[PT] Por Favor 2! 5

Postando um pouco mais tarde que o normal, mas aqui está o cap 5 do volume 2 de Por Favor Me Chamem de Professor.
Espero que gostem

 

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Por Favor 2! 5 – Verão é a estação daquilo

Seiji soltou um longo e pesado suspiro, como se estivesse morrendo.

— Que demora… — ele disse com a voz arrastada. Sem tentar ser discreto, ele virou a cabeça para os dois lados da linha. — Ei, Yuuto. Tem certeza de que essa é a fila certa? Não é longa demais?

Yuuto cobriu a boca, mas não conseguiu esconder o sorriso de desdenho. Ele olhou para o namorado com pena. Eu amo esse homem… mas ele não tem ideia do que se meteu quando concordou em fazer cosplay comigo, pensou o cosplayer.

— Se você já está reclamando, imagina quando ver a fila dos visitantes — disse, dando tapinhas no braço do artista.

— Tá dizendo que é maior que nossa? Sem chance. Não acredito nisso…

— Seiji, pode me fazer um favor? — disse a irmã de Yuuto, Yuuka, sentada na cadeira portátil.

— Que foi?

— Cala a boca, pelo amor — disse em voz baixa e irritada.

Seiji se moveu o bastante para ficar atrás de Yuuto.

— Nunca vi a Yuuka-nee tão brava — sussurrou ele no ouvido do namorado. — Aconteceu algo?

O professor soltou uma risada fraca. Ele cobriu a boca.

— Ela está irritada porque uma certa autora se recusou a deixar ela fazer uma adaptação em mangá da light novel dela porque não queria uma “desenhista de pornô” envolvida — sussurrou.

Mas Yuuka ouviu.

— Pois é, que vadia. Ela rejeitou meu trabalho como se fosse alguma deusa só porque eu desenho doujinshi erótico. “Meu livro é uma obra de arte. Como posso deixar uma desenhista pornô fazer a adaptação em mangá? Meus colegas iriam rir de mim.” — Yuuka descontou sua raiva, tendo dificuldade para respirar. — Ela não perde por esperar. Farei tantos doujinshis dela e como os personagens fazem NTR com ela. Mas vai ficar tudo dentro da lei, para que ela não me processe.

Ela soltou uma risada malvada e continuou murmurando coisas que Yuuto não quis ouvir.

— Beleza, mana. Pode fazer. Eu te ajudo.

— Obrigada, future cunhado. Aprecio sua ajuda — disse ela erguendo os braços para que Seiji pudesse fazer high-five com ela.

— Seiji, não encoraje esse comportamento. Mana, deixa pra lá. Aquela autora pode até ter te rejeitado, mas sei que seu mangá será aprovado pelo editor.

As palavras de Yuuto fizeram as bochechas dela ficaram um pouco vermelhas. A mulher se acalmou um pouco com aquilo.

Seiji sorriu e envolveu Yuuto em seus braços. Então ele encarou o fim da fila de novo.

— Bom, de todo jeito, essa fila é muito longa…

Apesar de pegarem o primeiro trem e chegarem lá cedo, eles ainda estavam longe da entrada.

— Fica quieto, Seiji — disse Yuuka de novo, revirando os olhos. — Se for ficar reclamando o tempo todo, não vai durar até o final do dia.

— Você está exagerando, mana — disse Seiji, sorrindo.

Ela soltou uma risada seca e alta.

— É você quem subestima o comiket. Mas é o esperado. É um virgem. Virgem de comiket. Então, sendo um virgem, fica quieto e espere. Seu virgem.

A menção da palavra virgem várias vezes fez as pessoas em volta deles ficarem coradas e olharem para o grupo. Mas nem Yuuka ou Seiji pareceram notar.

Yuuto pressionou os lábios para parar de sorrir. Então se virou para o namorado e assentiu com uma expressão séria.

— Acredite nela, Seiji. Você está subestimando o comiket.

— Vocês dois estão exagerando. Não pode ser tão ruim o tempo todo… né…?

Antes que Yuuto pudesse responder, a fila começou a se mover lentamente.

— Finalmente — disse o artista, sem esconder seu alívio enquanto pegava as bolsas deles.

