[PT] Casado (♂x♂)? 27

Cap novo de Casado (♂x♂)
O casamento está pra começar, mas antes disso, temos umas revelações interessantes
Espero que gostem

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Casado (♂x♂)? 27

— É lindo, não acha? — Lin perguntou para Thomas em voz baixa enquanto ele olhava em volta.

— Sim… Acho… Digo, é uma igreja. Não é tudo igual? — sussurrou ele, limpando o suor da testa. — Eu só queria que tivesse um ar condicionado ou alguma coisa… Ou ao menos que tivessem mais ventiladores…

— Mais ventiladores fariam tanto barulho que ninguém ia ouvir o padre. E um ar condicionado numa igreja? Isso deixa claro que você não entrou numa faz tempo. Quando foi a última vez que pisou numa igreja? — Lin riu baixinho.

— Não tenho a mínima idéia. — Thomas deu de ombros e limpou o suor na testa de novo. — Deve ter sido outro casamento. Talvez o do meu primo? Ou da sua tia?

— Ah, é, o casamento da minha tia. Eu lembro. Foi uma festa e tanto… Pena que teve aquela briga no fim.

— Isso, esse mesmo. Teve briga foi? — Thomas fechou os olhos e apreciou uma leve brisa que surgiu quando alguém se moveu de seu assento.

— Você não sabia?

— Lembro de alguma coisa assim… Um dos namorados de uma convidada da noiva brigou com a namorada e todo mundo foi apartar, né?

— Isso, isso. Foi uma bagunça tremenda. Quase tirada de um filme. Pessoas derrubando mesas e jogando cadeiras pro alto só pra parar o cara. Tudo porque o namorado ficou com ciúmes da namorada conversando com um moço. Que ainda por cima era o irmão dela que morava em outro estado!

— Parece que o cara estava bem bebo pra não reconhecer o irmão dela. Espero que a moça não tenha se machucado.

— Ela ficou bem. Tipo, ele tava bêbado e o tapa foi fraco, mas todo mundo correu para impedir antes que as coisas piorassem. Uma pena que acabou com a festa toda. Você realmente não viu aquilo? Sei que foi lá pro fim da festa, mas mesmo assim…

— Eu tava cansado demais naquele final de semana. Depois de dizer parabéns pros noivos, eu saí da recepção assim que pude. Fui pra cama antes da uma da manhã. Não tava com humor pra ir… só fui porque a minha mãe me obrigou.

— Ah, é. Era o seu último semestre, né?

Thomas assentiu. E depois estremeceu enquanto se lembrava daquela época.

— Não me lembra, por favor. Pensei que ia ficar doido com tantos trabalhos.

Lin soltou uma pequena risada e descansou a cabeça contra o ombro de Thomas, acariciando a cabeça do namorado-de-faz-de-conta.

— Foi mal. Mas sei como é. Meus professores fizeram o mesmo comigo. Nas duas graduações…

Antes que Thomas pudesse descansar a cabeça contra Lin, um homem no mesmo banco que eles se levantou e ambos moveram as pernas para abrir espaço e ele poder sair.

— Ah… a gente não devia tá aqui… Devia tá lá fora, com o vento… Aqui tá quente demais… Eles querem derreter os convidados antes da festa? — reclamou Thomas, limpando o suor de novo. Se eu tivesse trazido uma toalha, ela taria ensopada já…

— Se a gente fizer isso, vamos perder esse lugar. Quer mesmo ficar de pé assistindo seu amigo se casar?

— Eu prefiro nem ver… E não faria muita diferença — murmurou Thomas entredentes, soltando um pouco o nó da gravata. — A cerimônia é praticamente a mesma pra todos casamentos. A menos que você faça parte do negócio.

— Falando nisso, se lembra da primeira vez que fez parte de um casamento? — O rosto de Lin se iluminou com um sorriso.

— Sim… Foi o casamento do meu irmão. Ele me fez ser um dos padrinhos… Embora ninguém tenha prestado atenção em mim, deu uma baita vergonha ficar de pé na frente de tanta gente… E foi muito cansativo… Eu só queria sentar..

— Sei como é. Mas imagina isso, só que de salto alto. — Lin soltou uma risada seca, e Thomas fez careta só de imaginar. Depois a namorada-de-faz-de-conta balançou a cabeça. — Mas não foi o primeiro casamento que você fez parte.

— Não? — Thomas tentou se lembrar, mas nada vinha à mente. Aquilo só fez o homem de vestido sorrir mais.

— Eu sabia. Você não se lembra — disse, cutucando o namorado-de-faz-de-conta na bochecha.

— O-O que eu não me lembro?

