[PT] T&T 8!

Como foi dito, a partir de agora Tsukiko-chan e Taiyou-kun será mensal. E infelizmente não teremos capítulo mês que vem. Mas não se desesperem. Em Junho tudo volta ao normal.

Espero que gostem desse capítulo

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Tsukiko-chan e Taiyou-kun 8

— Duas horas! Duas malditas horas, Tsukiko!

Quando Taiyou reconheceu a voz que vinha do elevador, ele parou no meio do corredor. As portas se abriram com um ding e ele viu duas garotas que conhecia; uma rindo e a outra bufando.

— Ah, vai. Não diga isso — disse Tsukiko enquanto saía do elevador. Mesmo daquela distância, o garoto sabia que o sorriso no rosto dela era forçado. — Admita. Foi divertido, não foi?

Yui-san encarou a garota.

— Ah, muito. Me diverti tanto vendo você escolher um maldito porta-retratos por duas horas. Melhores momentos da minha vida. Vou guardar essa memória pra sempre — disse, pressionando as têmporas.

— Ah, qual é, não foi tão ruim. — Tsukiko soltou uma risada nervosa. — Agora vamos guardar isso lá em casa e comer algo. Estou faminta.

— Ah, sério? Por que será? — disse Yui-san com todo o sarcasmo que tinha.

Tsukiko soltou outra risada desconfortável e evitou o olhar da amiga. Enquanto olhava para todo lugar, menos para Yui-san, ela percebeu o garoto parado no meio do corredor, observando as duas, e seu rosto se alegrou com um sorriso.

— Taiyou-kun! — gritou ela e correu até o garoto enquanto sua amiga erguia o olhar.

— Por que vocês estão brigando? — perguntou ele antes que ela pudesse dizer algo.

— Ah, aquilo? — Tsukiko balançou a mão com as compras o melhor que pôde e riu. — Não estamos. A Yui só está um pouco irritada porque…

— Irritada não, com raiva. E não é só um pouco — interrompeu Yui-san, quando alcançou os dois. — Escuta só, Taiyou. Gastamos duas horas pra que essa menina comprasse uma porcaria de um porta-retratos. Tudo porque ela precisava “da moldura perfeita pra foto perfeita”!

Enquanto as duas começaram a discutir, a curiosidade de Taiyou foi maior.

— Qual foto?

Tsukiko tirou o celular do bolso. Depois de um segundo, ela mostrou a tela ao garoto com um grande sorriso.

— Essa aqui!

Quando Taiyou viu a foto, arregalou os olhos, o seu rosto inteiro com uma tonalidade alarmante de vermelho.

— É do…

— Sim! — respondeu ela, antes que ele fizesse a pergunta. Ela olhou para tela de novo, o sorriso nos lábios ficando gentil. — Aquele hanami foi o melhor dia de todos.

— Foi sim… — Taiyou se esforçou para não olhar na direção de Tsukiko, mas foi difícil. Antes que notasse, se pegou olhando para a garota, e as memórias surgiram contra sua vontade, deixando seu rosto mais quente. — Então, o que vocês vão fazer agora? — adicionou rápido, antes que ela notasse suas bochechas. Se ela notar e perguntar o porquê, não vou conseguir esconder mais…

— Vamos deixar as compras lá na casa dessa daí e almoçar, por fim — disse Yui-san, a voz cansada.

— Você acabou de voltar da aula, né? Ainda não comeu, né? — Os olhos Tsukiko brilharam enquanto olhava para ele, cheia de expectativa. Quando o garoto balançou a cabeça, o sorriso dela aumentou. — Então almoça com a gente! — Taiyou não tinha como recusar diante daquele olhar e sorriso.

— Ótimo. Agora que está arranjado — disse Yui-san, com a voz sem emoção. Ela voltou-se para Tsukiko e empurrou as sacolas para garota. — Guarda isso logo e vamos. — Enquanto Tsukiko corria para a porta e a destrancava, Yui-san massageou os pulsos.

Com o rosto ainda quente, Taiyou virou-se para a garota e fez uma pequena mesura.

— Sendo assim, vou deixar isso em casa — disse ele, mostrando a bolsa escolar em suas mãos. Ele virou-se e caminhou até a porta, mas antes que desse três passos, uma mão agarrou seu colarinho.

— Calma lá. — Yui-san o puxou de volta e forçou a olhá-la no rosto. Os olhos dela brilhavam como os de Tsukiko e, só com essas palavras, Taiyou notou que a voz dela transbordava de curiosidade. — Ei, Taiyou-kun, por que ficou com tanta vergonha com aquela foto? E até mudou de assunto tão rápido… Será que estaria, não sei, tentando esconder algo da Tsukiko?

