[PT] Re;Blade 20

Depois de uma semana sem, aqui está o Cap 20 de Re;Blade
Espero que gostem

 

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Capítulo 20 – A Batalha das Colinas de Pedra

— Cadê o resto? — sussurrou um soldado, sua voz ecoando pelas árvores.

Apesar do tom baixo, foi alto o bastante para revelar o medo por detrás da voz.

— Mantenha a voz baixa! — disse alguém com um sussurro ríspido. — Quer que eles nos encontrem?

Aquela voz também não podia esconder o medo de seu dono.

Estão assustados demais pela última batalha, pensou a alma dentro da espada.

O exército matou os primeiros inimigos que fugiram da fumaça. Mas ninguém mais veio do labirinto. Então Alonso ordenou que eles entrassem no novo esconderijo dos bandidos, porém eles ainda não tinham encontrado os inimigos.

Eles tão por perto… Posso senti-los… mas não sei se estão perto ou não… esse lugar tá mexendo com meus sentidos…

A fumaça se dissipou, mas o cheiro das plantas permaneceu, impregnando tudo no labirinto.

Até com os panos cobrindo seus narizes, ninguém conseguia respirar sem sentir o cheiro.

Não posso suportar isso…

Apesar do medo geral pelas tropas, o senhor mandou os soldados continuarem.

Você não vai deixar essa chance escapar, vai, meu portador? Quis perguntar Tetsuko, mas não podia. Você quer pôr um fim nisso, mas também teme ser vítima do toque do Caos Sortudo…

O som de centenas de cascos e milhares de passos ecoou pela floresta escura, o som de água sendo jogada ficando mais alto.

As árvores são tão próximas que fica difícil saber se é manhã, pensou Tetsuko, olhando para o topo das árvores. É sempre escuro aqui…

O exército continuou dentro do labirinto com cuidado, mas eles precisavam encontrar os inimigos. Eles olharam para as árvores mais altas, mas, fora elas, não havia sinal de vida naquela estranha floresta.

Eles viraram aqui e lá, sem saber o verdadeiro caminho. Então a coluna de soldados parou de avançar; os homens e mulheres na frente não conseguiam fazer seus cavalos continuarem.

Um murmúrio passou pelos soldados.

— Qual o problema? — perguntou o senhor. — Por que pararam?

Os murmúrios finalmente chegaram ao centro da coluna, onde o comandante estava.

— É o chão, meu senhor — informou um soldado. — A água… só tem lama à frente…

— Lama?

O lorde olhou para baixo.

Até com a estranha neblina que cobria o chão, era possível ver uma fina camada de água debaixo das patas dos cavalos.

O lorde segurou as rédeas com mais força.

— Os bandidos devem ter inundado a área para complicar nosso uso de cavalos — disse o conselheiro. — É melhor continuarmos a pé a partir daqui.

Alonso encarou o chão por um instante.

— Concordo — disse, em voz baixa.

Ainda que estivesse na cintura e não com os dedos dele em volta, Tetsuko pôde sentir a mudança na energia de seu portador.

Fluía tão rápido e com uma mistura intensa de cores.

Ele não está só bravo com a situação… está mais ansioso, percebeu Tetsuko, encarando-o por um longo momento.

Espero que isso não afete como ele me usa…

Enquanto as ordens eram dadas para a coluna da frente, o nobre desceu de seu cavalo.

Ele teve dificuldade em erguer os pés após suas botas de metal afundarem alguns centímetros na lama, mas nada disse.

Alguns soldados que não tinham se recuperaram por completo da última batalha foram ordenados a voltar com os cavalos.

Após irem, a coluna se moveu novamente.

A marcha ficou ainda mais difícil.

A estranha neblina que cobria o chão ficou mais densa, e o cheiro das plantas ficava mais forte conforme entravam mais fundo no Labirinto das Colinas de Pedra.

Estava ficando difícil de respirar, portanto eles tiraram os panos cobrindo suas bocas e narizes.

O silêncio tenebroso mal era quebrado. Só o som de seus pesados passos na lama ecoavam na escuridão.

Até Tetsuko não podia conter sua ansiedade.

Eles estão mais próximos… posso senti-los… mas não sei onde estão!

Um grito ecoou no pesado silêncio da escura floresta. Foi um grito agudo e alto que parecia como se muitas feras morressem em todo ao redor deles.

Era tão alto que alcançou até os soldados no fundo.

Todos se prepararam e ergueram as armas, procurando, ao redor, pela fonte do grito.

O senhor fez o mesmo, desembainhando Tetsuko.

Enquanto os dedos se fechavam em volta do cabo dela, a alma na espada se sentiu mais forte.

A ex-humana sentiu a energia dentro dela fluir mais rápido.

Ela tentou se concentrar e sentiu onde os inimigos estavam de novo.

Mas, agora, a excitação da batalha foi em exagero.

Só posso apreciar uma batalha agora que me tornei uma espada, pensou Tetsuko.

Os soldados olharam em volta, tentando encontrar qualquer sinal dos bandidos.

A respiração deles ficou mais pesada e alta.

Logo ela abafou todos os outros sons.

A alma dentro da espada podia ver na escuridão.

Dois soldados recuaram e suas costas se tocaram.

Eles gritaram e se viraram, balançando suas armas um contra o outro.

No último instante, perceberam que não era um inimigo e conseguiram parar.

Mas seus gritos aterrorizaram os demais.

