[PT] Casado (♂x♂)? 47

Cap novo de Casado (♂x♂)
Para o último cap do ano, decidi fazer algo um pouco diferente.
Espero que gostem

English readers, here’s the English version

 

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Casado (♂x♂)? 47

— Sinto muito por tudo — desculpou-se Karina, fazendo careta enquanto Lin ajudava a carregá-la.

— Não precisa. Não foi sua culpa — disse.

— É, não precisa se desculpar. Foi culpa daqueles idiotas — disse Gabriela.

— Não acredito que tudo deu errado tão rápido… — Cris deixou os ombros caírem.

— É… A noite toda foi arruinada num segundo — disse Lin.

— Não acredito que minha arma secreta não funcionou… — Cris negou com a cabeça, ainda se recusando a acreditar.

— Sua arma secreta era contar que você era um cara? — perguntou Karina, mesmo sentido dor. — Isso funciona?

— Sim. E se não funcionar, eu puxo o passarinho e mostro.

Lin riu mesmo sem querer. Não acredito que essa piada é a melhor coisa da noite. E tudo começou tão bem

Era sexta-feira. Cris convidou Lin e Gabriela para irem dançar. Já que Nelson estava focado com a Olimpíada, eles não tinham muito tempo para ficarem juntos.

Como Lin não saía com Karina há um tempo, ele a convidou para que todos pudessem se conhecer.

No começo, tudo foi bem. Eles dançaram, beberam e se divertiram, até precisando rejeitar rapazes que vinham dar em cima deles. Os homens ou estavam bêbados demais para perceber que Cris e Lin eram homens, mesmo Lin não se travestindo como Cris.

No entanto, havia uns bêbados idiota que exageraram na dose e não sacaram. Mesmo com todos os quatro rejeitando-os. Insistiram tanto que Cris revelou seu segredo, esperando se livrar da dupla insuportável.

Não funcionou. Eles simplesmente não acreditaram que alguém tão fofo era um homem.

Então Cris ergueu a saia e mostrou o que tinha por debaixo da calcinha de laço. Um deles recuou na hora. Entretanto, para a surpresa dele, não funcionou no outro. O imbecil não pareceu ligar e tentou se forçar para cima, que torceu o braço dele e o jogou no chão, quase chorando de dor.

O amigo não curtiu e tentou socar Cris, mas Lin interviu e o parou. O segurança veio e levou os dois embora. Mas, na confusão, alguém empurrou a Karina e ela torceu o tornozelo.

Como o apartamento de Lin ficava mais perto, eles foram cuidar do machucado dela ali.

— Vamos colocar gelo e ver se tem mais alguma coisa — disse Lin enquanto eles subiam até o andar dele. Conforme se aproximaram da porta, eles ouviram algo estranho.

— Eu ataco com uma bola de fogo! — Thomas quase gritava, animado.

— Seu idiota! Estamos no meio da floresta! — disse outra voz. — Por que simplesmente não ateia fogo na gente aqui e poupa as árvores?

Conheço essa voz, pensou Lin, pegando a chave.

Quando abriram a porta, viram Thomas, Carlos e Erika sentados na frente da TV, com as cabeças sobre alguma coisa na mesa de centro.

— Se ficar atacando cada coisinha que se mexer, eu vou virar um animal e dar o fora daqui e deixar você por conta própria — gritou Erika.

— Você disse a mesma coisa da última vez, e aquilo acabou sendo um assassino escondido entre os arbustos! — disse Thomas de forma defensiva.

— E antes disso era um espírito da floresta que deveria nos guiar pra quest. Eles ficaram putos e se recusaram a ajudar! — disse Carlos, muito bravo.

— Eles até fizeram toda a floresta se voltar contra nós! — completou Erika.

— Vamos ver o que foi dessa vez — disse uma voz vinda da TV. — Foi… um goblin que seguia vocês para poder matá-los enquanto dormiam.

— Ahá! — gritou Thomas, vitorioso. — Viram? Eu estava certo!

— Calado!

— Deu sorte do seu feitiço não ter queimado a floresta. De novo — murmurou Erika.

