[PT] O Nadador e o assistente 26

Com um atraso anormal devido uma prova complicada, aqui está o cap 26 de o Nadador e o Assistente.
Espero que gostem

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O Nadador e o Assistente 26

— Você está erguendo a cabeça demais quando sobe pra respirar, filho — disse o treinador, lendo as anotações dele. — Isso te faz perder preciosos segundos. E lembra de expirar pelo nariz o tempo todo. Não use a boca. Eu vi você fazendo isso algumas vezes.

— Certo, treinador — disse, saindo da piscina. O nadador tirou a água do rosto e assentiu.

Enquanto Nelson caminhava até o bloco de partida, o treinador virou para Cris. O assistente, sentado na beirada com as pernas dentro d’água, assentiu logo e agarrou o cronômetro em volta do pescoço. Com o aparelho em uma mão e o tablet na outra, ele estava pronto para marcar o tempo de todas as voltas.

— Prepara… Vai! — A voz do treinador ecoou pela piscina interna aquecida.

Nelson pulou para frente no momento em que o treinador gritou. Ele sentiu o corpo bater contra a superfície da água e já balançava os braços e pernas, se impulsionando para o outro lado. O nadador perdeu a conta de quantas vezes fizera aquilo naquele dia.

Quando estava alcançando o outro lado, ele preparou-se para dar um giro, inclinando seus joelhos. Com o impulso das pernas, conseguiu ganhar mais velocidade na volta.

Ah, então era disso que o treinador tava falando, percebeu Nelson quando se pegou pronto para respirar. Sempre que erguia a cabeça acima da água, havia um pequeno atraso quando ele voltava porque usava a boca para respirar. É quase um piscar de olhos, mas por causa do arrasto quando respiro, fico um pouco pra trás. Só que se eu tentar isso…

Nelson se forçou a respirar pelo nariz. Não sei se isso vai fazer qualquer diferença… preciso perguntar se fez alguma de tempo pro Cris.

— Ok. Isso é tudo por hoje — anunciou o treinador quando as mãos de Nelson tocaram na parede. — Preciso ir agora. Tenho que encontrar com os sogros e já tô atrasado. Pelo jeito, a gente precisa preparar um quarto pro bebê agora ou não vamos ter mais tempo. Foi mal, não posso ficar e falar dos tempos, mas fiz anotações no que você pode melhorar. Pergunte pro Cris.

O celular do treinador tocou, ele atendeu e logo se foi.

— Bom trabalho — disse Cris, entregando uma toalha para Nelson.

O nadador hesitou em aceitar, olhando para a água enquanto mordia os lábios.

Cris ficou na ponta dos pés, pôs a toalha na cabeça de Nelson e forçou o atleta a olhar para ele.

— Não vou deixar que volte para a água hoje — ele disse, balançando a cabeça enquanto encarava nos olhos de Nelson. — O treinador falou, especificamente, pra não deixá-lo treinar mais hoje. Vai ficar exausto pra amanhã se fizer treinar mais hoje.

— Amanhã… — Nelson pegou a toalha e secou o cabelo, levando seu tempo no rosto para evitar olhar nos olhos de Cris. — O dia finalmente chegou.

— Na verdade, não. É só uma competição municipal, não é “o dia” nem nada parecido — disse Cris com um tom casual, dando de ombros. — Pela lista dos participantes, não tem ninguém que possa ganhar de você.

— É o que todo atleta gosta de ouvir. Vai vencer porque a competição é fraca. — Nelson soltou uma risada seca.

— Essa é, literalmente, a primeira vez que escuto alguém reclamar de ter uma vitória fácil — disse Cris, sorrindo e rolando os olhos de um jeito exagerado. Então ele suspirou e balançou a cabeça. — Nunca vou entender vocês atletas. Vencer já está de bom tamanho pra mim. E uma vitória fácil, então? Melhor ainda. Mas acho que um mero assistente não vai compreender a mente complexa de um nadador profissional.

Nelson encarou ele com uma expressão vazia. Depois suspirou e jogou a toalha no rosto do assistente.

— Mentiroso. Você sabe bem do que estou falando — disse, caminhando até o vestiário. — E aí, como foi com seu pai?

O sorriso de Cris sumiu enquanto ele tirava a toalha da cabeça. Ele pegou a bolsa com o tablet e outros materiais e seguiu Nelson.

— O de sempre. Encontrou alguma coisa pra fazer? Ser assistente pra sempre não é algo digno de alguém da família Prado Maranhão. Você precisa encontrar um jeito de ajudar a família — disse, com uma voz grave forçada que soava similar à de seu pai. — Ao menos teve algo de novo.

— O quê — perguntou Nelson enquanto começava a se trocar para as roupas normais.

— Ele elogiou meu trabalho contigo — disse Cris, o sorriso voltando enquanto ele brincava com uma mexa do cabelo. Por algum motivo, ele evitou olhar na direção do nadador.

— Hum? O que tem eu? — perguntou Nelson, repentinamente nervoso. Então ele parou de trocar de roupa. — Você disse algo… estranho sobre mim… ou ele descobriu… o que você… nós…

O nadador ficou sem voz enquanto corava. Ele olhou para todas as outras direções menos a de seu assistente.

Cris encarou o nadador com um rosto vazio por um tempo. Então a máscara caiu e ele riu.

— Não conto essas coisas pro meu pai. Sou um cavalheiro. Não chupo e falo — disse, com um sorriso crescendo enquanto Nelson ficava com mais vergonha. — E não, não contei nada estranho… estranhos pro meu nível, quero dizer.