— Ótimo — disse Yuuto, pegando sua mochila. Seu coração começou a bater mais alto enquanto a fila se aproximava da entrada. O primeiro evento do meu namorado… Meu primeiro evento fazendo cosplay com meu namorado, pensou, tentando conter a vontade de sorrir. Mas era difícil demais. — Ei, Seiji. Se lembra do plano, certo?

— Já que não bati a cabeça contra uma parede nas últimas horas, ainda lembro do que você falou ontem. E hoje, no trem. E quando entramos na fila. Mas, ainda que eu diga isso, você vai repetir o plano outra vez de qualquer jeito. — Seiji murmurou a última parte. Apesar do que dizia, ele também tinha um sorriso no rosto.

— É mesmo, Yuuto. Dá um tempo, vai. Até as pessoas a nossa volta já sabem dos seus planos — disse Yuuka, não ligando para abaixar a voz enquanto arrumava suas coisas.

O professor corou levemente enquanto olhava em volta. Algumas pessoas sorriam para a conversa deles, mas ele as ignorou.

— Direi de novo, de qualquer jeito. — Yuuka e Seiji trocaram olhares e suspiraram em conjunto. — Assim que entrarmos, Seiji e eu vamos correndo pros vestiários e colocamos nosso cosplay. Enquanto isso, Mana, você arruma seu estande. Vamos ficar contigo até você conseguir clientes o bastante. Após isso, damos uma volta e enrolamos até a competição de cosplay. Entendido?

— Sim, querido. Entendi. Pela milionésima vez. — Seiji revirou os olhos, embora o sorriso continuasse no rosto. — Ei, não perguntei antes porque estou acostumado e cansado de ficar parado por muito tempo na fila, mas por que você já tá vestido como mulher? — Ele olhou em volta e perguntou, sussurrando.

Só então o artista olhou Yuuto da cabeça aos pés. Apesar de não usar uma de suas perucas, o cosplayer já usava uma maquiagem leve e uma saia curta com uma camisa amarela simples e folgada. Não importa como olhasse para ele, parecia ser uma garota vestida de qualquer jeito.

— Então você bateu com a cabeça numa parede — disse Yuuto com um sorriso acanhado. Depois ele se aproximou do namorado. — Não quero arriscar que ninguém me veja durante a transformação em Yuuno — sussurrou ele.

Seiji sorriu e pareceu lembrar. O professor explicara para ele uma vez. Em todo evento ou competição, Yuuto já ia vestido de garota, ou, dependendo se o cosplay não fosse embaraçoso demais para ele usar no metrô, ele já iria vestido do personagem.

Ele fazia aquilo para que não houvessem riscos das pessoas verem a famosa cosplayer Yuuno, saindo do vestiário masculino. Não consigo nem imaginar o tamanho do escândalo, pensou, tremendo.

— Você dá a entender que a Yuuno é uma idol ou garota mágica que não pode ser vista durante sua transformação — disse Seiji com a voz baixa, revirando os olhos.

Yuuto abriu a boca para dizer que a Yuuno era quase como uma idol. Os fãs dele não gostariam de descobrir que “ela” tinha um namorado. Mas, antes que o cosplayer pudesse dizer qualquer coisa, o artista se inclinou e o beijou.

Seiji sabia que Yuuto sempre evitava beijar ou demonstrar afeto em público. Qualquer coisa além de um abraço ou andar de mãos dadas era proibido. Não porque ele era contra. Ele tinha medo de ser reconhecido e arruinar sua reputação de Yuuno.

Acho que hoje não tem problema, pensou Yuuto, retribuindo o beijo, deixando as pessoas ao redor deles ainda mais embaraçadas. Estou vestido de garota, de todo jeito. Não tem como descobrirem que sou um homem.

— Querem parar de chupar o rosto um do outro e me ajudarem com isso? — pediu Yuuka, mas logo enfiou uma de suas bolsas na mão de Seiji antes que ele respondesse.

O casal trocou olhares e seguiu a mulher que empurrava um carrinho dobrável com caixas de doujinshi. Depois de entrarem, Seiji e Yuuto ajudaram a montar o estande.

