[PT] O nadador e o assistente 5

Trazendo a dose semanal de Cris e Nelson. Esse cap é o último do mês, mas o primeiro do segundo dia da história. Espero que gostem

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O Nadador e o Assistente 5

Nelson acordou antes do alarme tocar. Embora não tivesse pregado o olho, não estava cansado. O nadador simplesmente deitou na cama, fitando o teto, sua mente em branco enquanto esperava.

Ele não fazia ideia de que horas eram, mas sabia que a manhã chegava. Pela cortina fina, ele podia ver o céu escuro clareando mais e mais a cada segundo. Ainda assim, ficou na cama e fechou os olhos esperando pelo alarme.

No instante em que o celular tocou, suas mãos voaram para desligá-lo. Agora ele sabia a hora exata. Eram 5:30 da manhã. Embora devesse ser um dia especial, não se parecia com um. Na verdade, é mais como se fosse um dia qualquer, pensou enquanto olhava para suas roupas de malhação, colocadas em sua mesa na noite anterior.

Antes do acidente, eu costumava acordar nessa hora para os exercícios da manhã antes do café, lembrou Nelson com um sorriso triste. O quanto eu corria naquela época? Dez quilômetros? Ele mal se lembrava mais. Depois do doutor disse que eu podia fazer um treino simples, mal consigo correr dois quilômetros agora.

Ainda com esses sentimentos, Nelson se levantou da cama e pegou os shorts, camisa, roupa íntima, meias e sapatos. Apesar de usar todo dia, por mais leve e pequeno que o treino fosse, as roupas estavam limpas e bem conservadas. Embora faz muito tempo desde que usei, comparando com a sunga de natação, parecem novinhas, pensou com uma risada fraca.

Soltando ar pela boca, Nelson trocou de roupa. Pronto, ele olhou o reflexo no espelho. Pareço o mesmo, mas prefiro a sunga, admitiu com um sorriso.

Como ele estava fazendo pelas últimas semanas, se aqueceu um pouco. Não tem dor, notou enquanto se alongava um pouco. Não sentira dor faz um tempo, mas Nelson sempre ficava preocupado. No fundo de sua mente, a dor podia voltar a qualquer instante e então tudo iria seria perdido.

De repente, ele soltou uma risada fraca e fria. Desde quando fiquei tão pessimista? Mas hoje é diferente. O exame vai provar… Sim, estou curado. Estou curado. Estou curado, disse para si mesmo várias vezes. Estou bem e posso voltar para a água…

Mas e se não estiver? Da última vez foi a mesma coisa. Não teve dor, mas o exame mostrou que os músculos ainda não se recuperaram… Dessa vez pode ser o mesmo. A ressonância pode mostrar que ainda não me recuperei. Sentou na cama, enterrando o rosto nas mãos. Se eu não puder voltar pras piscinas, se não puder nadar… não tenho nada… sou um nada…

Uma batida fraca na porta seguido de mais três trouxe a mente de Nelson de volta. Ele respirou lentamente até que seu coração voltasse ao normal, limpou o suor da testa e virou para a porta. Quem poderia ser tão cedo? A única pessoa idiota o bastante pra bater tão cedo é o Marcelo, mas não tem como ele já estar acordado, pensou enquanto caminhava até a porta. Ele olhou pelo olho mágico, mas só viu a escuridão. Preocupado, abriu a porta um pouco.

Pela pequena abertura, Nelson se viu olhando para um Cris bocejante. Mas, no instante que o assistente viu o nadador, seu bocejo se transformou em um sorriso animado.

— Bom dia!

Nelson não fazia ideia de como reagir. Ele ficou de boca aberta por um momento, olhando para Cris, quem não diminuiu em nada o sorriso. Antes que notasse, Nelson sorriu também e soltou uma risada.

— O que está fazendo aqui? — perguntou, abrindo a porta por completo.

— Bem, não sou de sair por aí fofocando segredos, já que eu tinha um bem grande por um tempo — disse Cris, com o sorriso ficando maldoso por um segundo —, mas alguém me contou que você acorda essa hora pra correr. E esse mesmo alguém me disse que você podia exagerar hoje, por isso estou aqui pra ficar de olho em você.

Nelson olhou para Cris por um momento.

— Marcelo — disse com um suspiro. — Ele nunca sabe manter a boca calada.

— Hum, isso é inesperado. Você parece bravo. — Cris diminuiu a distância e olhou nos olhos de Nelson com uma expressão triste. — Estou aqui pela pura bondade do meu coração — disse com a voz preocupada.

O nadador notou na hora que ele estava fingindo, mas decidiu manter a farsa.

— Pois bem. Da bondade do meu coração, eu o agradeço — disse, colocando a mão no peito e abaixando a cabeça. Ele tentou manter uma expressão serena, mas, quando olhou de volta para Cris e viu o sorriso do assistente aumentar, Nelson não pode se conter e riu. — Não tem como ficar bravo com alguém preocupado comigo.

— Eba. Então meu trabalho está pronto, já que vim aqui animá-lo! — Cris disse, fazendo um sinal de V com os dedos das duas mãos.

— Valeu. Nunca tive um assistente que acordaria tão cedo pra fazer isso por mim.

— Sou um pouco diferente dos outros. Você vai descobrir isso com o tempo.

— É mesmo? Diferente em que aspecto?

— Pra começo de conversa, sou um assistente em tempo integral.

— Sério? Nunca vi ninguém fazendo isso em tempo integral. Esse trabalho é mais como um trabalho temporário pro pessoal conseguir experiência e referências?

— Sim… — Pela primeira vez, o sorriso de Cris diminuiu enquanto ele olhava para o chão. — Não me orgulho disso, mas sou praticamente a ovelha negra da família, por pra tirar eles um pouco do meu pé, isso é um trabalho em tempo integral para mim…

Ele olhou para o chão e ficou quieto. Nelson olhou para ele em silêncio também.

— Não sabia disso — disse, após um tempo. — Mas significa que tenho você o dia todo, né?

Cris ergueu a cabeça e seu rosto se iluminou com um sorriso.

— Exato! Vou ficar em todo em cima de você!

— Então você vai correr comigo toda manhã?

Ainda sorrindo, Cris desviou os olhos.

— Não peça o impossível… Hoje é a oferta de uma vida. Sabe, já que começamos hoje e tudo mais…

Nelson riu.

— Então vou aceitar essa oportunidade única na vida. Vamos. — Ele saiu do quarto e trancou a porta. Enquanto caminhavam pelo corredor lado a lado, Cris ficou olhando para ele enquanto caminhava perto de Nelson. — O que foi?

— Nada… é só que você fica bem nessas roupas, mas fica mais gostoso, digo, melhor na de natação. Combina mais com você. — Havia um sorriso malicioso nos lábios do garoto.

Nelson ficou sem reação por um momento e então riu.

— Agora sim você se parece com minha última assistente.

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Até quinta que vem

 

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