Taiyou tentou manter o rosto com uma expressão vazia, mas sabia que falhara enquanto as memórias não paravam de surgir. Não só as bochechas dele que ficaram vermelhas, ele viu os olhos dela brilhando ainda mais. Isso é ruim, pensou o garoto. Embora tivesse encontrado a garota algumas vezes, sabia que, quando ela ficava interessada em algo, iria atrás daquilo sem descansar, segundo Tsukiko. Agora sei por que elas são melhores amigas.

— Não foi… nada. Só… algo… que aconteceu aquele dia… — A voz dele foi sumindo. Droga… preciso pensar numa desculpa, pensou enquanto a garota cantarolava.

— Se disser que é algo embaraçoso, só vai me deixar mais curiosa. — A garota estreitou os olhos. — Mas posso ver que você não vai me contar, então melhor perguntar pra Tsukiko logo.

— Espera… — Taiyou arregalou os olhos e agarrou as mangas da garota antes que notasse. Tsukiko não pode saber… O rosto ficou com uma tonalidade alarmante de vermelho. — Ela… ela não lembra, mas se lembrar, não vou conseguir olhá-la nos olhos de novo.

Yui-san mostrou um sorriso malicioso. Parece o da Tsukiko, mas não é tão bonito, pensou ele.

— Você só está me deixando mais e mais curiosa — disse ela, abaixando a cabeça para olhá-lo bem nos olhos. — Se não quer que eu pergunte pra ela, me diga.

Taiyou suspirou em derrota e abaixou o olhar. Não havia jeito além de contar à garota o que aconteceu no dia da foto.

***

— Ei, Taiyou-kun. — Com as bochechas um pouco rosadas, Tsukiko rodopiou devagar com os braços abertos, mostrando todos os lado da yukata roxa escura que vestia. — Que tal?

Antes que o garoto notasse, seu rosto ficou vermelho.

— Você está bonita — ele conseguiu murmurar. Embora estivesse envergonhado demais para olhar a garota, ao mesmo tempo, não conseguia tirar os olhos dela.

Por mais que estivesse ciente, depois que seus amigos conheceram Tsukiko e eles disseram que ele tinha sorte por possuir uma garota tão bonita como vizinha, Taiyou não conseguia parar de pensar no quão bonita Tsukiko era sempre que estavam próximos. Depois disso, ficou difícil passar tempo com ela da forma que faziam durante o recesso, especialmente no quarto dela.

Agora que já se acostumara à sensação, ele conseguia impedir o rosto de corar. Mas, volta e meia, Tsukiko conseguia pegá-lo desprevenido e surpreendê-lo, mostrando-se ainda mais bela. Agora mesmo, com a yukata e cabelo curto amarrado em um coque, ele podia sentir o rosto queimar.

— Sério? Valeu! — O sorriso que ela mostrou o fez corar ainda mais. — E você? Cadê a sua yukata?

— A antiga estava pequena demais — disse a tia do garoto, saindo do banheiro, também de yukata. — E ele não quer alugar uma.

Tsukiko se voltou para ele e fez um muxoxo com voz fofa:

— Por que não? Quero ver você com uma. — Ela se aproximou e segurou as duas mãos dele, fitando-o nos olhos. — Por favor?

Perto demais, pensou ele, a expressão dela e toque fazendo seu coração bater mais rápido. Ele evitou os olhos dela e tirou suas mãos de alcance, envergonhado demais para encontrar as palavras. Tsukiko continuou olhando para ele, esperando por uma resposta. Para sua sorte, sua mãe saiu do quarto na mesma hora.

— Você está adorável, Tsukiko-chan — disse Shigure, com um sorriso.

— Obrigada! — A garota finalmente tirou os olhos dele e Taiyou suspirou, aliviado.

— Como todos estão aqui, melhor irmos. Tenho certeza de que a Sawako já está bebendo lá — disse Rin-nee, levando Aika-chan pela mão.

— Espera um pouco, Rin. — A mãe dele caminhou até sua irmã e arrumou o obi da yukata.

— Mana… — Rin-nee corou enquanto todos a fitavam. — Pare de me tratar como quando éramos crianças.

— Impossível, maninha. Porque não importa o quão velha formos, você sempre será minha irmãzinha — disse ela, com um sorriso, e todos, menos a Rin-nee, riram.

Procurar pela Sawako-sensei no parque lotado não foi fácil. Por mais que mal passasse da hora do almoço, muitas pessoas já estavam bêbadas. Eles bebiam, comiam, cantavam, dançavam e conversavam com as pétalas de cerejeira caindo. Quando Taiyou ergueu seu olhar e viu Tsukiko sorrindo, ele não conteve seu próprio sorriso.

