[PT] Re;Blade 9

Cap 9 de Re;Blade.
Tetsuko está de volta em seu antigo mundo. Mas seu destino está selado
Espero que gostem do cap

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Capítulo 9 – Mais uma vez, outro mundo

Tetsuko encarava o teto de madeira quando escutou um tumulto do outro lado de fora da prisão.

Vozes… Alguém está vindo, ela percebeu, se concentrando. Reconheço essa voz…

Deve ser o homem que fica chorando sempre que veio me visitar, disse Lia na mente dela.

Souichirou nunca vai aprender a ficar quieto, pensou Tetsuko, sorrindo. Embora não fizesse muito tempo desde que deixara este mundo, fazia bastante tempo desde que vira o rosto de seu amado.

Enquanto as vozes ficavam mais altas, Tetsuko juntou forças. Ela não queria encontrá-lo deitada no chão, esperando pela morte.

— Tetsuko! — gritou o homem no instante em que entrou na prisão.

Com muito esforço e dor, a ferreira conseguiu arrastar seu corpo até perto da porta e sentou. Ela inclinou-se contra as barras enquanto esperava.

— Tetsuko — disse Souichirou novamente quando se aproximou.

Havia um sorriso nos lábios dele ao vê-la, mas lágrimas enchiam em seus olhos. Ele se agachou e segurou as barras com as duas mãos.

— O guarda disse que você mexeu o braço… e estava rindo — disse, com a voz cheia de esperança e ansiedade. — Consegue falar? Você… me reconhece…?

Tetsuko ergueu a cabeça para olhar nos olhos de Souichirou. Houve um instante de silêncio e então a mulher mostrou um sorriso fraco.

— Você não me deixaria esquecer mesmo que eu quisesse — disse, rindo.

Mas ela logo parou; até mesmo rir doía para ela.

— Não se esforce — disse ele, preocupado. Apesar do que dizia, ele ainda sorria após escutar a voz dela. — Suas feridas podem abrir se você…

Ele ficou quieto e o sorriso em seu rosto sumiu tão rápido quanto apareceu lá.

— Não fará nenhuma diferença, certo?

Ela olhou nos olhos dele, mas ele evitou olhar nos dela.

— Não faça essa cara. Sei que não tenho muito tempo neste mundo. Eu gostaria de conversar com você como nos velhos tempos.

Souichirou mordeu os lábios e formou um punho com a mão, contendo as lágrimas. Então, forçou-se a engolir a tristeza antes de olhar para a ferreira.

— Eu capturei os culpados. Digo, o último sobrevivente. Matei ele com minhas próprias mãos — disse ele com a voz sombria e um tom frio.

Tetsuko mostrou um sorriso triste. Ignorando a dor, ela estendeu a mão para tocar as dele com os dedos que a sobraram.

— Eu queria que não tivesse feito isso. Suas mãos devem escrever, segurar um livro, e não uma espada. — Tetsuko respirou fundo para continuar falando. — Você deve criar um mundo melhor, um futuro melhor, não trazer mais mortes.

O homem soltou uma risada fraca e breve.

— Você nunca acreditou que eu podia fazer isso. — Os olhos de Souichirou ficaram enuviados com memórias de um passado distante. — Mas ainda que ache que não consigo, eu sou um samurai.

— Você tem razão. É um samurai. Um samurai nobre que não deveria estar aqui com uma ferreira aleijada e inútil.

O homem arregalou os olhos e balançou a cabeça.

— Você não é uma ferreira aleijada e inútil! — gritou. — É a mulher que eu…

Antes que ele terminasse de falar, Tetsuko levou os dedos que ainda tinha até os lábios dele. Ela estava prestes a chorar, mas conseguiu conter as lágrimas.

— Você não tem ideia do quão feliz estou com seus sentimentos. Mas não falar isso. Você tem uma esposa nobre quem o presenteou com dois filhos e duas filhas, além de muitos mais que ainda estão por vir. Ela o deu algo que eu jamais poderia: uma família. Como ela se sentiria se o escutasse agora?