— De que carregou um anel quando tinha uns cinco ou seis anos.

Assim que Lin falou, Thomas se lembrou vagamente.

— Ah, é… Foi no segundo casamento do meu tio… Eu não queria, mas a minha mãe me obrigou… Lembro que odiei aquele terno… Eu tinha pensado nisso hoje… como que esqueci tão rápido?

— P-por que estava pensando nisso?

As maçãs do rosto de Thomas ficaram vermelhas enquanto ele desviava o olhar. Não tem como eu dizer pra ele que eu tava pensando em todos os meus grandes momentos com o Lin, exceto o meu primeiro amor, que foi aquela menina com quem andei até o altar…

— Eu… Eu tava pensando em casamentos e tal… e sobre a garota que tinha ido comigo…

— E essa garota? O que lembra dela? — Lin brincou um pouco com o cabelo.

— Fazem tanto tempo, mas lembro que era bonitinha e bacana. Ela deixou o negócio bem mais legal — disse Thomas, sorrindo enquanto se lembrava vagamente de seu primeiro amor.

— É mesmo?

— Sim… Mas acho que ela não tava feliz no começo. Foi forçada a participar da cerimônia também… Mas depois que a gente começou a conversar, nos divertimos muito… Acho que até chegamos a dançar juntos…

— D-Do que mais você se lembra dela?

— P-Por que você quer saber? — perguntou Thomas. Tá com inveja? Sem chance… Não pode ser… Não tem um bom motivo pra isso… né…?

— Sem razão… Só perguntando…

— Não lembro muito… Não lembro do nome dela… Acho que ela não me contou… Lembro que usava um vestido de florido… Quase tropeçou algumas vezes enquanto a gente andava até o altar. Como a gente tava de braços dados, então deu pra segurar ela… E… ela tinha um cheiro bom… e um sorriso lindo… — Quase como o seu…

Lin corou um pouco enquanto brincava com uma mecha do cabelo, ele olhou para baixo.

— P-Parece até que você gostava dela…

— Sim… Acho que ela foi o meu primeiro amor — admitiu Thomas. No instante seguinte, ele percebeu o que tinha dito e corou.

No entanto, ele não foi o único. O rosto de Lin também ficou com um tom alarmante de vermelho. A namorada-de-faz-de-conta dele parou de fingir brincar com o cabelo e entrelaçou dedos com ele, certificando-se de não olhar para Thomas.

— E-Ela foi o seu primeiro a-amor…?

— S-Sim… Eu não sei… Eu acho que gostei dela… Foi a primeira vez que senti algo assim…

Por que diabos tô falando disso pra minha esposa homem, que se deu a todo esse trabalho para vir como meu par nesse casamento?

— N-Não pode ser… Não acredito…

Thomas se virou para Lin só agora. Eita peste… por que você tá tão vermelho? Isso é embaraçoso pra mim, não pra você!

— O-O que foi…?

— Eu.. era aquela garota — sussurrou Lin, cobrindo o rosto e de olhos fechados.

A mente de Thomas congelou. Tudo ao redor dele ficou em silêncio. Ele só conseguia ouvir o próprio coração palpitando. Lin é aquela garota…? O Lin… é meu primeiro amor…?

— Quê? — disse ele, um pouco alto demais, atraindo o olhar das pessoas ao redor deles. Depois ele abaixou a voz. — Do que tá falando? Você era aquela garota?

— Sim… — O homem transvestido ficou ainda mais vermelho.

— Por quê? Como? Ela não deveria ser a sobrinha da noiva do meu tio ou algo assim?

— Era… mas ela teve uma reação alérgica naquela tarde… Só que não tinha outra garota pra levar os anéis com você… E como a gente era do mesmo tamanho, minha mãe me ofereceu. E foi assim que eu fui o seu par pra levar os anéis até o altar.

Por que você tinha que falar isso desse jeito…? O rosto de Thomas ficou quente enquanto as memórias dele ficavam mais vívidas. A gente conversou, dançou, brincou e se divertiu muito… Aquela garota era o Lin?

— Ah, céus… Eu lembro agora… Eu não fazia ideia de que era você…

— Você não me reconheceu porque eu tava de vestido e maquiagem… Eu não queria… mas a sua mãe pediu pra eu fazer isso porque pensou que, se eu estivesse lá, você não jogaria os anéis nos noivos e sairia correndo…

— Eu não teria feito isso — murmurou Thomas, desviando o olhar. Embora não se lembrasse, parte dele sentiu que era algo que podia ter feito.