Agora que penso nisso, eu costumava ir ver as flores com meus amigos, mas essa é a primeira vez que vou com uma garota… A ideia o deixou um pouco vermelho e ele desviou o olhar. No instante seguinte, Taiyou sentiu uma mão o segurando e ergueu o olhar.

— Para que não nos separemos — disse ela. Seu sorriso fez o coração dele bater mais rápido, mas ele não soltou a mão dela.

— Estava esperando por vocês. — Eles encontraram a Sawako-sensei sentada de modo digno em um lençol debaixo da árvore. Com a yukata vermelha e cabelo preso, Taiyou nunca vira a professora de matemática tão elegante. Isso é estranho, pensou ele. A sensação só piorou quando ela colocou duas mãos no chão e abaixou a cabeça, mostrando a eles um sorriso sereno. — Humildemente agradeço por darem a graça de vossa presença.

Ninguém disse qualquer coisa enquanto trocavam olhares. A primeira a quebrar o silêncio foi Rin-nee.

— Sawako! Você prometeu nos esperar antes de começar a beber — reclamou, sentando perante a mulher com Aika-chan nos braços.

— Esta não quebrou a promessa. Ao menos tu deverias acreditar nessas que vos fala. — Sawako-sensei fez uma mesura para Rin-nee e pegou uma caixa com comida e bolsa atrás de si. Com movimentos delicados, ela desfez o embrulho da caixa e tirou uma garrafa de porcelana da bolsa. Ainda com o sorriso sereno, ela pegou a garrafa com a mão direita, colocou a esquerda no fundo, levou a garrafa boca e a virou toda, bebendo o saquê em um gole só. — Agora o hanami pode começar!

Rin-nee se virou para Aika-chan e levou uma mão ao rosto, fingindo limpar as lágrimas.

— Não veja isso, Aika-chan.

— Tudo bem. A mamãe bebe muito. — A criança sorriu e acariciou mulher nas costas.

— Rin! — Sawako-sensei colocou a garrafa no chão e pegou Aika-chan, abraçando-a. — Não me faça de mau exemplo na frente da minha filha!

— Desculpe, Sawako. — Rin-nee parou de fingir chorar e parecia surpresa. Depois, ficou séria. — Não tenho o poder para alterar a realidade.

Tsukiko, Taiyou-kun e até a mãe dele riram. A professora de matemática mordeu os lábios, as maçãs do rosto tomaram uma tonalidade avermelhada.

— Jura? Eu tinha certeza de que você conseguia. — A professora mostrou um sorriso triunfante. — Digo, você vem tentando apagar algumas coisas do passado. Como aquela vez em que mijou nas calças durante uma trovoada quando era criança.

Rin-nee ficou vermelha por um momento, mas conseguiu controlar as emoções. Depois de um segundo, ela fechou os olhos, colocou uma mão na bochecha e suspirou.

— Só você para relembrar desse momento embaraçoso e usar de vingança.

— Mamãe, não diga isso! — Aika-chan escapou dos braços da mãe. A garotinha fez beicinho para a Sawako-sensei e depois abraçou a Rin-nee.

— Obrigada, Aika-chan. Espero que você não cresça como a sua mãe.

— Não vou — disse a garotinha, com um sorriso angelical.

Et tu, minha filha? — Sawako-sensei cerrou os dentes. Respirando fundo, ela abriu a bolsa e tirou outra garrafa de saquê. — Sabe de uma coisa? Não vou deixar as duas arruinarem este belo dia — disse ela e bebeu a garrafa toda.

Rin-nee não aguentou mais e riu. Depois de parar, ela suspirou e negou com a cabeça.

— Que deselegante… E se seus alunos a vissem assim? — disse ela, então pegou o celular de sua pequena sacola de seda e tirou uma foto.

Sawako-sensei tentou pegar o telefone, mas ela não só acabou engasgando com o saquê, suas pernas não se mexiam como ela queria depois sentar sobre elas por tanto tempo. Ela não pôde fazer nada enquanto Rin-nee passava o celular para Aika-chan, que correu para longe da mãe.

Rindo da cena, Tsukiko, Taiyou e a mãe dele sentaram no lençol com o trio.

— Ara, ara. Não posso acreditar que está fazendo isso, Rin. — Shigure cobriu metade do rosto com a manga da yukata, mas todos sabiam que a mulher tinha um sorriso diabólico atrás do tecido. — Você não fez algo bem pior no casamento do seu amigo? E a Sawako-chan cuidou de você a noite toda, já que eu não aguentava aquela sua conversa de bêbado mais.