Foi só aí que eles perceberam Lin e o resto parados na porta. Eles ficaram quietos de vez e todo o calor do momento pareceu esfriar de vez.

— Lin — disse Thomas com uma voz estranha, diferente de segundos atrás. — Eu não esperava que você voltasse tão cedo…

— O que tá acontecendo aqui? — perguntou Lin enquanto ajudava Karina a se sentar em uma cadeira.

— A gente tava… ah… hã… — O rosto de Thomas ficou muito vermelho enquanto ele pensava no que dizer.

— Lin sabe que você é um nerd, Verde. Não precisa ter vergonha disso. — Tanto Erika quanto Carlos reviraram os olhos com a reação de Thomas.

— Pois é, o barco já afundou faz tempo.

— Tem o nerd que curte animês e jogos e o que curte jogar RPG de mesa.

— Então agora você se acha melhor que nós? — perguntou Erika, erguendo o tom de voz.

— Foi você quem introduziu o jogo pra mim! — disse Carlos.

— É, pra mim também — disse a voz na TV.

Lin acabou rindo enquanto via o namorado ser acusado pelos amigos.

— Acho que já deu pro gasto. Olha só pra ele — disse.

— Tudo bem. Mas não dá pra nos culpar. Zoar o Verde é divertido. — Carlos e Erika riram.

— Lin, eu vou pegar um pouco de gelo — disse Gabriela.

— Beleza. Tá bem ali. — Ele apontou. Com a inesperada situação dentro do apartamento, ele se esqueceu do que os levou a ir para lá.

Enquanto Gabriela e Cris cuidavam de Karina, Lin foi para perto de Thomas.

— Então eram esses os seus planos pra hoje?

— Sim… — Thomas ficou vermelho e desviou o olhar.

— Eu já sabia que você era um nerd. Não precisa ficar com vergonha.

— Sim, mas isso… Isso é tipo… Não sei, todo um outro nível de nerdice.

— Todo um novo nível pra eu amar. — Lin mostrou um sorriso gentil e o beijou na bochecha.

Aquilo fez o namorado sorrir.

— Então, o que aconteceu na sua noite? — Thomas olhou para o tornozelo machucado de Karina.

— Muita coisa… — Lin respirou fundo e contou o que aconteceu.

— Parece horrível.

— Sim, foi. Não acredito que a noite toda foi arruinada por causa de dois bêbados idiotas que não aceitam um não.

— Por sorte, nada de pior aconteceu. — Thomas afagou as costas dele.

— É… — Lin suspirou de novo. — E aí, quem era a voz na TV?

— É um amigo da faculdade. Ele vive em outro estado agora, mas ainda dá pra jogar assim. Ele tá desenvolvendo um programa para jogar desse jeito. Enquanto a gente joga, a gente chama ele de Mestre.

— Entendi. — Lin observou enquanto Erika e Carlos conversavam com a TV, que mostrava a tela do notebook com uma chamada aberta. — O jogo parece legal. Me fale mais dele.

— Quer mesmo saber? — Thomas não conseguiu conter a surpresa.

***

— Tortura! — Erika quase gritava, animada.

A TV mostrava uma figura alta encapuzada, amarrada a uma cadeira em um quarto escuro, iluminado só por uma tocha. Dois dados de forma estranha apareceram na tela e rolaram por conta própria.

— Não funcionou — disse o Mestre, quando os dados pararam.

— Droga!

— Não vai funcionar, Erika. Não importa quantas vezes você tente — disse Carlos com uma voz cansada. — Ele é um assassino treinado. Tá acostumado a sentir qualquer dor que alguém do seu nível consegue infligir.

— Eu uso o feitiço… hum… Feitiço da verdade! — disse Cris, de olhos brilhantes.

Uma luz azul preencheu a tela e bateu na figura encapuzada. Mas nada mais aconteceu.

— Não funcionou. Ele tem alta resistência mágica — anunciou o Mestre.

— Nada funciona nesse cara! — gritou Cris.

— Só tem um jeito então — disse Karina, com a voz séria. — Vamos matar ele pra eu usar magia necromante. Assim ele vai ter que me obedecer.

— Você não tá muito violenta hoje? — Apesar disso, Lin riu.