Nelson pressionou os lábios e engoliu o que ia dizer. Nada de bom vai rolar se eu cair na isca dele, repetiu mentalmente algumas vezes. Apesar disso, a curiosidade o devorava por dentro. Ele até pressionou os lábios para se impedir de perguntar.

— Ah… Não vai perguntar? Que pena… — O assistente mostrou uma mistura de surpresa e tristeza. Mas recuperou-se no segundo seguinte e sorriu enquanto fazia cafuné no nadador. — Você cresceu tanto desde que nos conhecemos. Antes você não conseguia se impedir de perguntar o que eu falei pro meu pai. Estou tão feliz… mas isso me deixa triste também.

— Eu aprendo depois de tanta provocação — disse Nelson, tentando conter um pouco do embaraço na voz. — Pode demorar, mas no final eu aprendo.

Cris fungou, colocou uma mão no peito e fingiu enxugar lágrimas invisíveis.

— Estou tão orgulhoso. Parece que sou um pai vendo o filho crescer.

— Cala a boca. Sou mais velho que você — disse Nelson, empurrando o braço de Cris gentilmente. — Deveria falar com mais respeito com os mais velhos.

Cris parou de fingir estar emocionado. Pressionou os lábios, mas nada conseguia tirar o grande sorriso que tinha no rosto.

— Pense de novo.

— Que…? — Nelson parou para olhar o rosto do assistente. — Não vai dizer que é mais velho do que eu?

Com um sorriso que ia de um lado até o outro, Cris tirou a carteira de motorista da carteira e mostrou para o nadador.

— Concordo que é bom mostrar respeito aos mais velhos. Pode dar exemplo agora, meu rapaz.

— Você é só duas semanas mais velho! — disse Nelson, tirando a carteira e apontando para a data de nascimento.

— Corrigindo, são duas semanas de maturidade. — Cris usou um ar de quem sabe tudo e estendeu a mão para tocar na cabeça de Nelson de novo. — Então, se eu puder ajudar em qualquer coisa, é só pedir. Não hesite, meu jovem.

O nadador encarou o assistente com um rosto sem expressão.

— Você é só duas semanas de fraldas sujas e baba mais velho — murmurou, desviando o olhar.

Cris fechou os olhos e assentiu.

— Para os jovens, pode ser só isso. Mas é difícil explicar como duas semanas de maturidade são de fato.

Eles encaram um ao outro em silêncio. Então riram ao mesmo tempo.

— Como a conversa chegou nisso? — perguntou Nelson após pararem de rir.

— Sei lá. É difícil acompanhar a conversa dos jovens — respondeu Cris, sorrindo.

Eles se calaram e saíram do vestiário. Estavam quase alcançando o dormitório masculino quando Cris quebrou o silêncio.

— Meu pai disse que espera resultados seus — disse o assistente em voz baixa, os olhos fixos no chão.

Embora a voz não fosse maior que um sussurro, Nelson escutou claramente. Ele sentiu uma dormência dominá-lo, mas certificou-se de continuar olhando para frente.

— Nada além do normal. Até eu quero mostrar resultados amanhã… ele… o seu pai disse mais alguma coisa?

Cris hesitou.

— Ele… e os outros membros da diretoria duvidam que você vai conseguir resultados iguais a antes do acidente e… alguns consideram terminar seu contrato antes do Mundial…

— Isso… era esperado também — disse Nelson, apesar da garganta seca.

Pensei que tudo ia esperar até o Mundial. Quero dizer, se eu conseguisse me qualificar… mas posso nem ter a chance… Ele sabia que era uma possibilidade desde o começo. Mas escutar aquilo tornava tudo pior ainda.

— Seu… histórico de exagerar nas coisas foi comentado — continuou Cris, como se estivesse se forçando. — Disseram que alguém nadando sob o nome Prado Maranhão não deveria se comportar assim…

— Ah… então é por isso que você insistiu pra que eu não entrasse em pânico — disse Nelson com um tom mais leve para aliviar o clima. — Estava protegendo o nome e ativo dos Prado Maranhão.

— Isso não tem nada a ver! — disse Cris, do nada. Ele parou e agarrou a manga de Nelson. — Eu fiz aquilo porque me importo com você e não quero vê-lo se machucando ou destruindo seu sonho!

Nelson arregalou os olhos. Depois ficou vermelho e desviou o olhar. Algumas pessoas que iam e vinham do dormitório encararam os dois, mas ele não se importou com elas.

— Eu sei disso… Sei faz um bom tempo que você se importa comigo — murmurou, ficando ainda mais vermelho. — Desculpe ter dito aquilo. Só estava brincando para aliviar o clima.

Cris corou e desviou o olhar também. Não falaram nada demais enquanto caminhavam até o dormitório. Então pararam na frente da porta de Nelson.

— Pois bem… Acho que é aqui que nos separamos — disse Cris, soltando uma risada forçada. — Não tente se exercitar em segredo ou praticar no meio da noite. E não vá dormir tarde. Não coma muito também.

— Eu sei, mamãe. Valeu. — Nelson sorriu e soltou uma risada genuína.

— Certo… tchau… Te vejo amanhã cedo — disse, sorrindo.

Após alguns instantes de silêncio, Cris se virou. Mas, antes que pudesse dar um passo, Nelson agarrou a mão dele.

— Espera! — disse o nadador com um tom de urgência, olhando nos olhos de Cris. — Não vá. Não quero que você vá ainda. Não quero ficar sozinho hoje… Poderia… ficar comigo esta noite?

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