— Há! Isso mesmo! Eu tinha me esquecido disso! — Com as bochechas vermelhas de vergonha e devido ao álcool, a professora de matemática apontou o dedo para Rin-nee. — Obrigada por me lembrar, Shigure-nee!

Taiyou, Tsukiko, Aika-chan e Shigure riram enquanto Rin-nee corava. Dessa vez, a médica não pôde impedir que as bochechas ficassem vermelhas.

— Mana! Por que você tinha que lembrar disso? — Rin-nee encarou a irmã, mas não tinha mais o que dizer. Segundo a avó de Taiyou, desde que eram crianças, não importa o quanto tentasse, Rin-nee não conseguia superar a mãe nessa área.

— Você está implicando demais com a Sawako-chan pra alguém que fez a mesma coisa. — Shigure balançou a cabeça lentamente. Quando Sawako-sensei a abraçou, ela acariciou a mulher na cabeça.

— Obrigada, Shigure-nee! Eu sabia que podia contar com você.

— Sempre que minha irmãzinha te der trabalho, venha falar comigo— disse ela, sorrindo. — Tenho muitas memórias vergonhosas do passado da Rin pra compartilhar…

Até com todos rindo, Rin-nee conseguiu suportar, mas o golpe final foi quando Aika-chan fez um carinho em sua cabeça com um olhar de pena. A mulher não aguentou mais e cobriu o rosto com as duas mãos.

— Não posso acreditar que minha própria irmã está contra mim.

— Não tem como eu ficar do seu lado se você continuar implicando com a Sawako-chan.

— Isso! Me conte mais segredos embaraçosos dela. — O rosto da Sawako-sensei ainda estava vermelho, mas seus olhos estavam ansiosos e cheios de curiosidade.

— Não, mana! Ninguém além da Sawako quer ouvir, né? — Rin-nee se virou para a Aika-chan, Tsukiko e Taiyou.

— Eu quero ouvir — disse Tsukiko, rindo.

— Eu também! — disse Aika-chan.

— Até vocês duas? — Rin-nee pressionou os lábios e acabou olhando para Taiyou. Quando o garoto viu os olhos arregalados da tia, soube o que viria. — Achei que você ia preferir saber dos segredinhos do meu sobrinho, Tsukiko-chan…

A garota olhou para ele com um par de olhos brilhantes iguais aos da Sawako-sensei, sua boca aberta formando um sorriso.

— Sim, por favor! Me conta! Me conta!

— Espera! Por que você está me trazendo pra isso? — Taiyou desviou o olhar, sentindo-se quente sob os olhos da garota. A tia o encarou com uma expressão “era você ou eu”. Não havia arrependimento em seu rosto.

— Ah, vai. Deixa ela me contar alguns dos seus segredos. — Tsukiko o cutucou na bochecha com um dedo. — Só um, não, dois. Espera, sete. Isso, sete. Quero saber os sete mistérios do Taiyou-kun.

— Como você foi de um pra sete? — Droga… por que ela está tão bonita hoje? Taiyou olhou em volta, tentando encontrar alguma coisa para mudar o assunto. Quando não encontrou nada, ele voltou-se para Tsukiko e um sorriso triunfante surgiu em seus lábios. — Tudo bem. Se você me contar sete segredos seus.

— Geh… você só fala de troca equivalente recentemente… Eu não deveria ter te mostrado aquele anime — murmurou Tsukiko, desviando os olhos. Quando ela notou que a atenção voltara-se para si, ela corou. — Então o Taiyou-kun quer saber os segredos de uma dama. Não sei se poderei olhá-lo no rosto se você souber.

Droga! Ela me pegou, pensou ele, mas, por algum motivo, teve vontade sorrir, apesar disso.

— Ara, ara, meu filho mudou tanto — disse a mãe dele, colocando uma mão na bochecha e balançando a cabeça, um olhar preocupado no rosto. — Ele costumava ser tão gentil.

— Sei muito bem, mana — concordou Rin-nee. — Lembram-se quando a amiga dele vomitou na excursão escolar e ele tomou a culpa pra ninguém tirar uma com a menina?

— Sim. Lembro. Você era tão cavalheiro… E agora está chantageando uma jovem a contar seus segredos. — A mãe dele sorriu, sonhadora, enquanto o rosto de Taiyou queimava.

— Como você sabe da excursão? — Conseguiu perguntar em voz baixa, mas não pôde olhar qualquer uma delas nos olhos. Entretanto, ainda que não a visse, Taiyou podia sentir Tsukiko sorrindo ao lado dele.

— Sua professora me contou. Ela ficou tão orgulhosa de ter um cavalheiro na turma dela — disse Shigure.