Não acredito que o meu primeiro amor foi ele… Outra primeira vez que tive com o Lin… É como se ei estivesse destinado a esse homem fofo e adorável… Eu deveria só me casar com ele e pronto…

— Por sua causa, eu precisei passar a tarde toda colocando maquiagem e extensões no cabelo. — Apesar da vergonha, ele cutucou Thomas na bochecha de novo. — Agora eu meio que me acostumei, mas a primeira vez deu muita vergonha… Um garoto de vestido, maquiagem e salto alto…

— S-Sinto muito…

— É bom que sinta… Eu não teria colocado um vestido por outra pessoa além de você, estamos entendidos?

As bochechas de Thomas ficaram ainda mais vermelhas.

— Eu já sei que faria… e é por isso que não quero outra pessoa do meu lado…

No instante em que percebeu o que disse, corou. E, novamente, não foi o único. O homem fingindo ser a sua namorada também ficou vermelho.

Eu e a minha boca grande…

Os dois ficaram quietos, e ninguém mais na igreja percebeu o embaraço deles.

— E-Então eu fui o seu primeiro a-amor, hein? — disse Lin após um instante.

— S-Sim… Foi só por uma noite, mas eu me diverti tanto com aquela garota… eu queria encontrar ela de novo, mas a minha mãe disse que seria difícil… — O coração de Thomas bateu mais rápido.

— É porque eu fiz ela prometer que não contaria pra você…

— Se eu soubesse naquela época…

— O-O que você teria feito? — perguntou Lin, novamente, sem olhar para o namorado-de-faz-de-conta.

— Eu… Eu… — Thomas não fazia ideia. Se eu soubesse que o Lin foi o meu primeiro amor… — Quem sabe eu não teria me apaixonado por você…

Eles estavam com vergonha demais para olhar um para o outro.

— Falando em casamentos, você quer? — Lin perguntou após o silêncio que se estendera demais.

— Q-Quê? M-Me casar?

Com alguém além de você? Thomas ficou de boca calada. Não havia motivo para deixar as coisas ainda mais desconfortáveis.

— Você não pensa nisso?

— Penso… e acho que sim… tipo, eu sonhei em acordar ao lado de… alguém… em uma manhã de domingo… e então nossas três crianças vieram correndo até a nossa cama… Eles brigam sobre o que prometemos fazer, tipo jogar videogames, ou assistir um filme, ou sair pra jogar bola… — Thomas não continuou. Não tinha como ele dizer que a esposa na cama ao seu lado era na verdade o homem ao seu lado agora.

— Parece legal… Espero que se torne realidade algum dia… Só não esqueça de mim, tá?

— Não tem como isso acontecer… — Thomas ficou vermelho.

— Você se casar?

— Eu esquecer você…

Novamente, os dois ficaram quietos. Por que diabos não consigo controlar a minha boca quando estou com o Lin?

Espera, isso não soou certo…

Dessa vez, eles foram poupados de pensar em algo para dizer e quebrar o gelo. Uma música começou a tocar e então os padrinhos e madrinhas entraram na igreja. Um instante depois, o noivo apareceu. Com a mãe ao seu lado, ele caminhou lentamente até o altar, o fotógrafo pressionando o botão da câmera sem parar, e quase todos os convidados filmavam com os celulares.

Raul sorriu e assentiu enquanto caminhava. Sua mãe sorria e chorava ao mesmo tempo. Quando ele se virou na direção de Thomas, eles fizeram contato visual. Um segundo depois, o noivo olhou para Lin e não escondeu sua surpresa. Depois assentiu, aprovando.

Lin percebeu e, com um sorriso, se inclinou para beijar a bochecha de Thomas, fazendo-o corar.

A surpresa de Raul o seguiu por um tempo até ele olhar para os outros convidados e sorrir.

— Foi bom, não foi? Aquela cara não teve preço — sussurrou Lin.

— S-Sim… Foi ótimo… — Apesar da vergonha, Thomas apreciou o beijo muito mais do que a expressão de Raul.

O noivo esperou e todos se levantaram. Enquanto a noiva caminhava com o seu pai, ela sorria e continha as lágrimas.

— Ela está linda, né? — sussurrou Lin.

— S-Sim… — Você ficaria bem melhor em um vestido de casamento… Especialmente se fosse se casar comigo…

Enquanto ficava com vergonha do que pensou, Thomas percebeu algo. As costas de sua mão estavam encostadas contra a mão de Lin.

Sem pensar, ele pegou aquela mão delicada e forte.

Sem olhar para ele, Lin corou e entrelaçou os dedos dos dois.

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Obrigado por lerem
Espero que tenham gostado.

Até sair o próximo cap, curtam outras histórias BL como Por Favor Me Chame de Professor e O Nadador e o Assistente

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