[PT] Meus olhos 5

Como prometido, saindo o segundo cap de Meus olhos desse mês. Mesmo sendo no último dia, ainda conta =D

Esse cap não recomendo para menores de 16 anos. Espero que gostem

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Meus Olhos Enxergam 5

— Não tenho certeza quanto a isso… — A voz de Eliza sumiu enquanto ela evitava o olhar de Bianca.

— Mas eu tenho. É uma ótima ideia. Mais uma, modéstia parte— disse a ruiva com um sorriso convencido. Ela olhou para Eliza com as sobrancelhas levantadas. Quando a garota suspirou em derrota, Bianca tirou o celular do bolso. — Ele ainda está na sala?

Eliza focou seus olhos e viu o garoto falando com seus amigos na sala dele.

— É, ainda tá lá — disse, pressionando os lábios. O sorriso da ruiva aumentou. — Ei, vamos deixar para depois. Não acho que estou preparada ainda.

Bianca tirou os olhos do celular e virou-se para Eliza. Ela se aproximou e sentou na cadeira ao lado da garota.

— Por que você está sendo tão do contra?

— É… mais invasão a privacidade alheia do que eu gostaria — disse, evitando o olhar de Bianca de novo. — Me… me sinto entrando em território pervertido…

— Está falando isso agora? Depois de tudo que já viu? — Bianca riu. Eliza corou e ficou de boca calada; não conseguia pensar em uma resposta. A ruiva colocou uma mão na maçã do rosto dela e suspirou. — Mas me entristece. Você está mentindo para mim neste exato instante.

— Não, eu… eu… — Eliza mordeu o lábio.

— Já sei. Está com medo de decepcionar a grandiosa Bianca aqui, certo?

— Como se eu me importasse pra isso. — O sorriso nos lábios dela irritou Eliza.

— Não precisa se preocupar! Você se esforçou muito a semana toda pro dia de hoje. — A ruiva ignorou Eliza, encarando-a nos olhos. — Podemos praticar um pouco mais… mas você disse que me quer mais… — Bianca se abraçou e desviou o olhar, o rosto vermelho.

— É porque você fica dizendo coisas estranhas! — Enquanto Eliza corava, Bianca nem sequer tentava esconder a risada. Um dia vou fazê-la pagar por toda essa provocação. Aí vamos ver quem vai rir, pensou. Enquanto assistia a ruiva, as memórias retornavam à garota, apesar do quanto tentava esquecê-las.

Um dia, quando estavam juntas após a aula, Bianca teve a ideia de treinar Eliza. Segundo ela, só os olhos já eram úteis, mas se ela melhorasse em alguns aspectos, poderia usar seus poderes de maneira bem mais interessante, pelo que a ruiva dissera.

— Melhorar como? — perguntou Eliza, abaixando o livro que Bianca recomendara e tornando sua atenção na direção da ruiva.

A ruiva tinha um sorriso malicioso nos lábios quando contou sua ideia. Após um instante de consideração, Eliza assentiu, também sorrindo.

Entretanto, aprender como ler lábios era muito mais difícil do que imaginaram. Embora Eliza se esforçasse, não havia um progresso promissor. Após ler artigos e ver vídeos na internet, ela tentou com pessoas aleatórias, mas era difícil confirmar se realmente falavam o que ela lia.

Após muitas tentativas frustradas, a garota desistiu e concordou com a ideia de Bianca de treinar com ela. Para a irritação da ruiva, Eliza evitara aquilo desde o começo por dois motivos. Mesmo se praticassem, já que se conheciam, era mais fácil saber o que uma diria e não seria tão útil. O outro motivo, porém, era porque Eliza acreditava firmemente que Bianca encontraria uma forma de provocá-la. Depois da primeira prática, ela estava certa.

De início, não havia nada errado. Bianca fez sua parte, falando coisas lentamente e usando a mão para cobrir a boca, de forma que Eliza pudesse tentar ler. Mas, como sempre, a ruiva, se divertia demais e começou a provocá-la. Dizendo aquelas coisas embaraçosas.

Quantos anos você tem?”, “onde você mora?”, “qual é meu nome?” e outras perguntas do gênero. Depois de Eliza responder todas corretamente em voz alta, Bianca começou a dizer “já beijou uma garota antes?”, “o que você usa para sentir prazer?”, “já se tocou pensando em mim?”, “Você ficou olhando quando me masturbava aquela noite?”, “eu estava pensando em você, sabia?”, “sou vermelha lá embaixo também?”, e outras perguntas do tipo.