— Mas ele não foi sempre tão legal e popular — adicionou Rin-nee com um sorriso malicioso. — Lembro de como ele chorou depois de marcar seu primeiro gol.

— O quê? Sério! — Tsukiko abraçou ele. — Deve ter sido tão fofo. Queria estar lá pra ver — lamentou-se.

— Foi sim. O gol vencedor e no final do jogo. Quando a bola atingiu a rede, ele simplesmente olhou pra ela com um rosto bobo, só pra depois chorar quando os amigos pularam nele… Eu tenho fotos, se quiser.

— Sim, por favor!

O rosto de Taiyou estava com uma tonalidade alarmante de vermelho enquanto ele abria a boca, mas já que não tinha o que dizer, fitou o chão com as risadas a sua volta. Quando ele sentiu uma mão acariciando-o nas costas, olhou para cima e viu a Sawako-sensei olhando para ele com um rosto simpático.

— Sei como é… Essas irmãs Fuyuzora são difícil de lidar. Não acabe como elas, por favor! — Ela balançou a cabeça e então puxou Taiyou para si. — Eu não fazia ideia do que estava me metendo… Tenho certeza de que os deuses vão me recompensar por isso.

No instante seguinte, Aika-chan veio e o acariciou na cabeça com um sorriso puro.

— Tudo bem. — O garoto não conteve sua risada e a vergonha sumiu um pouco.

— Ara, ara. Você diz isso, mas ama minha irmãzinha, Sawako-chan — disse a mãe dele, com um sorriso gentil que escondia suas verdadeiras intenções.

Sawako-sensei corou e desviou os olhos. Rin-nee rastejou pelo lençol, tirou Taiyou da professora e a abraçou.

— Eu também te amo, Sawako!

— Cala a boca — murmurou ela enquanto tentava se livrar da mulher.

— Vamos. Me dê um beijo.

— Pare… Que vergonha… — O rosto dela ficou muito vermelho enquanto empurrava Rin-nee para longe. — Achei que eu era a bêbada aqui!

Enquanto todos riam, Tsukiko descansou a cabeça no ombro de Taiyou.

— Isso é tão legal — disse, baixo para que só ele ouvisse.

— Meus segredos ou minha família louca? — Apesar de dizer aquilo, um sorriso se mostrou em seu rosto quando a garota riu.

— Ambos. Não faz ideia do quanto adoro ver você envergonhado… Mas só passar tempo com sua família é legal… — Ela levantou a cabeça do ombro dele e fitou-o com um grande sorriso. — Valeu por me convidar.

Taiyou não podia olhar para aquele sorriso sem corar, mas, ao mesmo tempo, não queria tirar seus olhos de Tsukiko. Quando ela o abraçou, sua mente ficou enevoada e ele devolveu o abraço, mas a voz de sua tia o trouxe de volta.

— Mana, cadê a comida? — Rin-nee parou de tentar beijar a Sawako-sensei e se acalmou abraçando a Aika-chan. — Estou faminta!

Shigure desenrolou as caixas de comida que preparou antes. Junto à comida que Sawako-sensei trouxe, eles tinham uma variedade de salgadinhos e bebidas para poderem aproveitar o dia de apreciação das flores.

— Mas não podemos comer ainda — disse, segurando a mão de Rin antes que a própria pegasse a comida.

— Hã? Por que não?

— Estamos esperando alguém. — Shigure levantou o pulso, conferiu o relógio e olhou em volta. — Ele deve chegar aqui logo… ah, chegou.

Todos olharam na mesma direção, mas ninguém se destacava no meio da multidão… até um homem de terno acenar para eles. Contra o sol, não era possível ver seu rosto, mas assim que se aproximou, Tsukiko arregalou os olhos e sorriu.

— Pai! — gritou e correu até o homem. Ela pulou e o abraçou antes que ele pudesse dizer algo. No segundo seguinte, ele riu e devolveu o abraço. — Você não tinha trabalho hoje?

— Tinha, mas consegui terminar cedo.

— Mas por que está aqui?

— Eu o convidei — disse Shigure. — Estou feliz que tenha conseguido vir, Aozora-san.

— Obrigado por me convidar — disse o pai de Tsukiko, fazendo uma mesura com a cabeça. — Desculpe pelo atraso, Fuyuzora-kun.

— Imagine. — Ela negou com a cabeça e sorriu. — Chegou na melhor parte do dia: a comida.

Segurando a mão de Tsukiko, ele caminhou até o grupo, fez outra mesura e sentou no lençol.

— Pode não ser muito, mas trouxe isso. — Ele tirou uma garrafa de saquê de uma sacola que carregava consigo.

