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Yuuto acordou com sono e um sorriso nos lábios. Ele tentou abrir os olhos, mas as pálpebras estavam pesadas demais. Bocejando, ele os esfregou e então finalmente abriu-os um pouco. Um teto desconhecido, pensou enquanto focava sua visão. A ideia persistiu em sua mente por um instante, depois ele deixou para lá. Estava feliz demais para se importar.

O professor coçou o peito e notou que a camisa que usava era folgada demais. Essa camisa não é minha. Tentou pensar, mas novamente ignorou o pensamento após um segundo.

Ele alongou os braços, mas parou após um instante. A parte inferior das suas costas doía. Eu caí ou alguma coisa? Ele tentou se lembrar enquanto massageava a lombar, mas sua mente se recusava a funcionar. Por algum motivo, ele estava feliz demais para pensar.

Yuuto debateu fracamente no colchão. Esta não é minha cama… é confortável demais, pensou. Parece que estou em uma nuvem… seu sorriso aumentou e ele deixou esse pensamento de lado também, suas mãos procurando pelos cobertores.

Mas, enquanto suas mãos procurava, ele encontrou outra coisa. Algo que respirava. Ele virou sua cabeça e sua visão embaçada se focou num amontoado de cabelo preto.

Yuuto não estava sozinho em uma cama que não era dele.

A sonolência se foi de uma vez, seus olhos se arregalando. Por que… por que… por que o Seiji-kun está aqui? Ele olhou em volta, finalmente entendendo onde estava. Por que estou no quarto do Seiji-kun? Com sua mente trabalhando em velocidade total agora, Yuuto compreendeu, com o rosto quente, que a camisa que usava pertencia ao seu ex-aluno.

Como… quando… de que jeito… nem sua mente podia formar uma pergunta direito. Parte dele se lembrava vagamente de tirar sua camisa. Provavelmente por causa do cosplay, Yuuto pensou, mas não importa o quanto tentasse, não conseguia lembrar de como acabou usando a camisa do Seiji-kun. Ah, droga! Ele gritou mentalmente, bagunçando o cabelo, frustrado.

Ele voltou-se para o ex-aluno mais uma vez. É a primeira vez que vejo o rosto dele dormindo…  Agora entendo por que ele gosta de fazer isso, pensou, lembrando-se que Seiji-kun assistiu o professor dormindo em algumas ocasiões. Os lábios entreabertos que geralmente sorriam, as bochechas, o nariz, o rosto que parecia inocente… ele é fofo demais. Antes que o professor notasse, havia um sorriso em seus lábios e ele acariciava gentilmente o cabelo de Seiji-kun. Um segundo depois, Yuuto balançou a cabeça e tirou a mão dos cabelos do ex-aluno. Agora não é hora disso! O que aconteceu ontem à noite?

Respirando fundo, ele olhou outra vez para Seiji-kun. Só então ele notou que o homem deitado ao seu lado estava sem camisa. Os olhos de Yuuto foram para a camisa que usava. É só uma coincidência… certo? Nós não… nada aconteceu… eu lembraria. Sim, se algo tivesse acontecido, não teria como eu esquecer, ele disse para si mesmo várias vezes.

Mas não importa quantas vezes pensasse naquilo, não conseguia deixar a ideia de lado. Com metade dele precisando ver para se acalmar e a outra metade curiosa, Yuuto puxou o lençol de seda azul escuro que eles dividiam… e então colocou de volta em seu lugar, os olhos arregalados.

Seiji-kun estava completamente nu debaixo do lençol.

A mente do Yuuto se recusou a aceitar. Ele está mesmo pelado? Pessoas ricas gostam de usar roupa íntima estranha… a empresa da família dele fabrica roupa íntima… É só pra confirmar, ele disse para si mesmo. O professor levantou o lençol de novo, dessa vez se forçando a olhar para aquela região, seus olhos se arregalando de novo. Após um longo olhar, ele deixou o lençol cair.

O rosto de Yuuto ficou mais vermelho um segundo depois. É… maior que o meu… foi a primeira coisa que veio em mente, junto com um uma sensação de déjà vu. Aposto que ele sabe como usar…  Espera, não é hora de ficar pensando no membro do Seiji-kun! Aconteceu alguma coisa entre a gente ou não?

Yuuto bagunçou os cabelos de novo e esforçou-se ao máximo para lembrar do que aconteceu ontem à noite, sem perturbar o homem dormindo adoravelmente ao seu lado.