A neblina no chão ficou mais densa. Enquanto ia subindo, ficou impossível ver qualquer coisa além de três metros ao redor.

Preciso ver tudo!

Tetsuko acalmou a energia dentro de si. Então, concentrando-se no cabo, ela imaginou o metal frio.

Ela imaginou a frieza se espalhando dentro dela.

Sua energia desacelerou, e então ela pôde ver além da neblina.

Mas não do jeito normal como se ainda tivesse olhos.

Diferente de antes, quando podia só sentir uma brasa, agora ela podia ver borrões de energia.

As energias dos soldados… Estou ficando mais forte…

E não foi a única energia em volta; os soldados não eram os únicos no labirinto.

Outras energias se esgueiravam pelas árvores mais altas.

Os bandidos, percebeu logo Tetsuko.

Ela queria informar seu portador. Mas, quando sentiu a energia dele, soube que ele não a ouviria mesmo que ela pudesse falar.

O senhor estava tão assustado quando os soldados.

Ele tentou manter uma máscara de bravura como um nobre comandante, mas não podia esconder a verdade de sua espada; a energia dentro dele estava fora de controle.

Merda… ele não vai ser capaz de me usar desse jeito!

Tetsuko atiçou, circulou e fez sua energia explodir. Então ela a jogou na direção do bandido mais próximo.

Funcionou.

Seu corpo de metal se moveu. Foi só um pouco, mas era o suficiente.

Isso!

Enquanto o lorde olhava na direção em que sua espada se moveu, ele percebeu o movimento apesar da neblina.

— Estamos sendo atacados! — gritou.

Foi tão alto que até os bandidos escondidos na neblina hesitaram por um instante. E aquilo foi o suficiente.

Um dos soldados perdeu o controle e balançou sua arma contra a neblina.

Ele conseguiu atingir um bandido.

Um grito e o som de metal contra metal preencheu o ar enquanto o soldado bateu repetidas vezes.

Aquilo pareceu dar coragem aos demais.

O medo ainda era claro em seus rostos, mas eles arregalaram os olhos e atingiram a neblina às cegas, esperando acertar os inimigos que não podiam ver.

Muitos atingiram os bandidos mais próximos.

Então os bandidos desistiram da tática de se aproximar despercebidos.

Eles correram na direção da coluna de soldados, usando seus números e a neblina como vantagem.

A luta foi a mesma que na floresta: sangrenta e bagunçada.

Alonso matou aqueles que tentavam tirar sua vida, mas não percebeu um bandido se aproximando.

Tetsuko tentou fazer sua energia explodir na direção do bandido escondido.

Mas foi impossível se concentrar enquanto absorvia mais vidas.

Quando o bandido estava ao alcance, o lorde a manejou na direção dele.

Foi tão repentino que o bandido nem pôde bloquear.

A lâmina de Tetsuko se enterrou contra seu braço e ombro.

Ele escorregou na lama e jamais se levantou.

— Mesmo com os truques, não passam de bandidos! — gritou o lorde acima da confusão da batalha. — Não temam!

Tetsuko sorriu mentalmente.

Ótimo… não deixe que o medo o atrapalhe. Me use o quanto quiser, pensou.

A energia dentro dele ainda estava fora de controle, mas o redemoinho ficou mais lento, como se focasse em um objetivo.

Os soldados encontraram forças com aquelas palavras.

Eles lutaram contra os inimigos escondidos pela neblina.

E, quando os bandidos começaram a recuar, eles os perseguiram.

— Não vão atrás deles!

— Fiquem perto!

Gritaram alguns soldados.

— Queimem as árvores! — gritou alguém. — Se caírem, a neblina irá subir!

— Não! — gritou o conselheiro, mas, no meio da confusão, sua voz não pôde ser ouvida.

Idiota! É uma ideia imbecil!

Um dos soldados mais jovens acendeu uma tocha e a pressionou contra uma árvore. Os outros seguiram exemplo.

Aos poucos, a madeira começou a queimar e se incendiou.

A luz tornou a visibilidade muito melhor.

Mas, então, uma fumaça mal cheirosa, marrom e densa foi adicionada à primeira.

Os bandidos colocaram algo nas árvores, percebeu ela. Não pensei que fossem tão ardilosos…

Os soldados tossiram e cobriram seus rostos. Os olhos arderam e lacrimejaram

Mas os bandidos não pareciam incomodados com aquilo.

Através da neblina marrom, Tetsuko soube que eles usavam máscaras pesadas acima das bocas.

Sem a necessidade de cobrir os rostos, eles conseguiram matar muitos soldados.

Muitos soldados fugiram, tentando se afastar daquele lugar.

O pânico do senhor aumentou.

Ele tentou gritar alguma ordem, mas não tinha voz, só conseguia tossir.

Então um bandido apareceu ao lado do lorde.

Tetsuko arregalou os olhos.

Eu não o senti…

Ela olhou para ele e depois ficou paralisada. A energia dele era retorcida.

Como a do Caos Sortudo.

Quem é esse homem…?

Diferente dos bandidos, ele tinha uma aura de força.

Então, ela soube quem era.

— Olá, meu jovem senhor — disse o bandido com uma voz seca.

Alonso arregalou os olhos.

— Nicolas…

Foi a última coisa que ele disse antes do bandido atingi-lo com o lado sem fio da espada.

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Terça que vem tem mais

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