— Preciso descontar a minha raiva em algo — disse ela, e todos riram.

— Vão matá-lo? — perguntou o Mestre. Até ele estava interessado.

— Não! — disse Thomas, rápido. — Você não é forte o bastante pra ressuscitá-lo por completo. A gente vai um cadáver sem cérebro e que não vai poder nos contar nada!

— Então o que a gente faz? — perguntou Carlos. — Precisamos dessa informação pra salvar o reino!

— Parem, seus brutos — disse Karina, negando com a cabeça. — Erika, vamos mostrar a eles como mulheres dão conta disso.

— Boa ideia. Se torturar não funciona, vamos tentar do outro jeito — disse Erika. — Vamos seduzi-lo.

— Ele não reagiu — disse o Mestre.

— Droga! — Erika e Karina disseram juntas.

— Nada funciona nele!

— Eu seduzo ele — disse Lin.

— O assassino mostra interesse — disse o Mestre.

— Quê? Porra! Ele é gay — gritou Erika, balançando a cabeça. — É por isso que ele não mostrou interesse na gente!

— Desfaço os nós nas calças dele e abaixo elas. Aí eu… — Lin começou a descrever em detalhes como seduziu o assassino e conseguiu a informação que precisavam.

Conforme o fazia, todos os outros se viraram para Thomas. Ele ficou muito vermelho e desviou o olhar.

— O assassino não resiste e conta para você tudo sobre o plano para matar o rei e destruir o reino para o cliente dele — disse o Mestre.

— Aew! — gritaram todos ao mesmo tempo.

— Agora vamos salvar esse reino!

Após conseguirem a informação, eles puderam completar a quest sem muito problema.

— Isso foi bem mais divertido do que eu pensei — disse Karina quando foram embora. Embora o pé dela ainda doesse, estava muito melhor que antes.

— Pois é. A noite acabou bem legal, mesmo com tudo — disse Cris. — Nós chamem pra próxima sessão.

— Claro. Jogamos uma vez por mês — disse Carlos.

— Quê? Vocês jogam quando eu não estou aqui? — disse Erika. — Nunca me falaram disso!

— É você quem vive viajando.

— É por trabalho!

— O carro chegou.

— Vamos. Não gosto de deixar o motorista esperando.

— Precisa de ajuda? — perguntou Gabriela para Karina.

— Valeu.

— Tchau, Lin, tchau, Thomas — disseram todos.

— Até.

Após uma noite estranha e divertida, o apartamento ficou em silêncio novamente.

— Isso foi legal — disse Lin, se alongando. — Esse RPG de mesa é mais legal do que pensei.

— É, é muito massa com muita gente — disse Thomas, sorrindo. Mas depois ele pensou bem.

— Não precise se conter. É coisa de nerd e eu amo. Me convida pra próxima sessão.

— C-Claro! — Thomas sorria de novo. — Não acredito que estou jogando RPG de mesa com o meu namorado… É como um sonho…

— Você tem vários sonhos assim.

— Ah, sim, bem… Nunca pensei que arrumaria uma namorada, muito menos um namorado… Dividir esse lado com quem eu amo… É a melhor coisa do mundo… — Thomas ficou vermelho e coçou a bochecha.

— Sinto o mesmo. — Lin beijou ele.

— Ei… Falando do jogo… — A bochecha de Thomas ficou muito vermelha. — Todas aquelas coisas que você disse na hora de seduzir o assassino…

— O que tem?

— V-Você pode… fazer tudo aquilo…?

Lin mostrou um sorriso maldoso.

— Só tem uma forma de descobrir.

No instante seguinte, Lin tirou o homem do chão e eles foram para o quarto do casal.

Thomas riu e envolveu os braços no pescoço do namorado, sorrindo.

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Obrigado por lerem
Esse foi o último cap do ano. Espero que tenham gostado.
O que acharam de Casado?
Tem alguma coisa que gostariam de ver.
Desejo um feliz final de ano e que 2020 seja melhor para Casado e para todos

Até sair o próximo cap, curtam outras histórias BL como Por Favor Me Chame de Professor e O Nadador e o Assistente

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