[PT] Nadador 28

Cap 28 de o Nadador e o Assistente.
Sem querer da spoilers, esse cap tá fofo demais
Espero que gostem

 

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O Nadador e o Assistente 28

— Quantas vezes quiser. Posso jogar a noite toda! — gritou Marcelo, sorrindo enquanto pressionava start de novo. — Mas precisa me contar por que é tão bom e por que não te vi em nenhum campeonato local nem nada do tipo.

— Não curto campeonatos. E não é como se fosse fã de futebol nem nada. Sou bom porque eu ficava com um cara que gostava de acordar tão cedo quanto esse aqui — disse Cris, apontando para Nelson com a cabeça, sem tirar os olhos da tela. — Por isso, depois que ele ia dormir, eu ficava muito entediado e começava a jogar os jogos dele.

— Você gosta mesmo de caras que acordam cedo, hein? — comentou Marcelo.

— Fazer o quê? — Cris olhou para Nelson. — Tenho uma tendência a me apaixonar por caras estranhos.

— Entendo perfeitamente — disse Marcelo, assentindo, compreensivo. — A última garota com quem saí odiava entrar na piscina por não querer molhar os cabelos. Na verdade, ela até odiava esportes no geral.

— Tá falando da última que te deu um pé na bunda? — murmurou Nelson, mal-humorado. Mas sua voz foi alta o bastante para todos ouvirem.

Os olhos de Marcelo piscaram enquanto Cris riu.

— Foi mal se não sou o rei da festa como você — disse o outro nadador, esforçando-se para controlar a raiva na voz. — Mas já que o Cris tem tanto interesse em você, embora eu não faça ideia do porquê, vou falar um pouco do seu passado pra ele de graça!

O rosto de Cris se alegrou com um sorriso.

— Por favor! — pediu, fazendo uma mesura para Marcelo quando a bola passou a lateral.

O outro andador colocou sua mão no queixo e murmurou por um momento.

— Você sabia que o Nelson conseguiu atrasar uma competição toda por causa dele?

— Como? Nunca fiquei sabendo disso — disse Cris, olhando para Nelson. — Como ele conseguiu essa façanha?

— Foi antes de sermos chamados pelo clube. Nosso amigo Nelson estava tão nervoso com o torneio que acabou bebendo muita bebida energética. Mas mal conseguiu comer algo sólido, então…

— Tu é uma bosta, sabia? Por que está contando isso pra ele? Prometeu que jamais contaria pra alguém — reclamou Nelson, mas os dois o ignoraram. Cris até acenou para que ele se calasse.

— Estávamos no bloco de partida, segundos antes do apito… mas aí o Nelson… como eu explico? Ele devolveu as bebidas de esporte para a natureza, mas não do jeito normal — continuou Marcelo, como se não tivesse sido interrompido, mostrando um sorriso maldoso.

— Você vomitou na piscina? — perguntou o assistente, sem esconder a vontade de sorrir.

— Então… e ninguém queria entrar na água depois disso. Precisaram da manhã toda pra trocar a água da piscina.

— Você nunca me contou isso! Por que eu não vi isso no seu histórico nem nada? — Cris virou-se para Nelson, quem estava vermelho e cobrindo o rosto.

— Até parece que eu iria contar pra você — murmurou o nadador. Mas, sob o olhar ansioso de Cris, ele soltou um suspiro frustrado. — Eu era criança e foi em um torneio da escola lá na minha cidade. Tirando o idiota aí, pouca gente sequer se lembra.

— O que mais você tem escondido de mim? — perguntou Cris, com a voz curiosa demais. Mas, quando ele percebeu que Nelson não diria mais nada, virou-se para Marcelo. — Você tem mais histórias assim?

— Oxe, um monte. — Marcelo mostrou uma expressão de pessoa sábia. — Tenho histórias que podem embaraçar meu melhor amigo pra contar pra vida inteira.

— Você não precisa parecer tão orgulhoso — reclamou Nelson.