— Ei, Seiji, olha só — disse Yuuka em voz baixa, indicando outra mesa com sua cabeça. — Já tem umas mulheres olhando pra você. Quando perceberem que estamos vendendo BL com um gostosão, isso vai triplicar nossas vendas! Você é o melhor marketing com o qual pude pensar.

— Pare de usar meu namorado como seu garoto propaganda — disse Yuuto com um sussurro ríspido.

— Qual o problema? Quer você goste ou não, vocês dois fazem parte do mundo BL — disse a irmã, sem se incomodar em abaixar a voz.

Mais pessoas direcionavam olhares para eles agora. As mulheres, com interesse. Os homens, com suspeita.

— Eles devem abrir ao público logo. Vamos, Seiji — sussurrou Yuuto, puxando Seiji para longe do estande, de rosto vermelho.

— Ei, eu espero você aqui — disse Seiji quando se aproximaram dos vestiários. Ele ainda sorria pela atenção que a dupla recebia.

— Melhor voltar para o estande. Meu cosplay demora mais para vestir… Se ficar parado aí, vai atrair muita atenção…

Seiji sorriu e se inclinou para beijá-lo novamente. Yuuto colocou uma mão na frente da boca do namorado.

— É a última vez por enquanto. Yuuno não pode ter um namorado, se lembra? — Então eles se beijaram e foram para seus respectivos vestiários.

Seiji não tem controle de si… ele não consegue se segurar nem mesmo aqui, pensou o cosplayer, com as bochechas levemente coradas enquanto tirava o cosplay da bolsa. Ah, bom… Também não sou inocente… Não consigo resistir a ele…

Enquanto mais garotas entravam, Yuuto foi para um canto e começou a se transformar em Yuuno. Não é hora de pensar no meu namorado. Desde momento até o fim do dia, eu sou Yuuno.

— Ei, você viu o bonitão lá fora? — disse uma garota.

— Vi sim! Acha que ele é um cosplayer? Se for, precisamos tirar uma foto com ele — respondeu outra, rindo.

Yuuto corou e tentou ignorá-las. Ele é meu, pensou com um sorriso acanhado.

Levando mais tempo do que deveria para se preparar graças a conversa das meninas sobre seu namorado, o cosplayer saiu do vestiário. O evento parecia diferente quando você estava de cosplay. Ele não estava lá para comprar doujinshi. Não estava lá para vendê-los também. Estava lá para colocar um sorriso no rosto das pessoas.

Antes que desse o primeiro passo até a estande da irmã, uma mulher se aproximou dele.

— Com licença — disse ela com uma voz delicada. — Esse cosplay seria, por acaso, de My Guardian Persona?

— Ah sim.

O rosto da mulher se iluminou com um sorriso.

— Eu sabia! Ficou muito bom! Eu não pensei que alguém faria esse cosplay tão cedo. Posso tirar uma foto, por favor? — pediu ela, erguendo a câmera, com olhos esperançosos.

Sorrindo, Yuuto assentiu e ergueu seu buquê de plástico perante si.

— Obrigada — disse ela, tirando algumas fotos.

— Se quiser, venha para nosso estande. Meu… amigo também está fazendo cosplay de um personagem de My Guardian Persona. E vamos participar da competição de c-casais — disse Yuuto, com as bochechas levemente coradas.

Após mostrar onde o estande está no mapa da mulher, ela foi embora. Yuuto assistiu enquanto ela se misturava com a multidão antes de voltar para sua irmã e namorado.

Não acredito que ele… Ele… ele está muito melhor do que eu imaginava, pensou Yuuto, observando o namorado de cosplay. Embora o professor tivesse terminado o cosplay algumas semanas atrás, ele não conseguiu convencer Seiji a usar. Nem mesmo com algumas das poucas ideias novas que teve e procurou na internet.

Apesar de reclamar sobre “se fantasiar” de um “pirata azul”, Seiji parecia quase perfeito no cosplay. A capa às suas costas dava uma presença imponente ao artista. O tapa-olho, junto ao chapéu e a espada na cintura faziam com que ele emanasse um ar de perigoso. Mas, com seu sorriso, ele parecia mais um ladrão que roubaria o seu coração.

Agora eu entendo porque as mulheres gostam do tipo perigoso, pensou Yuuto, tentando fazer seu coração parar de bater tão rápido.