Yuuto não sabia por quanto tempo eles ficaram abraçados. Tudo que queria era encontrar uma forma de alegrar Seiji-kun, mas não fazia ideia de como. Tudo que estava ao seu alcance era sentir o calor vindo de seu ex-aluno e tentar transmitir parte de seus sentimentos através de seus braços.

Depois de um bom tempo, um deles desfez o abraço. No momento em que se separaram, Seiji-kun limpou o rosto rapidamente com as mãos. Embora quisesse esconder, o professor viu seus olhos vermelhos.

Yuuto fingiu não ver.

— Que tal terminarmos a pintura? — propôs com um sorriso.

Seiji-kun piscou algumas vezes, esfregou seus olhos e então respirou fundo.

— Sim. Vamos terminá-la — disse, um pouco alto demais, forçando um sorriso a aparecer em seus lábios.

O professor se virou na direção do sofá e então as luzes se apagaram. Mesmo na completa escuridão, Yuuto olhou para cima por reflexo.

— Um blecaute. — O professor podia ouvir a irritação na voz de Seiji-kun.

Yuuto imaginou o apartamento em sua mente; estivera lá tantas vezes que era fácil. Após um segundo, ele caminhou até a janela e puxou as cortinas. A cidade toda era um mar negro, salvo por alguns poucos pontos de luz aqui e acolá. Era tudo que ele podia ver com a tempestade feroz do lado de fora.

— Incrível que não tenhamos ouvido nada. — As palavras escaparam de sua boca antes que Yuuto soubesse.

Seiji-kun caminhou até ele e bateu no vidro com um dedo.

— A prova de som — disse, pegando seu celular. — Aparentemente, a tempestade mudou de direção há uma hora. O governo recomenda ficar dentro de casa até que ela passe. — Ele se voltou para Yuuto. — Acho que vamos passar a noite a sós. O que um artista e sua musa poderiam fazer sozinhos no escuro durante a noite toda? — Seu tom estava muito mais animado e sob a pouca luz providenciada pelo celular, o sorriso malicioso estava de volta a seus lábios.

Yuuto não escutou direito, toda sua mente se direcionando para sua irmã e avôs. A Yuuka não ia trabalhar na casa de uma amiga? Ela ainda está lá? Espero que ela esteja bem… E a vovó e o vovô? A tempestade chegou lá também? Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, a tela do seu celular brilhou como um holofote no meio da escuridão. Yuuto correu até a mesa onde ele estava e olhou para a tela. Era Yuuka, e não era a primeira ligação dela. Quatro chamadas perdidas? Por que eu coloquei no mudo? Ele pensou enquanto pressionava o botão e levava o telefone até sua orelha.

— E aí, maninho — disse ela antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. — Tudo bem? Liguei pra casa, mas acho que cê não tá lá. — A voz dela estava mole.

— Estou bem, mas não acho que vou conseguir ir pra casa hoje. — Ele olhou para a o mar negro lá fora. Embora não fizesse barulho com a janela fechada, o vento pareceu ficar mais forte para ele. — E você? Ainda está na casa da mestra?

— Uhum, ainda estou aqui. Estamos todos bem. — Yuuto escutou outras vozes torcendo ao fundo. — As luzes caíram aqui meia hora atrás, então a mestra propôs um jogo de beber. Estou vencendo, pessoal? — Houve um alto sim e Yuuto afastou o telefone de sua orelha. — Também não vou voltar pra casa. Acabei de falar com o vô. A tempestade não tá forte lá, mas a vila toda foi se proteger na escola, só pra prevenir. Pelo visto, a vô tá amando. Ela está bebendo com as amigas, dizendo que é que nem as excursões da escola.

Yuuto imaginou sua avó falando e bebendo com as amigas por um Segundo, como ela fez em vários domingos em que ele era criança e então suspirou de alívio. Graças a deus todos estão bem.

— Vou ligar pra eles agora.

— Não precisa. Eu ligo e falo que cê tá bem. — Yuuto escutou uma grande engolida. — Onde você tá, hein? Na casa do namoradinho?

Yuuto precisou de alguns segundos para processor as palavras da irmã. Quando ele finalmente conseguiu, seus olhos se arregalaram e ele virou. Ele ia esconder seu rosto vermelho de Seiji-kun até mesmo na escuridão.

— O que você disse, irmã? Não consegui ouvir… — A voz dele foi sumindo, esperando que a bêbada Yuuka tenha falado algo errado. Ela só está bêbada, não é? Não tem como ela saber sobre o Seiji-kun… tem? Ele engoliu em seco.

— Perguntei se você tá no apartamento do seu namorado. — Ela soluçou, arrotou e ficou em silêncio por um momento. — Perguntei se cê tá com o Seiji-kun.