— Vamos apostar todas essas histórias agora — disse Cris, erguendo os braços no ar.

— Que pena. Agora que estou sério, você não vai escutar mais essas histórias. Ao menos não hoje — disse Marcelo, virando-se para a tela.

— Vamos ver. Eu vou escutar a biografia completa do Nelson até a manhã. Mas não se preocupe. Sou um cara legal e vou te apresentar para uma assistente bonita como prêmio de consolação. — Cris bufou alto.

— Você vai fazer isso quando eu vencer!

Marcelo ganhou a revanche. Mas não acabou aí.

Apesar das reclamações constantes de Nelson, eles acabaram jogando várias partidas.

Marcelo ganhou a maioria, para o alívio do nadador. Mas, cada vez que Cris vencia, Nelson precisava ouvir algumas histórias vergonhosas do passado. Para sua surpresa, houve muitas vezes que ele precisou se esforçar para se suprir de suas memórias.

— Porra. Eu nunca queria que você, melhor, ninguém soubesse dessas coisas — murmurou o nadador, observando enquanto eles recomeçavam a partida. Mas, apesar de toda a vergonha que sofria, o sorriso não saia do rosto enquanto via seu melhor amigo e assistente jogarem videogame juntos.

— Mas quero saber tudo sobre você — disse Cris, tirando os olhos do jogo por um segundo para mostrar um sorriso a Nelson. As maçãs do rosto dele estavam levemente coradas.

— Ah, bem… Eu nunca pensei que esta noite acabaria assim, mas acho que é legal fazer isso de vez em quando. Com meu melhor amigo e meu… bem, você — disse Nelson, com a voz sumindo.

Depois de muitos jogos, a cabeça de Nelson começou a pesar. Ele tentou aguentar, mas logo depois, acabou caindo no sono, inclinando a cabeça contra a cama.

— Desmaiou — disse Cris quando viu a cena, um pequeno sorriso surgia nos lábios. — Acho que a gente devia parar por hoje…

— Pois é… — Marcelo parecia querer continuar jogando, ainda que o dono do quarto tivesse dormido. Mesmo assim, ele desligou o jogo e guardou os controles.

— Ao menos nosso trabalho aqui acabou. Tenho certeza de que ele não tava pensando no torneio.

— Acho que colocar o passado negro de alguém na linha tende a ocupar a mente da pessoa por completo — disse o outro nadador, levantando. — Especialmente na frente do… do assistente dele…

— Ele não pode dormir assim… Me dá uma mão aqui pra pôr ele na cama.

— Opa, isso é entre vocês — disse Marcelo, sorrindo e erguendo as duas mãos.

Levou um segundo para Cris entender a intenção do outro nadador. Ele riu logo em seguida.

— É uma pena que eu não estou falando disso.

Com a ajuda de Marcelo, Cris conseguiu colocar Nelson na cama.

— Ele é mais pesado do que parece — reclamou o assistente enquanto cobria Nelson com o lençol.

Marcelo riu e balançou a cabeça.

— Sei melhor que ninguém. Tenta carregar uma versão bêbada e mais irritante disso.

— Eu quero ver isso qualquer dia. — Cris sorriu enquanto observava o rosto pacífico de Nelson. — Aposto que é daqueles que não consegue ficar de boca fechada.

— Você gosta mesmo dele, né não? — perguntou Marcelo em voz baixa.

Cris ficou vermelho e desviou o olhar.

— Sim… gosto pra valer — murmurou, ainda sorrindo.

— Vou ficar ruim na fita se você ficar com uma cara dessas— disse Marcelo após um tempo em silêncio. Ele olhou Nelson e depois Cris enquanto coçava a cabeça. — Quero falar algo pra te ajudar, mas prometi pro meu melhor amigo que não diria nada… que dilema…

— Prometeu pra ele o quê? — perguntou o assistente, tirando os olhos do nadador que dormia.