Já havia uma pequena fila, composta principalmente de mulheres, para comprar os doujinshis de Yuuka. Yuuto notou que a maioria dos compradores queria receber o produto de Seiji. Alguns até perguntaram se ele ajudou a fazer o mangá.

Yuuto sentiu vontade, mas antes que pudesse se controlar, correu e se agarrou no braço do namorado.

— Desculpe o atraso.

— Por que você demorou tanto… — Seiji perdeu as palavras ao ver o cosplay de Yuuto. Ele abriu e fechou a boca algumas vezes. — Você está tão… uau…

O professor corou, soltou o namorado e deu um passo para trás. Ele conseguiu girar no espaço apertado destinado ao estande deles, fazendo a barra da saia esvoaçar atrás de si.

— Se está com essa reação, eu fico mais confiante com esse cosplay — disse, alegre.

— Devia ficar sim. — Seiji estava corado e não continha o sorriso no rosto.

— Você está incrível nesse cosplay. É o esperado, com as minhas habilidades, mas o modelo não é nada mau — disse Yuuto, caminhando até Seiji.

— Não posso discordar, então vou deixar você se gabar o quanto quiser hoje — disse Seiji, puxando a espada.

Yuuto sorriu e bateu as mãos.

— Não sei por que você se recusou a vesti-lo pra mim antes.

— É que, bem, eu queria evitar essa reação.

— Cosplayers não ficam com vergonha — disse Yuuto.

Seiji riu.

— Você ficava envergonhado o tempo todo durante as nossas sessões — lembrou ele.

— É, bem… não era por que você vivia me deixando com vergonha?

— Como? Pintando você?

— Parem de flertar, vocês dois, e me ajudem com isso — resmungou Yuuka, trazendo o casal de volta a realidade.

Com sorrisos acanhados e de rostos vermelhos, Yuuto e Seiji sentaram para ajudar. Sob as ordens tirânicas da irmã de Yuuto, eles conseguiram dar fim a fila.

— Tudo bem. Yuuno, fica com a placa perto do corredor e traga mais clientes. Seiji, fique aqui comigo.

— Espera, você vai nos separar? — Seiji tinha um olhar triste no rosto. — Isso não fazia parte do plano. E eu fui forçado a escutar esse bendito plano cem vezes!

— É, estou ligada. Mas não dá pra aturar vocês dois flertando o dia todo. Vai mandar os clientes embora ver um casal “hétero” flertar enquanto vendem BL. Acreditem em mim, nenhuma fujoshi curte isso. Ah, e não me olha assim, Seiji. Provavelmente venderemos tudo antes do meio-dia. Aí você pode juntar à Yuuno.

— Calma, Seiji. O trabalho da mana é famoso. Duvido que leve muito para vender. Depois disso, eu te mostro o evento — disse Yuuto, batendo nas costas do artista.

O cosplayer não tinha planos de ficar separado do namorado pela manhã toda. É o primeiro comiket dele. Eu queria que ele se divertisse enquanto eu mostro esse meu mundo, pensou, beijando a bochecha de Seiji antes de se afastar da estande com a placa anunciando os doujinshis da Yuuka.

O fluxo de pessoas era incrível. As portas foram abertas faz um tempo, mas, mesmo assim, os visitantes ainda chegavam.

Eu venho todo ano e ainda não me acostumei com essa multidão, pensou, rindo. Yuuto ficou parado perto de um pilar, falando para as pessoas conferirem o estande da irmã dele. Como sempre, muitos visitantes pararam para tirar foto com o cosplayer.

Não acredito que ainda estou fazendo isso. Anos atrás, em sua primeira experiência fazendo cosplay em um evento. Ele também anunciava o trabalho da irmã. A mesma coisa, mas parece tão diferente… Naquela época, eu jamais pensaria que me apaixonaria por fazer cosplay… nem que me apaixonaria por um homem…

O evento foi como sempre. Então, uma hora após ele começar a dar voltas pelo lugar, seu fã clube apareceu.

— Yuuno-chan! — gritou o líder quando reconheceu o cosplayer. Ele correu até Yuuto com alguns homens atrás de si. — Ah! Você está incrivelmente linda nesse cosplay. Uma waifu perfeita.

