[PT] O Nadador e o Assistente 20

Aqui está mais um fofo cap de O nadador e o assistente.
Cris e Nelson chegam a marca de 20 caps. Quanto mais teremos?
Espero que gostem.

 

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O Nadador e o Assistente 20

— Jamais imaginaria — disse Nelson, surpreso.

— Sério? — perguntou Cris, sorrindo com a reação do nadador à informação, sem nunca tirar os olhos dele.

Nelson assentiu, olhando em volta.

— É. Eu sabia do parque aquático, mas não tinha ideia de que era da sua família também. Quão ricos você são? — perguntou ele, abaixando a voz.

— Não vou responder isso. — Cris riu. — Acho que foi meu tio quem sugeriu criar esse parque. Algo sobre gerar mais receitas pra a família e aumentar os negócios.

— Sério? — O nadador ergueu uma sobrancelha.

— Sim. Fizemos algumas piscinas internas com correntezas pra treinar os atletas de águas abertas. Porém, já que não usamos todo dia, abrimos pro público. As pessoas gostaram mesmo e uma coisa meio que levou a outra, agora temos isso.

Nelson fitou o parque aquático de novo. Eles podiam ver muitos tobogãs já do estacionamento, alguns tão altos que ele precisou erguer o pescoço um pouco para ver o topo, e outros tão longos que atravessavam o parque todo. É um jeito divertido de dar a volta no parque de uma vez só, pensou, sem se incomodar em esconder o sorriso.

O ingresso não é caro? — Fiquei fora das piscinas por tanto tempo. Não posso sair gastando esse dinheiro por nada… Mas viemos até aqui… e quero me divertir com ele… Ele abaixou a cabeça, pensando em sua situação financeira.

— Ei. — Cris caminhou e parou perante Nelson. O nadador sorriu ao olhar ele nos olhos. — Fui eu quem convidou. Fica por minha conta.

Nelson abriu a boca para protestar, mas um sorriso pequeno surgiu nos lábios. Ele não vai escutar nada que eu falar de qualquer jeito.

— Ok. Vou deixar que pague pra mim — disse, erguendo o queixo para fingir ser alguém importante.

— Você não combina com esse ar esnobe de gente importante — disse Cris, rindo e dando uma cotovelada brincalhona na barriga do nadador.

— Mas sou. O futuro da natação nacional. — Nelson riu enquanto parava a cotovelada.

— Você quis dizer o passado — respondeu Cris com um sorriso maldoso.

— Ai. Aproveita e joga sal na ferida. — Nelson colocou as duas mãos sobre o coração para fingir ter levado um tiro.

Enquanto trocaram palavras, ambos foram para a bilheteria e Nelson notou algo.

— Parecemos namorados — murmurou o que lhe veio à mente. Cris virou-se para ele com uma cara confusa. — Digo, você me levando em locais legais e até pagando por tudo.

— Não vejo nada de errado com isso — murmurou Cris, vermelho. Ele sorria e enrolava os longos cabelos com um dedo ao mesmo tempo. Aquela visão fez o coração de Nelson bater mais forte. — Mas não vou pagar por tudo isso.

— Quê? — perguntou Nelson.

Mas Cris não respondeu. Em vez disso, ele tirou sua carteira e mostrou a habilitação de motorista para a atendente da bilheteria. Após a mulher ver o nome, ela conferiu no computador. Um instante depois, assentiu e entregou dois ingressos ao nadador e três chaves para Cris.

— Viu? Não é exatamente pagar — disse, mostrando os ingressos para o nadador.

— Admito que foi arretado. Você parecia um VIP. — Nelson aceitou seu ingresso com uma expressão impressionada. — Qual é a da chave?

— Outro privilégio que vem com o nome — disse Cris, o sorriso dizendo que não iria estragar a surpresa.

Nelson não teve reação para aquela expressão. Um segundo depois, ele riu e seguiu seu assistente.