— Saquê de Okinawa! — Sawako-sensei pegou a garrafa com ambas as mãos, como se fosse algo precioso. — Sabia que tinha um ótimo gosto. Essa é a melhor forma de apreciar o hanami.

— Foi algo que comprei na minha última viagem. Estou feliz de ter escolhido bem. Fiquei um pouco preocupado, já que soube que você ama saquê. — O homem riu.

— Ei, Shigure-nee, até você anda falando mal de mim? — Sawako-sensei virou-se para a mulher. Apesar de dizer aquilo, havia um sorriso em seu rosto enquanto abria a garrafa e servia quatro pessoas.

— Ara, ara. Claro que não. Digo, como seria falar mal se é a verdade? — Apesar de suas palavras, o sorriso gentil não deixara seu rosto enquanto aceitava sua bebida. Rin-nee riu enquanto Sawako-sensei corava.

— Ei, como vocês se conheceram? — perguntou Tsukiko, ainda sorrindo. Pela aparência dela, Taiyou sabia que ela queria saber, mas mal conseguia se conter.

O pai dela e a mãe de Taiyou trocaram olhares.

— Recentemente, a companhia dele fez vários negócios conosco — disse ela.

— E Fuyuzora-kun vem sendo de grande ajuda. Graças a você, as renovações do parque foram bem recebidas, especialmente as flores.

— Fico feliz em escutar isso.

— Chega disso, vocês dois — disse Rin-nee após terminar de beber. — É o Tetsuya-san que esperávamos, certo? Então vamos comer. Ainda estou faminta!

— Eu também — disse Aika-chan, encarando a comida com o dedo na boca.

— Claro, mas… — Shigure olhou para o pai de Tsukiko e Taiyou com uma mão no rosto.

— Não estou vestido para a ocasião, não é? — disse ele, olhando para seu terno. — Tem algum lugar para alugar yukata perto daqui?

— Logo ali na esquina — disse Tsukiko. — Posso levá-lo lá.

— Tudo bem — disse ele. Sua filha estava prestes a levantar quando ele colocou uma mão no ombro dela. — Aproveite o festival, Tsukiko. Já volto.

— Meu filho vai levá-lo lá — disse a mãe de Taiyou, e ele soube qual era o plano dela.

— Eu estou bem, mãe… — Sua voz sumiu sob o olhar dela. Embora sua mãe tivesse o sorriso gentil no rosto, ele sentiu a ameaça por detrás dele. O garoto engoliu em seco e desviou o olhar, mas, não importava para onde olhasse, todos ao seu redor tinham expectativas para com ele. Droga… Sou fraco contra elas, pensou, levantando-se de cabeça baixa.

Caminhar ao lado do pai de Tsukiko parecia estranho, e o silêncio só piorou isso. Ele continuava olhando para o homem, mas quando percebeu o que fazia, olhava para frente de novo. Essa não é a primeira vez que encontro com o pai de um amigo, mas Tsukiko…

— Você é o famoso Taiyou-kun — disse o homem com sua voz grossa quando estavam quase na loja. — Escutei muito sobre você.

— Sério? — As palavras escaparam antes que pudesse impedir. Isso foi rude? Quero que ele goste de mim, a ideia veio a sua mente e, do nada, o estômago de Taiyou apertou-se. O nervosismo do garoto só aumentou quando o homem riu.

— Sim. Minha filha fala muito de você. — A menção à Tsukiko fez o estômago de Taiyou apertar de novo e ele corou. O homem riu mais. — Você é como ela descreveu.

Com a ajuda de uma atendente, eles escolherem yukatas, uma verde para Taiyou e uma azul escuro para o pai de Tsukiko, e se trocaram nos provadores. Sei que a Tsukiko ama ele, mas pelo que ela disse, imaginei que era um homem assustador e um empresário do tipo que só pensa em seu trabalho. Não o conheço, muito menos a situação dele, mas ele parece se importar com ela. Se ele estivesse por perto mais… Sei que a Tsukiko iria querer isso, mas nunca iria admitir…

— Sei que sou um péssimo pai. — Taiyou ouviu a voz dele pela divisória. — Sei que deveria passar mais tempo com ela, também quero isso, mas… — O garoto não tinha ideia do que dizer e aguardou, mas o homem ficou quieto. Quando Taiyou quase terminou de se trocar e saiu do provador, escutou um suspiro. — Estou feliz que ela tem alguém como você ao lado dela.

Taiyou olhou para o homem, sentindo sua garganta secar. Sei que não tenho direito, mas preciso dizer… pela Tsukiko…

— E-Eu… Eu sei que ela quer que você seja mais presente, embora nunca diga — soltou, de rosto vermelho. O homem arregalou os olhos um pouco, mas permaneceu quieto. Taiyou respirou fundo e imaginou o rosto de Tsukiko. — Mas ela ama você e nunca disse que era um péssimo pai.