Souichirou não pode impedir suas lágrimas de caírem dessa vez.

— Mas eu amo você — sussurrou ele alto o bastante para só a mulher ouvir. — Desde que éramos crianças…

— Eu sei — disse ela, contendo as mesmas palavras dentro de si.

Só vai feri-lo se souber.

O tempo passou e o único som que ecoava era o choro do homem.

— Se eu soubesse que esse seria o fim da minha vida, teria aceitado sua oferta de ser sua amante.

— O quê? — Ele limpou as lágrimas e olhou nos olhos dela. — Mas você disse…

— Que não tinha interesse em ser sua segunda esposa — interrompeu ela. — Mas pensei nisso. Pensei muito nisso. Em deixar a forjar, abandonar quem eu era só para ficar com você.

— Então por que não o fez? — Ele pressionou a cabeça contra as barras. — Poderíamos ter ficado juntos… e você não estaria morrendo…

— Por que eu nasci para criar espadas — disse a ferreira com a voz cheia de orgulho e firme pela primeira vez. — Além do mais, eu não queria que você sofresse com essa decisão. Eu sempre soube que você iria se casar com aquela mulher pelo bem de sua família. Quantas pessoas teriam sofrido caso não se casasse com ela?

— Isso não é para você decidir, idiota…

Essas palavras a fizeram sorrir. Ele não mudou desde aquela época. Quando era só um pirralho samurai impressionado pela espada que eu fiz. Poderíamos ficar juntos em outro mundo. Se não fosse por isso… Tetsuko colocou o braço sem mão na barriga.

— Mas há outra coisa que você não sabia. Quando meu pai morreu… quando fomos atacados no campo de batalha, eu fui esfaqueada e… não podia mais ser mãe…

— Por que não me contou? — Souichirou arregalou seus olhos.

— Que diferença teria feito? Sou uma ferreira. Sempre fui. Ainda que não pudesse deixar herdeiros, minhas espadas são meus filhos. Não me arrependo do caminho que escolhi.

Demorou um tempo para o homem parar de chorar.

— Agora que acordou, você… vai…

Ele não pôde se forçar a terminar a frase.

— Serei executada — disse Tetsuko com uma voz estranha e sem emoção.

Percebi vendo a memória da Lia. Ainda que ela não entendesse as palavras, era claro qual seria meu destino.

— Você não precisa chorar mais. Eu não tenho muito tempo restante.

Ela sorriu para o homem, mas ele balançou a cabeça.

— Você não entende… vai ser executada como traidora por vender armas a nossos inimigos…

Tetsuko ficou quieta.

— Eu sabia que meu nome seria marcado por criar espadas que tiraram muitas vidas, mas jamais pensei que morreria como uma traidora…

— Tentarei fazer algo quanto a isso. Prometo — disse Souichirou com um tom de voz determinado.

— Estou feliz com isso, mas, não importa o que você faça, eu vou morrer. Em vez de tentar mudar o que já foi decidido pelo destino, eu gostaria que você fizesse outra coisa.

— O quê?

— Acabe com o homem que planejou isso — disse ela, mostrando a mão aleijada. — Você sabe de quem estou falando. Ele vendeu minhas armas e depois armou e manipulou aqueles plebeus pra se vingarem de mim.

Apesar das lágrimas, o homem assentiu. Ela conseguia sentir a determinação dele.

Aquilo fez a mulher sorrir, orgulhosa do homem que amava.

— Ótimo. Agora posso morrer em paz — disse, fechando os olhos. Mas logo os abriu de novo. — Por favor, não suje suas mãos com ele. Não o mate. Você deve comandar. Use sua mente para criar um mundo melhor.

— Um mundo melhor precisaria de espadas?

Ele soltou um riso fraco.

Tetsuko riu, mesmo sentindo dor.

— Quem sabe? E se for assim, fico feliz que não precisarei viver nesse mundo.

— Tetsuko…

— E cuide do meu discípulo. Ele é um garoto idiota, mas tem talento.

Ainda que não houvesse nada mais a ser dito, Souichirou ficou ao lado de Tetsuko por muito tempo.