— Sim! Perfeita! — disse outro homem.

— Casa comigo!

— Foi mal. Não posso — disse ele. Yuuto riu do comentário do homem.

— Não pode ser. — O cara reagiu de forma exagerada. — Você já tem alguém?

— Isso é segredo — disse Yuuto, erguendo um dedo até os lábios com um sorriso malicioso.

— Não! — disseram todos em coro.

— E aí, Yuuno-chan. Essa é a Yamamori-chi de My Guardian Persona? — perguntou o líder.

— Sim — respondeu Yuuto com um sorriso, mostrando o vestido branco. — Não achei que muitos notariam. O que acharam?

— Linda! — Todos do fã clube gritaram juntos e Yuuto riu. — Por favor, podemos tirar uma foto com você?

O cosplayer colocou a placa para baixo e tirou foto com cada um deles. Após os homens tirarem suas fotos individuais, eles tiraram uma em grupo, com Yuuno no centro. Mas, antes de irem embora, três pegaram um photobook que Yuuno fizera alguns anos atrás.

— V-Vocês conseguiram encontrar isso…? — perguntou, de rosto vermelho. — Pensei que era impossível.

— Sim. Alguém andou comprando todos os seus photobooks raros. Mas conseguimos esses antes. Por favor, assine! É um tesouro que jamais venderemos!

De rosto vermelho, Yuuno assinou os photobooks. Pensei que jamais veria eles de novo. Eu era um noob naquela época. Meus cosplays eram tão básicos. E cá eu pensando que só ia ver o novo photobook…

— Muito obrigado por isso, Yuuno-chan! — gritaram eles em coro. — Nos vemos depois!

Yuuto sorriu enquanto acenava adeus para eles. Eles podem exagerar um pouco, mas são pessoas legais.

— Esses caras eram do seu fã-clube?

— Sim… eles tem me apoiado todas as vezes desde meu primeiro evento.

— Hã… Eu não sabia disso… Agora entendo por que você trata a Yuuno como idol — disse uma voz familiar atrás de Yuuto.

Só então ele percebeu e se virou.

— Seiji? Você deu uma escapada? Minha irmã vai te matar.

— É incrível o medo que você tem da sua irmã.

— Ah, bem… é tipo você e a Seika.

Ambos irmãos mais novos olharam um para o outro e depois riram.

— Ela te deixou ir mesmo?

— Sim. Ela disse que, por algum motivo, havia bem mais mulheres comprando este ano — disse Seiji, dando de ombros enquanto mostrava um sorriso convencido.

Yuuto sabia qual o motivo, mas ficou quieto. Ele sabe, mas não tem como eu dizer na cara dele. Ele não precisa dessa acariciada no ego, pensou o professor, a inveja crescendo dentro de si novamente.

— As mulheres ficavam me secando com o olhar por algum motivo. Perguntando se eu inspirei o doujinshi ou algo do tipo — continuou Seiji, como se desse a deixa para Yuuto.

— Tecnicamente, você inspirou. Minha irmã te usou como seme pro doujinshi deste ano.

— Agora eu sei que você não lê o mangá da mana. Porque ela te usou como uke. Na real, você sabe que ela tem te usado para o mangá BL dela por um bom tempo já?

— Não estou ouvindo nada — disse Yuuto, virando-se e tampando as duas orelhas com os dedos.

Ele sabia. Yuuka o forçou muitas vezes a terminar o mangá dela, então ele notou que os personagens que geralmente eram violados por tentáculos, um cara, ou um grupo, se pareciam bastante com uma versão máscula de Yuuno. Ele sempre teve medo de perguntar a verdade.

Ele gostava de viver em negação. Mas soube desde que uma das garotas de seu fã clube perguntara se o uke no doujinshi foi inspirado nele. Eu não devia me importar agora que estou em um relacionamento que serve de material sem a ajuda da imaginação dela… mas é estranho que o Seiji esfregue isso na minha cara.

— O que foi? Não é como se não fosse verdade. Você pode estrelar o mangá da Yuuka. Não, nós podemos — disse Seiji, com um sorriso malicioso.

— Não estou ouvindo nada.

Ele tirou o dedo das orelhas, as maçãs do rosto levemente coradas.