Enquanto passavam pelo portão, o sorriso de Nelson se transformou em espanto. A vista daquele ponto era diferente do estacionamento. Além dos tobogãs, ele conseguia ver cachoeiras, piscinas com ondas, a piscina gigante que circulava o parque, o futebol de sabão e várias outras atrações.

— Faz séculos que não venho aqui — disse Nelson, sorrindo como uma criança. — É completamente diferente da última vez.

— Eu jurava que a maioria dos atletas do clube vinham aqui uma vez por mês — disse Cris, apreciando a reação do nadador.

— Como assim?

— É que você pode usar isso aqui de graça uma vez por mês. Está no contrato — adicionou Cris quando Nelson inclinou a cabeça, confuso.

— Jura? — Nelson tentou lembrar de ter lido algo assim, mas nada vinha à mente.

— Mais uma vez, estou surpreso com quão denso vocês atletas podem ser quanto não tem nada a ver com competições. — Cris suspirou e balançou a cabeça de forma exagerada. Porém, quando algumas pessoas passaram por eles e riram, o assistente sorriu para o nadador e o puxou pela mão. — Vamos trocar de roupa!

Em vez de ir para o lado masculino do grande vestiário perto da entrada, Cris levou Nelson para um prédio menor atrás. O nadador parou ao ver a placa somente pessoal autorizado na parede, mas o assistente mal olhou para ela, destrancando a porta com uma das chaves.

— Ei, não tem problema? — perguntou Nelson, olhando para a placa ignorada. — Isso não vai dar ruim para nós depois?

— Você se preocupa muito às vezes. Pra sua informação, tem bem pouca gente mais autorizada do que eu aqui hoje — disse Cris, com uma expressão parecida a de um adulto ensinado algo óbvio para uma criança.

— Você adora se amostrar às vezes — murmurou Nelson que, apesar disso, sorriu.

— É bom pôr em uso, né? Que melhor hora do que pra animar você?

Ao ver o sorriso genuíno do assistente, Nelson corou e desviou o olhar, feliz que Cris não notou sua reação. Ele notou algo após entrarem no vestiário dos funcionários do parque aquático e começarem a trocar de roupa.

— Ei, por que não pudemos usar o vestiário normal? Não vejo motivo pra usar este aqui.

— Tem dois motivos. O principal é que seria um saco colocar isso no vestiário masculino — disse Cris casualmente.

Nelson terminou de se trocar, mas parou no instante em que percebeu que havia algo na voz do assistente. Ele se virou lentamente, mas, mesmo assim, não conseguiu impedir o rosto de ficar vermelho quando viu o maiô escolar japonês.

— Por que você está usando isso?

— Porque eu sou o Cris e adoro ver a reação dos outros quando olham um cara fofo usando maiô! — O assistente se inclinou de tanto rir.

Ele vai usar isso… após ontem? Agora que não vou conseguir parar de pensar nele… e naquela boca chupando meu… Só a ideia era o bastante para acordar algo lá embaixo. Ele balançou a cabeça, tentando ignorar a lembrança que surgiu. Porra! Ele sabia que eu reagiria assim! De repente, Nelson soube, mas precisava perguntar, só para confirmar.

— O segundo motivo é que você queria ver minha reação?

— Sim! — respondeu Cris com um sorriso sem vergonha. — Suas reações são hilárias, não dá pra controlar a vontade de te provocar só pra ver elas.

Ficando vermelho e com o coração batendo mais rápido, Nelson desviou o olhar.

— Que bom que tirar uma comigo lhe divirta— murmurou.

— Ah, qual é. Não fique assim — disse Cris, aproximando-se, ainda sorridente. — Eu me dei ao trabalho de pensar em algo pra tranquilizar você. Não mereço uma recompensazinha?

Recompensazinha? Você brinca comigo o tempo todo — reclamou Nelson, com o rosto mais vermelho ainda. Porém, ele suspirou e balançou a cabeça. — Quer saber? Foda-se. Vamos tranquilizar minha mente… de tudo

Com um grande sorriso satisfeito, Cris seguiu o nadador para fora do vestiário.