— Ele me proibiu até de falar pra você. — Marcelo caminhou até a porta e Cris o seguiu. O outro nadador fechou os olhos e pressionou os lábios. Após um instante, o rosto dele se iluminou com um sorriso. — Já sei!

Ele pegou a carteira e abriu. Havia algumas notas amassadas, uma carteirinha do clube e alguns cartões de crédito. Dentro da bolsa de moedas, havia um papel azul com um peixe garoupa nele. Marcelo pegou e mostrou ao assistente.

Cris encarou a nota, sem ideia do que dizer.

— Você quer esfregar esses 100 conto na minha cara ou o quê? — perguntou finalmente, com um tom de irritação na voz.

— Não, amigo. Essa daqui não é uma nota de 100 reais qualquer. É o dinheiro que o Nelson me pagou — disse Marcelo, enfatizando as últimas palavras, de olhos arregalados e sobrancelhas erguidas.

— E daí? Ele nunca me falou sobre te dever dinheiro — disse Cris, sem entender.

— Errado. Você sabe qual o motivo desse dinheiro — falou Marcelo lentamente. — Sabe desse dinheiro desde o primeiro dia que conheceu ele. E eu. Tenta lembrar.

Ainda sem entender. Cris pensou na noite em que conheceu Nelson. Eu lembro que ele ficou surpreso porque eu era um cara fofo… e que ele não estava incomodado com o fato de que eu era gay… o que mais? Mas, não importa o quanto tentasse, o assistente não tinha ideia do que Marcelo falava.

— Cara, lembro que você bebeu demais naquela noite — disse, depois de desistir.

— Isso também. Mas eu tenho 100% de certeza de que esse dinheiro não tem nada a ver com álcool. — Marcelo mostrou um sorriso com vários significados. — Ah, já sei! Em vez de 100 reais, pensa nisso como duas notas de 50.

— Duas de 50? — repetiu Cris devagar.

Qual diferença isso faz? Cris balançou a cabeça, relembrando a noite. Quando conheci os dois… eles falavam de uma aposta… uma aposta se o Nelson iria se apaixonar pela nova assistente… por mim…

O rosto do assistente demonstrou ter entendido. Então ele ficou um tom alarmante no segundo seguinte. Sem saber o que dizer, ele olhou para Nelson, quem ainda dormia.

Marcelo sorriu e assentiu, satisfeito.

— Parece que você entendeu. Bom, já que meu outro serviço aqui está feito, vou nessa. Não quero incomodar — disse antes de fechar a porta.

Cris mal notou que o outro nadador foi embora.

Nelson… pagou… isso quer dizer que perdeu a aposta… então ele… Cris balançou a cabeça, tentando não pensar nisso. Então cobriu o rosto vermelho. Mas, não importa o quanto tentasse, o sorriso ficava voltando. O Nelson está apaixonado por mim…

O nadador ainda estava deitado com a boca aberta. Mas o lençol já havia caído, e ele estava com uma perna para fora da cama.

Com o sorriso ficando maior, Cris começou a recolher as garrafas de cerveja e limpar a bagunça que fizeram. Porém ficava olhando para o nadador e corando o tempo todo.

Ah… Nunca pensei que ficaria tão feliz… mas como eu vou olhar pra ele amanhã? Puta merda… meu coração parece que vai explodir pra fora do peito.

Cris foi arrumar o lençol. Mas, no instante em que se inclinou para cobrir o nadador, Nelson estendeu a mão e puxou o assistente pelo pulso.

O assistente perdeu o equilíbrio e caiu em cima do nadador. Deitado em cima do peito de Nelson, ele encarou o rosto do homem que amava. Seu coração batia forte, o rosto queimando.

Ai caramba… Fiz um boquete pra ele e ainda fico vermelho com isso, pensou Cris. Mas ele não odiava a sensação. Não é a primeira vez que me apaixono por alguém… mas parece… ser diferente com o Nelson…

Mas antes que percebesse, Cris envolveu os braços no nadador e descansou o ouvido no peito de Nelson. Então fechou os olhos e escutou as batidas do coração do nadador.

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