— Ei, não vai me mostrar o evento e parte do seu mundo? — Seiji riu.

— Sim! — Yuuto sorriu na hora. — Me permita guiá-lo por seu primeiro comiket.

— Antes disso, aquele lá é o Yuyunono?

— Você conhece o líder do meu fã clube?

— Claro. Não tem como um membro entrar sem a aprovação do líder — disse Seiji, ainda olhando para onde o fã clube se misturara com a multidão.

— Espera, você é membro? Do meu fã clube? — Yuuto nem tentou esconder sua surpresa.

— Eu não te contei? Sou o membro 625269 — disse, sorrindo para a reação do cosplayer.

— Você nunca me disse… — Yuuto corou, mas também sorriu.

Eu não fazia ideia… espera, isso quer dizer que o Seiji viu as fotos que tirei só pro fã clube…? Seu rosto ficou com uma tonalidade alarmante de vermelho só de pensar naquilo.

— Eu não achei que fosse necessário. Tipo, sou o fã mais próximo da Yuuno… Duvido que esses caras saibam o quanto você clama ou geme por mim na cama. Ou quão bom é em chupar meu p…

Yuuto arregalou os olhos e foi bloquear a boca de Seiji. Mas se esqueceu de que segurava o buquê, então acabou empurrando as flores de plástico na boca do namorado.

Seiji sorriu e tirou o buquê das mãos.

— Valeu pelas flores, amor — disse, com a voz baixa.

Depois de Yuuto se certificar de que ninguém ouvira, ele se virou para Seiji.

— Quando você se juntou ao meu fã clube? — perguntou, em voz baixa.

— Virei membro no dia seguinte ao casamento da minha irmã. Depois que você me deu seu pseudônimo de artista, não tinha como eu ficar sem pesquisar na internet. Quando vi que havia um fã clube da Yuuno-chan, eu precisava me filiar. Havia um convite aberto para vir hoje e conversar com você, mas eu tive que recusar. Sabe, já que já estou vindo com outra pessoa. Tem ideia de quanta inveja esses caras iriam sentir se soubessem da verdade?

— Calma, v-você não contou a eles sobre nós, né?

Yuuto deixou o queixo cair. Seiji ficou quieto por um instante, olhando nos olhos do cosplayer. Depois o artista sorriu.

— Eu não faria isso com você, Yuut… Yuuno. Além do mais, não tem como eles acreditarem quando um novato no fã clube, quem eles nem conhece, diz ser o namorado da Yuuno.

Yuuto suspirou, aliviado. Mas, então, percebeu algo.

— Você não disse que não contou a eles — argumentou, cerrando os olhos.

Seiji sorriu e olhou o arredor.

— Você não vai fugir. Espera, foi você quem comprou meus photo books velhos?

— Qual é. Me mostra o evento otaku — disse Seiji, antes de se afastar.

— Espera! Me responda!

Yuuto correu na frente de Seiji. Vermelho, ele agarrou a mão do namorado e o guiou.

Seiji riu e apertou a mão de Yuuto. O professor não se virou para ver. Ao menos ele está se divertindo, pensou, com um sorriso no rosto.

— Ei… Yuu… no… você me… trouxe aqui… pra me fazer carregar tudo isso?

Seiji lutava para erguer os braços. O peso das sacolas de Yuuto, cheias de doujinshis, figures, pôsteres e outras mercadorias de animê e mangá.

O cosplayer se virou para encarar o artista. Por um instante, ele não tinha expressão. Logo, cantarolou e sorriu.

— Que foi…? Não é esse o dever de um namorado? Carregar as bolsas da namorada quando fazem compras? — perguntou Yuuto com uma voz brincalhona incomum. — Além do mais, quem se ofereceu para carregar foi você. Não tem ideia do quão feliz eu fico em ver meu forte namorado carregando todo com esses braços musculosos.

Seiji corou e desviou o olhar.

— Tá, bom. Mas você não é minha namorada — disse, entre dentes, enfatizando a última palavra.

O sorriso de Yuuto se arregalou enquanto ele tocava o queixo de Seiji e forçava o homem a olhar para ele.

— Hoje eu sou a Yuuno, uma cosplayer popular e adorável. Portanto, sou sua namorada.