— Onde você quer ir primeiro?

— Que tal a piscina de ondas? — sugeriu Nelson, tentando manter a voz neutra.

— Rejeitado — disse Cris logo. — Você só quer nadar lá pra conseguir enfiar um treino leve.

— Você percebeu rápido. — Nelson mostrou um sorriso amarelo.

— Sugiro o tobogã, mas já que quero a bóia pra dois, você pode não curtir a ideia.

— Por que não?

— É que geralmente tenho segundas intenções pra querer ir lá. Tipo sentar nas parte de trás e abraçar um cara gostoso. Só que aí você sentiria meu colega te cutucando, e seria dureza. Literalmente — disse Cris com uma expressão séria, como se não fosse nada estranho para ele.

— Dureza? Nem vem! — gritou Nelson, tirando risadas do assistente. Vermelho, o nadador ignorou os olhares que ambos atraíam e virou-se. — Vamos na piscina com correnteza!

Depois de irem em quase todas as atrações do parque, os dois estavam exaustos. Nelson sugeriu a piscina com ondas de novo. Cris só aceitou depois de fazer o nadador prometer que não tentaria treinar.

— Ah, hoje foi bem divertido — disse Cris enquanto relaxavam na piscina. As ondas fabricadas vinham e iam, fazendo as boias subirem e descerem sem sair do lugar.

— Concordo — disse Nelson, usando sua mão para girar a boia languidamente. — Não acredito que eu não sabia que podia vir aqui uma vez ao mês de graça. Vou vir aqui sempre que não tiver uma competição.

— Lembre-se de me convidar na próxima.

— Pode deixar — disse Nelson, completamente relaxado. Ele fechou os olhos e respirou fundo, a mente caindo no sono.

— Ei. — A voz de Cris veio de um lugar distante.

O nadador tentou se forçar a escutar, mas era esforço demais.

— O que…? — Nelson conseguiu perguntar.

— Quando fomos no tobogã, você teve uma ereção também? De me abraçar por trás e tal…

— Eu…! — Quando Nelson percebeu o que o assistente perguntava, ele abriu os olhos e sentou na boia. — Você curte mesmo se divertir à minha custa?

— Não estou me divertindo à sua custa. Senti algo me cutucar na bunda o tempo todo, daí fiquei pensando — disse ele, fingindo que a pergunta era por pura curiosidade. Mas Nelson sabia que, por detrás daquela máscara, o assistente suprimia um sorriso malicioso.

Sem pensar, ele pegou a boia de Cris e virou.

O assistente afundou na água, mas, quando subiu de novo, tinha um sorriso no rosto. Agarrando a boia com ambas as mãos, ele virou-se para o nadador.

— Pra que isso? Está com medo em descobrir que ficou excitado em abraçar um cara com roupa de menina?

Nelson o encarou por um segundo. Em vez de responder, ele pulou na água, agarrou a boia de Cris e nadou para longe com as duas.

— Espera, me devolve. Não gosto dessa piscina. É funda demais — gritou ele, mas Nelson ignorou.

Mesmo segurando as duas boias, Cris não o alcançou, rindo dos pedidos de seu assistente. Ele só parou ao ouvir o sistema de som.

— Caros visitantes, o parque fechará em meia hora. Por favor, certifiquem-se de não esquecer seus pertences — repetiu duas vezes uma voz masculina pelos autofalantes.

Nelson virou-se para Cris e empurrou a boia de volta ao dono. O assistente pareceu muito aliviado em consegui-la de volta.

— Acho que devemos voltar.

— Pense outra vez… — Cris arfava, mas, mesmo assim, sorriu enquanto apontava para si.

— Isso não é abusar do próprio nome? — Nelson sorriu quando entendeu.

— Você está amando isso e eu sei. Poucas pessoas não curtem serem VIP por um dia.

Enquanto falavam, as ondas ficavam mais fracas até pararem por completo. Se não fosse pelo fundo inclinado, a piscina de ondas seria como qualquer outra.