Ele não soube por que, mas Yuuto sentiu a sala ficar quieta. O professor engoliu em seco de novo e sua mente tentava pensar. Sua cabeça estava em branco. Do nada, Yuuto sentiu uma respiração em seu pescoço.

— É a Yuuka? — Seiji-kun sussurrou na orelha do professor. — Me deixe falar com ela.

Yuuto se virou e seu rosto ficou mais quente. Seiji-kun estava bem atrás dele. Perto demais! Pensou, cobrindo o telefone com a mão livre. Era tarde demais, contudo.

— É ele? Gente, ele tá mesmo lá — disse ela para outra pessoa e Yuuto escutou risos ao fundo. — Me deixa falar com ele. Se o cara vai namorar meu maninho, ele precisa saber das regras.

O professor arregalou os olhos e colocou uma mão no peito do ex-aluno, empurrando-o para longe.

— Yu-Yuuka… Não sei de onde você… tirou… essa ideia, m-mas nós não… ele não é meu… você sabe…

Entendi nada. Ele não é seu o quê? — Por algum motivo, a voz dela não parecia mais bêbada; estava toda animada. O barulho de fundo acabou e estava o maior silêncio do outro lado agora. Ela me colocou no viva-voz?

Yuuto olhou para Seiji-kun. Era impossível olhar para o rosto dele sem pensar no que sua irmã acabou de falar. O professor ficou vermelho e foi para um canto, colocando uma mão em cima da boca.

— Ele não é meu… namorado — ele sussurrou. Apenas falar aquilo era o bastante para fazer seu rosto ficar muito quente.

Sua irmã, por outro lado, riu.

— Claro, claro. Fala assim e eu acredito total. — Ela riu de novo e as vozes ao fundo fizeram o mesmo. — Manda um oi pro Seiji-kun. Ele parece gostoso.

Ele cerrou os dentes e se segurou para não responder a primeira coisa que veio à mente.

— Já que você parece bem, melhor eu desligar. Pra economizar bateria. — Yuuto já estava farto daquela conversa.

— Ah, pô, não fica bravo. Só tô tendo certeza que meu maninho está bem — disse ela. — Antes que cê passe a noite sozinho no escuro com seu amigo e artista pessoal, posso dar um conselho? — De repente, ela ficou séria.

— O que foi? — A estranha mudança de tom o pegou desprevenido, Yuuto falou mais alto do que queria.

Yuuta limpou a garganta ruidosamente.

— Como cê é o uke, obrigue o Seiji-kun a usar camisinha.

A risada da irmã foi a última coisa que Yuuto ouviu antes de terminar a ligação.

— Por que você fez isso? — Antes que o professor notasse, Seiji-kun estava parado ao lado dele de novo. — Eu queria falar um pouco com a sua irmã.

— E-E-Eu… — Yuuto lutava com as palavras e ainda estava vermelho quando se lembrou de uma coisa. — Como assim você conhece ela? Como ela conhece você? — Embora quisesse saber, sua real intenção era tirar as atenções de cima de si. Por que ela acha que você é meu… namorado… aquela pergunta ficou com ele. Até em sua mente, ele mal podia pensar sem que suas bochechas queimassem.

— Ah, isso? — Seiji-kun encolheu os ombros um pouco. — Lembra do casamento? Quando você usou meu telefone pra ligar para ela?

— Sim… — Yuuto começava a entender.

— Bem, depois que você caiu no sono no meu sofá, ela ligou pro meu número, preocupada com você. Eu não contei? — disse, sorrindo.

E vocês dois ficam quietos? O que vocês conversaram? Ah não… minha irmã sabe… de tudo? Ah não… Contra sua vontade, ele relembrou de tudo que aconteceu entre eles… quando o Seiji-kun ainda era seu aluno e acariciou o professor… quando ele quase fez Yuuto sentir prazer… o quase beijo deles no casamento… Se ela sabe… é incrível que tenha ficado quieta todo esse tempo… Mas agora… Ele não queria imaginar o que ela diria agora que o segredo fora revelado.

— Não, você não me contou — disse Yuuto, enfim, tentando impor raiva na voz.

— Acho que esqueci. Foi mal. — O sorriso no rosto dele sugeria que havia esquecido apenas para ver a reação do professor. — Sua irmã está bem?

— Sim, está. Obrigado por perguntar — soltou Yuuto, sua mente ainda pensando na situação.

— Graças a deus. Você estava tão vermelho que pensei que algo pudesse ter acontecido. — Seiji-kun sorriu, aliviado.