— Não invente uma desculpa esfarrapada. E, além do mais, a Yuuno não deveria ter namorado. Se seu fã clube descobrir, é capaz deles… sei lá, me irritarem bastante ou algo assim.

Yuuto riu.

— É um risco que vale a pena tomar pra ter o namorado dos sonhos carregando minhas coisas.

Seiji abriu a boca para responder, mas o esforço de carregar tudo parecia ser demais para ele.

— Vamos deixar isso com a mana. — Yuuto mostrou um sorriso gentil.

O alívio era óbvio no rosto de Seiji.

Após deixarem as várias sacolas com Yuuka, Seiji esfregou os ombros de um jeito exagerado.

— Não precisa de tudo isso — disse o cosplayer, contendo a vontade de rir.

— Você não carregou, fica quieto.

Sem dizer nada, Yuuto ofereceu sua mão. Seiji a aceitou, sorrindo.

Eles deram voltas pelo saguão, mas, agora, não compraram nada. A maioria já comprara aquilo pelo qual vieram, então era hora das fotos. Seiji e Yuuto faziam poses ou tiravam foto sempre que alguém pedia.0

— Isso é mais cansativo do que parece — disse Seiji após uma garota se afastar deles. Ela sorria tanto enquanto se juntava às amigas. — Pensei que essa parte do trabalho de cosplayer seria a fácil.

— Sabe de nada, inocente — disse Yuuto com sua voz mais condescendente, balançando a cabeça ao mesmo tempo. — Na próxima, você já vai ter noção disso.

— Sim, prometo que nunca mais subestimo o trabalho de um cosplayer.

— Duvido — disse Yuuto, e ambos sorriram.

— Ei, notei que a maioria dos caras queria tirar uma foto contigo. — Seiji ergueu uma sobrancelha, forçando sua voz a soar casual.

— E quantas mulheres quiseram tirar foto com você? Acho que estamos quites.

— Nem vem. Não tem chance de uma mulher me roubar de você. Mas um cara perto de você…

— Está com ciúmes? — Yuuto tentou, mas não conseguiu esconder o sorriso.

Seiji ficou vermelho e desviou o olhar. Yuuto estendeu a mão e cutucou a bochecha do namorado até o artista também sorrir.

— Mestra! — Uma voz familiar chamou por ele. — Finalmente achei você.

Yuuto se virou e virou uma garota indo até ele.

Tsukiko-chan sorriu e acenou a mão energeticamente até o professor. Ao lado dela estava um estudante do ensino fundamental II com o rosto todo vermelho.

Taiyou-kun é que nem o Seiji… muito envergonhado por estar aqui, pensou Yuuto enquanto acenava de volta.

— Mestra, estou feliz de te ver aqui! — disse a garota, segurando ambas as mãos do professor. — Você está incrível! Esse vestido é incrível! Você costurou sozinho?

Yuuto ficou surpreso pelas perguntas. Mas, no instante seguinte, sorriu e riu.

— Minha avó me ajudou. Este vestido foi… para uma ocasião especial — respondeu, olhando para Seiji com um sorriso nostálgico.

O pintor arregalou os olhos, corou e desviou o olhar, sorrindo.

— Ficou ótimo!

— Você também está linda, Tsukiko-chan.

A garota usava um uniforme de animadora de torcida rosa com um visor combinando, que tinha um grande coração na lateral. Junto a meias soltas rosas, seus pompons e os cabelos rosas, era um cosplay perfeito da personagem principal de My Guardian Persona.

Taiyou-kun usava um top preto azulado, calças e mangas da mesma cor. Com orelhas de gato, cauda e acessórios que lembravam garras. O cosplayer interno de Yuuto aprovou o casal.

Com eu e o Seiji fazendo cosplay da forma final dos personagens, ficamos ótimos… poderíamos até participar no evento de grupo… Seus olhos brilharam com a ideia.

— Já que estamos todos fazendo cosplay da mesma obra, que tal tirarmos uma foto em grupo? — sugeriu a garota, com a voz muito ansiosa.

— Não precisa nem pedir.

Eles pediram a um visitante próximo para tirar várias fotos.

— Guardarei isso pra sempre como um tesouro — disse Tsukiko, sorrindo.