— Não é como se estivessem nos mandando embora? — disse Nelson, observando enquanto a maioria saía da piscina.

— É. Mas é preciso. — Cris voltou para a boia, fechando os olhos e aproveitando o resto de sol no horizonte. — Mas não estou afim de ir ainda…

Nelson olhou em volta. Uma família saíram da água e agora eles eram os únicos na piscina.

— Ei, Cris… qual o comprimento dessa piscina?

— Sei lá. Acho que uns 25 metros — respondeu ele, dando de ombros. — Lembro do meu tio dizer algo sobre querer treinar uns nadadores aqui também. Mas acho que a vovô rejeitou a ideia.

— Hum… interessante — murmurou Nelson, sem se importar em esconder o sorriso. O tamanho ideal.

— Não — disse Cris imediatamente, sentando-se. — Não vou deixar.

— Ah, qual é. Só uma volta, vai — pediu. — Me deixe nadar só uma vez. Estou me coçando pra nadar de verdade. Sabe quantos meses fiquei doido para entrar na água?

— Não ficamos um dia todo na água? Não tem como estar se coçando pra nadar.

— Por favor… Não fazer isso seria ruim para minha saúde mental.

— Na realidade, seria o contrário — disse Cris, olhando-o nos olhos, toda a alegria costumeira longe do rosto. Só havia o assistente agora. — A diferença do seu eu atual pro antigo é muito grande. A realidade disso será forte demais.

— Mas precisarei encarar essa realidade de todo jeito. Por que não agora, quando só estamos nós dois? Assim ninguém além de você vê meu rosto chocado. — Nelson nadou até o lado de Cris. — Por favor.

Cris corou e desviou o olhar. Nelson deu a volta para encará-lo de frente.

— Tudo bem. Droga, sou fraco contra gostosos com olhos pidões — murmurou ele.

— Isso! Valeu, Cris. Você é o melhor assistente que existe. — Nelson sorriu para Cris, quem corou mais um pouco.

Com certo arrependimento no rosto, Cris seguiu Nelson até a borda da piscina. O assistente saiu da água e organizou as coisas deles. Após pegar o celular, ele virou-se para o nadador, mordendo os lábios. Depois de alguns segundos, suspirou.

— Pronto?

Nelson sorriu para ele antes de encarar a água. Ele fechou os olhos, respirou fundo. Quando abriu, focou-se no outro lado.

— Sim.

— Três, dois, um… Vai! — gritou Cris e pressionou o celular, começando a contagem.

Nelson, ao mesmo tempo, pulou de volta na água. Esforçando-se para nadar o mais rápido que podia sem forçar seus músculos, ele moveu os braços e pernas. Senti falta disso. Nadar por nada é legal, mas isso aqui é o melhor que há! Ele foi até o outro lado e voltou.

— Como foi? — perguntou no instante em que tirou a cabeça da água. A respiração estava irregular, mas ele ainda sorria quando olhou para Cris.

O assistente, porém, não olhou para ele. Continuou quieto e mordendo os lábios, com os olhos fixos no celular.

O nadador soube logo que havia algo errado. Ele forçou o sorriso e soltou uma risada fraca, coçando a cabeça.

— Foi tão ruim assim, hein?

— Lembre-se que você acabou de receber alta. Não está na melhor das formas… — Cris segurou o telefone mais perto, para ter certeza de que Nelson não veria a tela. Mas aquilo só piorou as coisas. — Ainda precisa recuperar seus músculos antes de poder nadar pra valer.

— É pior do que imaginei, né? — O nadador fingiu levar na boa, mas a curiosidade o devorava por dentro. — Ah, bem. É esperado. Me deixa ver.

Respirando fundo e fechando os olhos, Cris virou a tela para ele.

Apesar de estar na água, Nelson sentiu o corpo todo ficar gelado. Ele encarou o número com sua mente ficando vazia. Ele respirou e inspirou lentamente, tentando digerir aquilo.

Ele não estava só mais lento. Estava 12 vezes mais lento que seu pior tempo antes do acidente.

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