O homem olhou para ele com uma expressão vazia, depois fechou os olhos, levando a mão para o rosto. Taiyou engoliu em seco. Nunca falei assim com um adulto…

— Obrigado por me contar isso — disse o homem, sorrindo, colocando a mão no ombro do garoto. — Você é um ótimo rapaz. Por favor, continue sendo amigo da Tsukiko.

— E-Eu vou… continuar ao lado dela — conseguiu dizer, com o rosto ainda mais vermelho.

— Obrigado. — O pai de Tsukiko fez uma mesura com a cabeça.

— Ara, ara. Os dois não ficaram elegantes? — disse Shigure quando a dupla voltou.

— É, pai. Você tá bonitão! — Tsukiko correu até ele e agarrou seu braço.

— Haha. Obrigado, vocês duas — disse ele, coçando a cabeça. — Faz um tempo desde que usei uma yukata. Fiquei preocupado se ficaria estranho.

— Você parece mais com um lorde feudal do período dos samurais — disse Tsukiko. Enquanto riam, a garota se aproximou de Taiyou. — Você também ficou bonito — sussurrou para o garoto.

Ele ficou vermelho e não conseguiu fazer contato visual.

— Finalmente! — A voz de Rin-nee ecoou.

No momento em que sentaram, Rin-nee e Aika-chan começaram a comer. Eles conversaram, comeram, beberam e nunca sentiram o tempo passar. Havia até um pouco de amazake para Tsukiko e Taiyou. O sorriso no rosto de Taiyou permaneceu lá até após o dono notá-lo. Mas, para ele, não podia haver mais felicidade do que ver que sua vizinha também tinha um sorriso no rosto, rindo quando via o quão vermelho ele estava.

— Acho que é o bastante de amazake para vocês — disse a mãe dele. Os adultos concordaram e riram.

— Onii-chan, onee-chan, vamos brincar. — Aika-chan empurrou a bola no rosto dele.

Taiyou forçou-se a levantar e ofereceu a mão para Tsukiko. Eles brincaram com Aika-chan por um tempo, mas logo a criança se cansou e correu de volta para a mãe. Ela caiu no sono quase imediatamente.

— Hahaha. Essa foi rápida. — Embora mal tivessem brincado, Tsukiko arfava um pouco. Ela se inclinou contra uma árvore e assistiu as famílias beberem e conversarem.

— Ela é igualzinha à mãe — disse Taiyou, parado ao lado da garota.

Tsukiko riu de novo, mas o garoto sentiu que a mente dela estava em outro lugar.

— Ei, Taiyou-kun?

Ele se virou para ela. Uma gota de suor correu por seu pescoço quando uma pétala de cerejeira caiu nela. A visão fez o coração e respiração acelerarem. Antes que Taiyou notasse, ele se inclinou para mais perto dela. O que estou fazendo? O pensamento veio a sua mente, mas Tsukiko de repente ficou mais linda do que nunca e ele não conseguiu se controlar mais. Ele estendeu a mão para tirar a pétala quando ela se virou para ele.

— Hoje foi o melhor dia de todos — disse, sua voz mais bela do que nunca. Taiyou mal a escutou, graças a seus batimentos cardíacos. Ele paralisou quando ela se aproximou dele e antes que pudesse fazer qualquer coisa, os lábios dos dois se encontraram.

Taiyou não sabia se o beijo foi breve ou demorado; o tempo perdera o significado para o garoto. Sua mente ficou vazia; tudo que pôde sentir foram os lábios macios dela. Sua audição não funcionava mais; tudo ficou mudo para ele, até seu próprio coração.

Ela recuou, cedo demais para ele. Taiyou viu os lábios da garota quando formaram um sorriso, o mais lindo que já vira.

— Vou guardar este dia para sempre — disse ela e ele finalmente conseguiu tirar seus olhos dos lábios dela. As maçãs do rosto dela coravam tanto quanto as dele.

Enquanto percebia o que acontecera, o mundo se moveu de novo. Arregalando os olhos, Taiyou tornou a escutar seu coração, tão alto que ele tinha certeza de que todos podiam ouvir.

— Vamos. Vamos voltar. — Tsukiko saiu de perto da árvore e ofereceu uma mão.

Taiyou tentou dizer algo, mas esqueceu de como usar as palavras. Ele pegou a mão da garota, mas mesmo enquanto ela o arrastava, ele nada disse. Tudo que conseguia pensar eram nos lábios dela.