— Eu também — disse Yuuto, sorrindo o máximo que podia enquanto olhava a foto no celular.

— Com licença — disse um passante, tímido. — Você é a Yuuno-tan, não é? Podemos tirar uma foto dos quatro?

O grupo estava ocupado demais para perceber, mas os cosplays combinando deles atraíram uma multidão. Após concordarem, a multidão aumentou. E não parava de vir gente.

— Isso não é demais? — reclamou Seiji após serem cercados de pessoas pedindo fotos ao mesmo tempo. Os flashes eram tão constantes que ele piscava.

— Faz parte — disse Yuuto, se forçando a não piscar enquanto olhava em volta. Mas, até para ele, a onda de flashes imparáveis irritava os olhos. — Especialmente quando o cosplayer e o cosplay são de boa qualidade.

— Ei! Aquele cara está tendo tirar uma foto de debaixo da sua saia! — exclamou Seiji, apontando para alguém.

Ele não conseguiu conter a raiva quando viu um homem deitado no chão com a câmera para cima, tirando uma foto de um ângulo muito baixo.

Yuuto soltou uma risada desconfortável e pressionou as roupas para se cobrir.

— Infelizmente, isso também faz parte — disse, coçando a bochecha.

— Você não vê problema nisso? — perguntou Seiji, com a voz mais alta devido aos crescentes murmúrios e flashes.

— Meio que já me acostumei. — Mas, até para mim, isso é demais… acho que eles estão excitados com o cosplay em grupo…

— Bem, pois eu não estou.

Apesar do que dizia e a expressão irritada, Seiji não fez mais nada. Ele aguentou, pelo namorado.

— Yuuno-tan, olhe pra cá — pediu uma voz sem rosto de algum lugar da esquerda do cosplayer.

Ele obedeceu e virou na direção. Mas seu sorriso estava bem rígido agora.

— Não, Yuuno-chan, olhe para cá também! — disse outra pessoa.

— Isso é normal? — perguntou Taiyou-kun em voz baixa.

— Não… eles estão ficando animados demais — respondeu Tsukiko-chan.

Yuuto se moveu para ficar na frente do casal de jovens. Ela é minha aluna. Preciso ajudá-la, mesmo aqui, pensou.

Mas, apesar de seus esforços, a multidão se aproximou dos quatro ainda mais. E as coisas ficaram ainda mais complicadas quando o fã clube de Yuuno chegou.

— Vamos terminar o dia com mais fotos da Yuuno-tan! — gritou o líder, tentando passar na frente dos outros.

Os visitantes começaram a se empurrar para chegar mais perto. Logo, eles estavam a centímetros de tocar os cosplayers.

— Já deu! — gritou Seiji.

— Concordo!

— Yuuno-tan, por favor, aperte a minha mão.

— Não, a minha!

Uma pessoa tentou estender o braço. Yuuto apertou brevemente. Mas então outro braço apareceu da multidão. E outro. Do nada, haviam tantos que o cosplayer se perguntou se não entrara em uma casa mal-assombrada em algum momento.

O grupo deu um passo para trás, mas alguma coisa bloqueou o caminho deles. Estavam presos entre um pilar e a multidão.

Yuuto tentou achar uma escapatória, mas não havia. A multidão os cercara, todos gritando por eles, por ele. Gritando Yuuno, Yuuno. Ah, merda! Eles ficaram doidos!

A multidão quase os alcançava quando, do nada, Yuuto sentiu seus pés deixarem o chão.

Levou um tempo para entender o que acontecia. Seiji retirara a espada de plástico da cintura e o carregava como uma princesa.

— Tirem suas mãos do meu namorado — disse Seiji com uma expressão determinada, manejando a espada o mais próximo das mãos sem bater em ninguém.

Yuuto arregalou os olhos, seu rosto ficou com uma tonalidade forte de vermelho. Com um sorriso forçado nos lábios, ele colocou seus braços em volta do pescoço de Seiji e descansou sua cabeça no peito do namorado.

Houve uma pausa. E então Yuuto escutou inúmeros flashes e um murmúrio crescente, mas ele não ligou.

Estava feliz demais para isso.

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Se curtem Por Favor, olhem minha outra história BL, O nadador e o assistente.
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