Por que não teria?

— Se a reunião der certo, os japoneses vão fazer um investimento e aí ele vai poder contratar pessoas de verdade em vez e freelancers e completar o jogo. Ele pode ficar muito ocupado de agora em diante…

— Você não terminou o código?

— Foi um beta pra apresentação. Havia muitas funções que não pude implementar a tempo. E o Mestre tem muitas ideias para melhorar tudo. Só não tem o dinheiro.

— Tipo o quê?

— Ele quer colocar as cutscenes pré-renderizadas e mostrar o que os personagens estão fazendo. Os movimentos genéricos como bola de foco, ataques com espada. E, no futuro, criar uma IA pra ser o mestre.

— Parece ser muito trabalho. Ele vai precisar da sua ajuda. Seria ótimo se ele contratasse você.

Thomas ficou quieto, se focando na comida.

— Não é como se os japoneses fossem dar um cheque em branco para ele. Não acho que ele vai conseguir me pagar meu salário atual…

— E se dinheiro não fosse um problema? — perguntou Lin, olhando nos olhos de Thomas.

— Dinheiro sempre é um problema para os que não tem tipo a gente — murmurou Thomas, desviando o olhar.

— Estou falando sério. Estou ganhando mais do que antes. Ainda que o Mestre só possa oferecer metade do que você ganha agora, conseguiremos nos virar.

— A-Ainda assim… Quem é louco de abandonar um trabalho estável por… por…

— Por um sonho? — Lin terminou a frase. — Minha irmã fez isso.

— E-Ela não bate bem da cabeça…

Lin colocou as mãos no topo das de Thomas.

— Vi o quanto você amou trabalhar no programa. Você chegou em casa animado nessas últimas duas semanas. É isso que você deveria fazer, Tom. Não ignore seus sonhos por dinheiro.

— Você diz como se não fosse nada…

— Sei que é uma decisão importante. Mas daqui a cinco, dez, vinte anos, você vai se arrepender de largar seu emprego e fazer isso?

— Eu… Eu não sei — admitiu em voz baixa, olhando para o chão.

— Eu te conheço. Você provavelmente pensou em muitas coisas, como o nosso futuro e tudo mais, mas vou dizer isso. Prefiro viver num apartamentozinho com você feliz do que morar em uma mansão com você miserável e se arrependendo de não ter trabalhado neste jogo.

— N-Não tem como eu ser miserável com você do meu lado…

— Você me entendeu. — Lin deu um beijo na bochecha dele. — Eu te amo, mas quero que não pense em mim dessa vez. Você me ajudou e apoiou tanto este ano, mas eu quero que seja egoísta. Se quiser trabalhar neste jogo, não pense em dinheiro. Apenas vá fundo.

Após isso, ele não falou mais sobre o jogo. Eles assistiram um filme aquela noite, como sempre, e acordaram tarde na manhã seguinte. No entanto, Thomas não conseguia prestar atenção em nada. Só podia pensar no jogo e na possibilidade de trabalhar nele se seu amigo fizesse uma oferta.

Ele provavelmente vai fazer isso. Ele sabe que quero esse jogo tanto quanto ele. Mas duvido que ele possa me pagar muito… Ainda que o Lin tenha dito aquilo, eu quero dar uma vida boa para ele. Quero ter uma família grande com ele e não posso fazer isso sem dinheiro

Na noite de domingo, ele tentou passar o tempo jogando videogame, mas logo desistiu. Ele não conseguia se focar. No fim, observou Lin jogar, o que era mais legal do que jogar ele mesmo.

Mesmo assim, o tempo demorava a passar. E então ele recebeu uma vídeo-chamada no notebook.

— E aí, cara. Como foi? — perguntou Thomas antes do amigo dizer qualquer coisa.

— Foi ótimo! — disse o Mestre. Mesmo sem ver o rosto dele, Thomas sabia que ele estava sorrindo e chorando de felicidade. — Eles são meus investidores agora!

— Isso! Que demais! — Thomas sorriu. — Você é um empreendedor agora!

— Não consigo acreditar que isso tá acontecendo mesmo. Ainda lembro quando isso começou na faculdade, com a gente fantasiando… — O Mestre começou a rir e depois suspirou.

— Sim, eu também lembro… — O sorriso de Thomas diminuiu. Ainda que não pudesse ver, ele sabia que Lin estava observando.

O Mestre respirou fundo.

— Isso tudo só aconteceu graças a você. E quero sua ajuda pra terminar isso — disse, com as palavras ecoando dentro de Thomas. — Não posso pagar o que você merece, mas, se esse jogo der certo, você vai receber parte dos lucros.

— Eu… — Thomas não tinha ideia do que fazer. Enquanto lutava com sua escolha, ele sentiu uma mão em seu ombro.

— Vai fundo, querido. Por favor — sussurrou Lin. — É o seu sonho.

Na cabeça dele, o sonho que ele tinha era de ele e Lin na cama com três crianças. Foi antes de namorarmos, eu queria ficar com ele… quero dar a ele tudo que ele merece, mas esse jogo

Quando Lin o abraçou por trás, ele sentiu algo, o completo apoio de alguém que amava.

— Eu topo! — gritou, enfim.

— Valeu, Tom. Muito obrigado! — disse o Mestre. Ele também parecia prestes a chorar. — Eu vou organizar tudo e te mandar de manhã.

— Vá dormir um pouco, cara. — Thomas riu.

— Até parece que vou conseguir.

Conforme o Mestre terminou a chamada, Thomas se virou para Lin, quem sorria.

Apesar de toda a ansiedade sobre sua escolha, ele não conseguia parar de sorrir.

— Obrigado pelo empurrão.

— Sempre que precisar.

Sentindo-se totalmente acordado, Thomas pegou Lin em seus braços e o levou para o quarto do casal. Como ele esteve ocupado com o programa nas últimas duas semanas, eles satisfizeram todo o amor acumulado.

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Obrigado por lerem
Espero que tenham gostado.
Semana que vem, o último cap

Até lá, curtam outras histórias BL como Por Favor Me Chame de Professor e O Nadador e o Assistente

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