O silêncio reinou solitário entre eles, mas nenhum dos dois queria dar fim àquilo.

Porque o próximo encontro dos dois seria nos últimos momentos de Tetsuko neste mundo.

Você feriu o coração dele, disse Lia após o homem ser forçado a ir embora por seu conselheiro.

Sim… mas foi pelo melhor… Nada de bom viria se ele proclamasse seu amor por mim…

Você também feriu o seu coração.

Tetsuko chorou e mostrou um sorriso triste.

Eu sei… Mas eu morri… Não sei por que voltei… Mas morrerei de novo…

Melhor deixar este mundo sem guardar sentimentos…

No dia seguinte, quando o sol ergueu-se, Tetsuko foi levada até o pátio do castelo para sua execução.

— Tetsuko, você é uma traidora que vendeu armas aos meus inimigos — disse o Senhor com seu tom imperial. Os plebeus que se reuniram ali aclamaram o Senhor das terras e vaiaram Tetsuko. — Graças às suas ações, muitos dos meus cidadãos morreram. Sentencio-a a morte.

O barulho excitado da multidão cresceu.

Tetsuko estava de joelhos com os braços amarrados nas costas, sentindo seu corpo todo gritar de dor.

Mesmo assim, ela recusou a deixar aquilo transparecer em seu rosto.

Não darei essa satisfação a eles, pensou.

Embora Lia não dissesse nada, ela podia sentir a aprovação da outra mulher.

O Senhor continuou falando, mas Tetsuko não prestava mais atenção.

Apenas acabe logo com isso. Não tenho muito tempo…

— Quais as suas últimas palavras? — perguntou finalmente após terminar todas as formalidades.

— Eu gostaria de dizer algo — disse, olhando para o senhor daquela terra.

O samurai nobre ficou quieto por um instante, depois assentiu.

Tetsuko virou-se para a multidão perante ela. Embora ninguém a conhecesse, todos sentiam ódio pela mulher.

Sou muito odiada, pensou, contendo seu sorriso.

— Sou apenas uma mera ferreira. Vocês me odeiam, mas não fiz mal a nenhum de vocês — disse, com a voz grave e alta para que todos pudessem escutá-la.

Tetsuko ficou quieta por um instante, deixando que suas palavras fossem ouvidas.

O silêncio foi quase insuportável.

— Vocês me odeiam por ter dedicado minha vida às espadas. Me culpam, culpam às minhas espadas, por matar seus entes queridos. Mas são imbecis se acreditam nisso de fato. Uma espada não mata sozinha. É quem a empunha que mata.

— Calada! — gritou alguém do meio da multidão, seguido por murmúrios concordando.

— Se você não tivesse feito essas espadas!

— Deveria se arrepender no fim da vida!

— Peça desculpas a todos quem tirou a vida!

Tetsuko olhou ao redor. São patéticos, pensou, sorrindo.

Ela sentiu seu fim se aproximar e respirou fundo.

— Uma espada é uma espada. Pode matar ou proteger. Eu crio espadas. Não me arrependo de minha vida. Se não podem viver suas vidas miseráveis sem culpar alguém, culpem aos céus por criarem este mundo. Culpem seu destino. Culpem vocês mesmo por serem fracos — gritou com tudo que seus pulmões permitiam.

Ela sentiu suas feridas abrirem. Sentiu o sangue encher sua boca. Ela cuspiu e continuou gritando.

— Este é o País dos samurais. Das espadas! Enquanto as pessoas nunca se esquecerem disso, este continuará o país das espadas! Não de armas, ou flechas, muito menos lanças! Espadas! O país permanecerá vivo enquanto as pessoas se lembrem disso!

O silêncio que se seguiu foi satisfatório para ela.

O Senhor ficou surpreso, mas ainda conseguiu sinalizar para o executor.

Não me arrependo de nada, pensou, fechando os olhos enquanto a lâmina sobre sua cabeça abaixava.

Sentindo-se em paz, Tetsuko deixou este mundo novamente.

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