Com as bochechas queimando, Eliza tentou conter a vergonha e repetir as perguntas. Embora sua voz falhasse algumas vezes, conseguiu dizer tudo, para o desapontamento de Bianca. Eu sabia que ela faria isso. Sabia… se eu mostrar qualquer reação, vou estar na palma dela, Eliza disse para si.

Mas, conforme as perguntas ficavam cada vez mais embaraçosas, a garota chegou ao limite. Quando Bianca quis respostas para suas perguntas, foi o fim para a garota.

— Sem chance de eu responder — gritou Eliza, evitando a ruiva, que não conseguia mais conter o riso.

A garota balançou a cabeça para esquecer daquilo. Bianca colocou uma mão no queixo e forçou Eliza a olhá-la nos olhos.

— Brincadeiras à parte, você precisa ter mais confiança em você mesma. Se for difícil demais, acredite em mim que acredita em você.

Havia um sorriso nos lábios dela, sem malícia ou qualquer outro sentido.

— Tá bom — Eliza disse, evitando seus olhos, as bochechas com uma tonalidade avermelhada. Era difícil lidar com a provocação de Bianca, mas mais difícil era lidar com a honestidade dela. — Vou tentar.

— Tentativa não há — disse Bianca, sorrindo de olhos arregalados do nada. A falta de reação de Eliza fez o sorriso da ruiva diminuir, mas quando balançou a cabeça, ela voltou ao habitual no segundo seguinte. —Pronta?

— Não. — Apesar de dizer isso, Eliza fechou os olhos e respirou fundo. Quando o corpo relaxou, ela os abriu e se focou. As paredes, escadas, janelas e árvores sumiram, e tudo que havia na visão da garota era o rapaz alto parado dentro de uma sala com seus amigos. — Estou vendo ele.

Bianca pressionou a tela e aproximou o celular do ouvido.

— Oi, priminho — disse, virando-se para Eliza. A garota suspirou e assentiu em retorno, focando-se na boca dele enquanto ele a movia. — Como foi o jogo ontem?

O primo começou a balançar os braços para os lados, as narinas dilatando. Nossa, ele parece muito irritado. Tenho certeza de que falar com a Bianca não vai ajudar em nada. Embora não pudesse ouvir sua voz, Eliza tentou ler os lábios e escreveu o melhor que podia. Não fazia ideia de que era tão cansativo se concentrar nos meus olhos e escrever ao mesmo tempo, pensou, esforçando-se para não piscar.

— Então é por isso que você estava tão irritado essa manhã — disse Bianca. Embora não prestasse atenção na ruiva, Eliza sentiu o tom de chacota. O garoto falou mais rápido, mas ela acompanhou todos os xingamentos que ele proferiu. — Qual é, não fique tão irritado. Sou uma de suas queridas priminhas.

No instante em que Eliza viu o garoto encerrando a ligação, respirou fundo e fechou os olhos, a tensão deixando o corpo.

— Realmente precisava provocar ele assim? — disse, quase rindo e quase suspirando enquanto esfregava os olhos. — Ele parecia irritado.

— Eu mal falei. Não é culpa minha que o time dele seja uma bosta — defendeu-se Bianca, fingindo estar ofendida, embora o sorriso no rosto não ajudasse.

— É a sua voz, sabe? Tem o poder de irritar pessoas com poucas palavras.

— Minha adorável voz, que alguns até disseram ser igual à de um anjo? — Eliza tentou pensar em uma represália, mas só pôde piscar em resposta. — Eles doem?

— Não muito — murmurou Eliza, desviando o olhar.

Bianca riu e parou de fingir estar brava, abraçando a garota com os olhos brilhantes.

— Então, o quanto você pegou?

Eliza aproximou o caderninho em suas mãos por reflexo. A expressão de Bianca aliviou-se enquanto esperava, sem tentar pegar o caderno uma vez sequer. Sob aqueles olhos verdes, a garota suspirou e abriu as mãos.

— Não foi tudo. É difícil me concentrar em ambas coisas de uma vez, tá ligada? — reclamou enquanto Bianca pegava o caderno.

— Nossa… — Os olhos da ruiva percorreram a página, queixo levemente caído. De repente, Eliza ficou nervosa e notou que prendia o fôlego. — Sua letra é horrível. — Foi a primeira coisa que a ruiva disse após um tempo.

Eliza piscou e depois riu contra a vontade.

— Cala a boca.

— Tenho que ser honesta, sabe? — disse, rindo. — Vejamos… treinador de merda, juiz filho da puta, merece morrer… o jogo foi comprado, o presidente precisa cair fora logo. — Bianca leu tudo em voz alta e então voltou-se para Eliza com um grande sorriso. — Isso aí, pegou quase tudo.