Yuuto engoliu em seco. Como você consegue trocar de sorrisos tão fácil? Esse rosto não é justo! O professor era fraco contra aquilo. Ele esfregou os olhos com as duas mãos. Agora que Yuuka revelou que sabia, Yuuto ele não escaparia de uma conversa embaraçosa. Mas, naquele momento, o professor precisava deixar o problema com sua irmã para depois. Seu foco atual deveria ser no Seiji-kun. Infelizmente para ele, a palavra namorado ainda estava em sua mente. Droga, Yuuka. Agora não consigo tirar isso da cabeça!

— Está tudo bem? — Sob a fraca luz providenciada pelo celular, Yuuto podia ver o Seiji-kun se aproximando.

O professor precisou de um pouco de tempo para resolver as coisas na sua cabeça. E com alguma sorte, me acalmar.

— Eu… Eu… Eu preciso trocar de roupas! — gritou ele do nada quando a desculpa surgiu na cabeça. Fui salvo!

Yuuto imaginou o apartamento e onde tudo estava novamente e correu para o banheiro. No meio da sala estar, ele bateu em alguma coisa onde não devia haver nada e caiu junto com o que o quer que fosse.

Tentando encontrar um apoio para sua mão, ele tocou em um líquido pegajoso. Quando o professor cheirou, notou que esbarrara na tela. Ele se esquecera do cavalete e do banquinho.

— Minhas costas… — reclamou Yuuto, esfregando a parte inferior das costas.

— Tropeçou no meu cavalete? — A voz de Seiji-kun veio de algum lugar no escuro. Mesmo naquela situação, Yuuto podia sentir o tom de zombaria. — Onde estão as aquarelas? — Ele procurou por um instante e achou o abdome de Yuuto. Seiji-kun o sentiu por um instante e seus dedos foram para o umbigo do professor após um segundo, brincando com ele.

— Pare com isso! — Yuuto tentou tirar a mão de lá e se moveu ao mesmo tempo. Ele acabou rolando em cima da aquarela. — Olha o que você fez! Agora estou todo pegajoso! — Seiji-kun riu alto. Só então Yuuto notou o que dissera e ficou vermelho. Ele agradeceu a escuridão por esconder seu rosto.

— Desculpa, foi mal — disse finalmente o ex-aluno quando parou de rir.

— Não se mova. — Yuuto se levantou, mas seus pés estavam escorregadios e quando ele deu outro passo, quase caiu. Seiji-kun o segurou bem a tempo. — Obrigado.

— Você precisa tirar essas roupas sujas. Vai precisar ficar limpo para o resto da noite. — E por quê? Yuuto pensou, mas não disse nada enquanto o Seiji-kun o ajudava a levantar. — Eu tomei um banho antes de você chegar aqui, ainda deve dar para aproveitar a água.

— Obrigado… — disse Yuuto novamente. Ele sabia que tinha algo por trás do que o Seiji-kun dissera, mas o ex-aluno estava certo; o professor não podia passar o resto da noite assim. Ele prosseguiu para o banheiro, desta vez tomando cuidado a cada passo.

Ainda que tivesse estado lá muitas vezes, era impossível saber onde tudo estava na mais completa escuridão. Eu devia ter trazido meu celular, pensou Yuuto, coçando a cabeça com a mão limpa. Devo pedir pro Seiji-kun trazer? Ele desistiu da ideia após considerá-la por um momento. Ele não queria que o ex-aluno visse seu rosto naquele instante; o professor ainda sentia a face quente. Por que ele fez aquilo…? Sua mão foi até o umbigo, lembrando de como Seiji-kun brincou com ele.

Por toque, ele finalmente conseguiu encontrar a pia e a torneira, limpando suas mãos e braços da melhor maneira que podia, mas não foi o bastante. Vou realmente tomar um banho agora? Embora Yuuto tenha sido uma musa por quase dois meses, seria a primeira vez que ele tomaria banho na casa do seu artista. Talvez uma ducha gelada ajude…

Yuuto tirou a calcinha e sutiã, jogando ele em cima das roupas sujas de Seiji-kun, e foi para a área de banho. Ele olhou para o banco, sabão e xampu. É meio relaxante tomar um banho no escuro, pensou enquanto molhava a cabeça. Ele quase terminou de se limpar e estava tirando o sabão quando ouviu a porta do banheiro se abrindo. Sua mão parou de se mover e ele lentamente se voltou para o som.

— Já terminou? — A voz de Seiji-kun veio pela partição do vidro.

— P-Por que você está aqui? — Yuuto finalmente conseguiu dizer algo. Por que eu não tranquei a porta?