***

— Sem chance… — Yui-san o fitou, o rosto perplexo. Mas logo voltou ao normal quando os lábios formaram um sorriso. — Não posso acreditar que ela conseguiu esconder o primeiro beijo de mim… Estou um tanto impressionada.

— Ela não se lembra — disse Taiyou, envergonhado demais para olhar nos olhos da garota. — Por favor, não conte para ela. Eu não conseguiria encará-la se ela se lembrar…

Yui-san abriu a boca, mas logo em seguida suspirou, coçando a cabeça.

— Tá, tá. Mas você vai ficar me devendo. — Ele assentiu na mesma hora. Ela olhou do garoto pra porta do apartamento de Tsukiko. — Taiyou, me conta uma coisa. Você gosta da Tsukiko?

Ele arregalou os olhos e olhou pra baixo, sentindo o rosto queimar.

— Sim. — Mal conseguiu dizer por causa de seu embaraço. — Gosto muito dela.

— Espera, como você é uma criança, preciso esclarecer. — Yui-san aproximou seu rosto. — Você gosta dela como amiga ou como uma garota que quer beijar de novo?

O rosto de Taiyou queimou ainda mais.

— Eu… quero… beijar ela de novo — Sua voz saiu tão baixa que ele não tinha certeza se a garota o ouviu. Contudo, Yui-san riu.

— Boa, Taiyou. Você tem mais coragem do que a maioria dos caras na minha escola — disse ela, batendo nas costas dele. — Serei honesta aqui. Vocês fazem um bom casal. Na verdade, são tão próximos que estou surpresa não estarem namorando ainda.

O comentário o deixou feliz, mas também fez com que sentisse um aperto no peito.

— Eu… Eu não sei se ela sente o mesmo — murmurou. — Mesmo que tenha me beijado, ela não lembra. Pode ser por causa do saquê de arroz…

A garota mordeu o lábio e, depois de muito tempo, suspirou.

— Já que você me contou isso, vou te falar um segredo. Mas tem que prometer que vai guardar pra si, tá bom? — Após ele assentir, ela olhou em volta, certificando-se de que ninguém os ouvia. — Ano passado, durante a véspera de ano novo, nós, digo, eu, a Tsukiko e mais umas garotas ficamos um pouco bêbadas com amazake. Enquanto bebíamos e falávamos, a conversa acabou indo pra namoros e primeiros beijos… — A voz dela diminuiu, o rosto vermelho. Yui-san fechou os olhos e continuou. — Algumas acabaram beijando as outras… Mas a Tsukiko, por mais que estivesse quase tão bêbada quanto eu, não beijou ninguém, dizendo que o primeiro beijo era importante e que nunca faria isso por causa da bebida… Está entendendo?

Taiyou compreendeu o que ela dizia, mas, por algum motivo, sua mente não ligava os pontos. A garota percebeu e suspirou.

— Eu falei que, mesmo bêbada, a Tsukiko não saí por aí beijando os outros!

O garoto arregalou os olhos e finalmente entendeu. De repente, seu coração ficou mais leve e ele sorriu. Mas, antes que dissesse qualquer coisa, Tsukiko abriu a porta.

— Estou pronta! Vamos! — disse, arfando um pouco. — Ei, por que vocês dois estão tão vermelhos?

Taiyou e Yui-san trocaram olhares antes de se voltarem para ela.

— Motivo algum — disse ele, evitando contato visual.

— Só estávamos conversando… sobre você — disse Yui-san com um sorriso malicioso, seu rosto voltou à cor normal.

— Ah! — Tsukiko correu entre eles e abriu os braços perante Taiyou, como se o protegesse. — Pare de contar mentiras sobre mim ao Taiyou-kun!

— Quem disse que só contei mentiras? — Yui-san olhou para trás de Tsukiko e piscou para o garoto. Sob os olhos das duas, ele mostrou um sorriso contido.

— Me conte o que você disse — mandou Tsukiko.

— É um segredo. — Yui-san se virou. — Né, Taiyou-kun?

— Quê? Sem essa. Me conta.

— Vamos. Estou faminta. — Yui-san caminhou até o elevador.

— Espera! Você não vai escapar dessa!

— Então veja.

Tsukiko e Taiyou foram atrás da Yui-san. O troca-troca das garotas continuou por um tempo, mas o garoto mal prestou atenção. Acabou se pegando direcionando olhares para os lábios de Tsukiko volta e meia.

Não posso acreditar que contei pra Yui-san sobre o beijo, pensou, o coração batendo tão rápido quanto ele se lembrava. Mas ela disse que faríamos um bom casal. A ideia de namorar Tsukiko era demais para ele, mesmo assim, ele queria beijá-la de novo, torná-la a garota mais feliz do que nunca.

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