Eliza corou e desviou o olhar.

— Não fiquei feliz com isso — mentiu. Ao menos não quero que saiba disso, disse para si mesma. — Não curto olhar a privacidade dos outros.

Bianca cantarolou e seu sorriso ficou malicioso em um piscar de olhos. Ela sentou na cadeira próxima a Eliza de novo e se aproximou.

— Está dizendo que nunca espiou nossos colegas ou qualquer outra pessoa?

Eliza fez o seu melhor para manter o rosto sério. Ela não sabe, disse para si mesma. Só está me testando para ver se consegue qualquer reação. Ela já fez isso antes. Elas não se conheceram há muito tempo, mas a garota já notara como a ruiva funcionava. Ela também sabia da boa intuição de Bianca, e podia pegar qualquer mentira em uma velocidade incrível.

— Acho que a privacidade alheia é importante e tento respeitar o máximo que posso — disse Eliza, olhando nos olhos da garota.

Bianca se aproximou, tão perto que mais um pouco e os narizes se tocariam. Eliza não recuou.

— Você não ficou me olhando aquele dia? Minha privacidade foi invadida quando me viu nua e prestes a me masturbar — lembrou Eliza com um sussurro. — Eu disse que só podia pensar em você depois da ligação, mas foi mentira.

As bochechas de Eliza queimaram e ela se forçou para conseguir falar.

— Que… por que… eu… ah…

— Antes da ligação, eu já estava pensando em você. A tarde toda, eu pensava em como seria seu toque. Como seria tocar você. Qual era o gosto de seus lábios… mal pude ajudar minha mãe porque só tinha você em mente. — Ela pulou no colo de Eliza e envolveu seus braços no pescoço da menina, sua boca mais próxima do que jamais estivera. — Como vai se responsabilizar?

O rosto de Eliza ficou com uma tonalidade alarmante de vermelho, seu coração batendo cada vez mais rápido, tão alto que ela tinha certeza que Bianca podia escutar.

— Vou deixá-la em paz por hoje se me responder. Sei que você viu tudo. Portanto, me diga se sou vermelha lá embaixo ou não. — Bianca puxou a mão de Eliza gentilmente e a deslizou para baixo de sua barriga, em direção à saia da ruiva. — Se não responder, farei você checar.

Antes que entendesse o que acontecia, os olhos de Eliza foram para baixo, observando sua mão quase dentro da saia de Bianca. Do nada, seu poder se ativou sozinho e ela viu através do tecido, calcinha e debaixo dela de uma só vez. Sua visão ficou embaçada e a cabeça tonta.

— É! — gritou enquanto fechava os olhos. — É mais escuro que seu cabelo, mas é vermelho! — Eliza virou sua cabeça para o outro lado, sua respiração rápida e irregular.

— Eu sabia que estava olhando pra mim — disse ela, mais feliz do que nunca. Quando Eliza abriu os olhos, viu o sorriso da ruiva ficar malicioso. — Não quer conferir ao vivo?

Eliza percebeu que sua mão ainda estava na barriga de Bianca. Se ela fosse mais um pouquinho pra baixo, os dedos iriam para entre sua saia. Sua mente ficou em branco com essa ideia. Sua respiração desacelerou. Ela ergueu a cabeça. Tudo que viu foram os olhos da ruiva, os encantadores olhos esverdeados.

De repente, Eliza quis ver mais. Mais da ruiva e de todas as expressões que ela não conhecia. Qual seria a cara dela se eu aceitasse uma de suas provocações? Ela sempre brinca, mas duvido que espere que eu faça algo. A ideia cruzou sua mente, e antes que notasse, ela deslizou a mão um pouco mais para baixo, sem nunca tirar os olhos da ruiva.

Bianca arregalou os olhos, mas não tentou retirar a mão da garota. Os dedos de Eliza encontraram o que queriam e ela brincou com a ruiva, movendo seus dedos em volta, mas não adentrou. Bianca mordeu os lábios e prendeu a respiração. Seu rosto ficou vermelho e o corpo tremeu, mas ela não disse nada.

É erótico demais. Acho que ela fica melhor de bico fechado, pensou Eliza, deslizando um dedo para dentro, movendo-se lentamente. A respiração de Bianca ficou mais errática, a boca permaneceu aberta. Do nada, Eliza não pôde mais se controlar. Ela queria ver mais expressões da ruiva e colocou outro dedo dentro, movendo-se com mais força.

— Ah! — Bianca deixou escapar um gemido e então mordeu os lábios.

De repente, foi a respiração de Eliza que ficou errática. Mais… quero escutar mais sua adorável voz, Bianca, pensou Eliza, os dedos mexendo mais rápido.

Em algum momento, não importa o quanto tentasse, Bianca não conseguiu mais conter a voz e soltou um gemido enquanto a coxa de Eliza ficava molhada.

Com uma respiração rápida e suor descendo, a ruiva olhou Eliza com visão desfocada.

— Isso foi… muito… melhor… do que… eu… sonhei… — Conseguiu dizer e então se aproximou para beijar a garota.

Eliza devolveu o beijo, sua língua na boca da ruiva. Só quando se sentiu excitada que ela notou o que fazia. Parou o beijo e tirou a mão rápido, fazendo Bianca gemer um pouco mais.

— Tão brusca — disse ela, colocando a mão na bochecha vermelha. — Mas não me importo se for você.

— Não acredito que nós… o que eu… — Eliza teve dificuldade em formar uma frase, dificuldade em pensar. Ela virou-se para a ruiva, ainda sem fôlego e de rosto vermelho. — Eu não devia ter feito isso…

— Não… Deveria ter feito sim… — O rosto de Bianca começava a retomar a cor habitual. Um sorriso formou-se em seus lábios. Um sorriso cansado, porém satisfeito. — Isso e quem sabe mais.

A respiração de Eliza acelerou de novo enquanto fitava aqueles olhos verdes. Droga! Como essa garota pode ser tão linda! Ainda com a ânsia de tocar Bianca de novo, ela se forçou a levantar. Mas a ruiva, ainda sentada em seu colo, não a deixou.

— Levanta. — Ela conseguiu dizer, a voz seca.

— Eu vou. Quando conseguir — sussurrou Bianca no ouvido de Eliza. — Minhas pernas estão fracas do seu toque. Você é boa demais nisso. Já fez com outra garota?

— Quê? Não, não sou gay — disse Eliza, evitando contato visual com Bianca.

— Por que você é tão boa, então? — insistiu a ruiva, forçando Eliza a olhar para ela.

— Eu… ah… é assim que faço comigo — disse Eliza em voz baixa, vermelha.

— Precisa me mostrar de novo. E logo, por favor — sussurrou Bianca no ouvido da garota, envolvendo seus braços em volta do pescoço de Eliza.

Ela tentou se livrar da ruiva, mas não tinha forças restando.

— Não podemos fazer isso de novo.

— Por que não?

— Porque não sou gay. E você também não é. — Enquanto Eliza sentia a respiração de Bianca no pescoço, ela notava que a sala ficara quente demais. Estava tão quente assim o tempo todo?

— Você diz isso mesmo depois de tudo que fiz e disse? — Bianca se inclinou e sussurrou, então mordiscou a orelha de Eliza.

A mente de Eliza ficou vazia de novo. Preciso de tempo pra acertar as coisas na minha cabeça, pensou.

— V-v-você precisa… parar de me provocar assim… senão vou parar de sair com você, e não volto nem se começar a me chantagear por causa dos meus poderes — mentiu.

Bianca tremeu. Um pequeno tremor, mas Eliza sentiu. A ruiva inclinou-se para trás e olhou nos olhos da garota.

— Eu disse que nunca faria isso. Não vou trair alguém importante pra mim… Mas não posso parar de provocá-la. Simplesmente amo demais ver suas expressões. É tudo que posso ver em meus sonhos.

— Então…

— Sei que não vai parar de sair comigo.

Eliza sentiu um alívio com essas palavras, mas ela nunca deixou seus sentimentos transparecerem.

— Como pode ser tão confiante quanto a isso?

— Porque os dias saindo comigo são bem mais divertidos e interessantes do que os dias solitários que você tinha. Você mesma disse — ela respondeu.

Eliza abriu a boca, mas quando som algum saiu, ela a fechou e desviou o olhar. Droga… ela sabe, percebeu.

— Mas se insiste, vou baixar o tom um pouco. Não quero deixá-la tão desconfortável — disse Bianca, sorrindo. — Por enquanto.

Eliza suspirou e voltou-se para ela com um sorriso cansado.

— Até quando?

— Até você ser toda minha — sussurrou ela no ouvido de Eliza.

Enquanto Eliza engolia em seco, Bianca ria.

Droga… Vou acabar me apaixonando por essa garota, pensou Eliza, tentando suprimir seu sorriso.

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Espero que tenham gostado. Infelizmente não terá cap mês que vem (agradeçam meus professores por isso, rsrsrsrs)
Mas em Junho tem mais.
Até lá =D

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