— Você me sujou quando caiu. E eu estou todo suando de limpar tudo, então não preciso tomar banho também?

Ainda que não pudesse ver, Yuuto sabia que Seiji-kun tinha um sorriso nos lábios.

— Não pode esperar até eu terminar? — Ainda que tentasse suprimir, havia um toque de desespero em sua voz.

— Desculpa, não vai dar. Só tem água para mais um banho. — Havia um pouco de luz com ele, e Yuuto pode ver sua sombra trêmula tirando a camisa. — E mais, faz um tempo desde que tomei banho com alguém. Posso lavar suas costas — disse, feliz, e então abriu a partição.

— Eu já lavei — disse Yuuto, vermelho. Por algum motivo que não sabia, ele se virou um pouco para esconder seu corpo, embora continuasse dando olhadelas para o Seiji-kun.

Enquanto segurava o celular em uma mão e a toalha em outra, era difícil não olhar para a virilidade de Seiji-kun, especialmente quando o ex-aluno não fazia questão de escondê-la.

— Por que você está tão nervoso’? — perguntou Seiji-kun, com a cabeça inclinada. Ele colocou seu telefone no canto, criando uma luz fraca sobre o espaço. — Não é como se nunca tivesse tomado banho com outros caras antes. Ou é sua primeira vez com outro homem? Serei a sua primeira vez? — De repente, Seiji-kun parecia excitado e agora Yuuto confirmou que ele realmente estava sorrindo.

— É claro que já tomei banho com outros caras! — gritou. Mas nenhum homem me deixou nervoso como você deixa! Ele gritou em sua cabeça, mas guardou para si. Calma, Yuuto! Não caia nas palavras dele.

— Tudo bem. Embora eu preciso admitir que estou um pouco triste por não ser o seu primeiro. — Ele deixou os ombros caírem de forma exagerada, então respirou fundo e lançou um sorriso malicioso para Yuuto. — Se já tiver terminado, pode lavar minhas costas — disse Seiji-kun parado ao lado de Yuuto.

Yuuto rapidamente virou sua cabeça. Perto! Perto demais! Ele não sabia se o ex-aluno fazia isso de propósito ou não, mas o membro de Seiji-kun estava a centímetros de distância do professor. Ainda que se controlasse, Yuuto continuou dando olhadelas nele. É… maior que o meu… pensou, subitamente abatido.

Agradecendo a escuridão com pouca visibilidade que escondia seu rosto, Yuuto enrolou a toalha em volta da cintura e, quando Seiji-kun se enxaguou, o professor lavou as costas do ex-aluno.

Elas são… bem pequenas… Yuuto pensou. Embora Seiji-kun só fosse um pouco mais alto que ele, o professor sempre sentiu que sua presença era esmagadora. Normalmente ele tem tanta certeza de si, mas na verdade não passa de uma criança… uma criança que está sofrendo. Yuuto controlou um impulso de abraçá-lo. Após tudo, o professor se esqueceu de que queria fazer Seiji-kun se sentir melhor. Eu queria que isso fosse o bastante, pensou, mas sabia que não era. O que posso fazer para ajudá-lo?

“Obriga o Seiji-kun a usar camisinha.” Do nada, a voz de sua irmã ecoou em sua cabeça, e algo lá embaixo reagiu, endurecendo. Suas mãos voaram, querendo escondê-lo.

— Já deu! — Sua voz saiu aguda. Ele notou? Olhou, desesperado, para o homem que queria animar.

Por sorte, Seiji-kun não notou nada. Ele limpou o resto do corpo enquanto assoviava e depois levantou, virando-se para Yuuto.

— Vamos entrar na banheira — disse com um sorriso.

O professor virou sua cabeça para a banheira, mais para evitar olhar para o membro de Seiji-kun do que qualquer coisa. Pare de esfregar isso na minha cara!

— Duvido que caibam duas pessoas… — Apesar da banheira ser muito maior do que a na casa dele, Yuuto esperou que não coubesse.

— Não se preocupe! Eu já sei que cabe — disse Seiji-kun, confiante.

Deveria ser uma piada, a qual ele já estava acostumado, ainda assim, Yuuto sentiu uma dor no peito. Ele está falando da Amira-kun… ou das outras garotas. De tempo em tempo, quando ele se via pensando em Seiji-kun, o professor lembrava dos comentários sobre a “longa lista de garotas” que seu ex-aluno teve após terminar com sua ex-namorada. E por algum motivo, isso o incomodava toda vez.

Antes que Yuuto pudesse recusar, porém, Seiji-kun tirou a toalha do professor e o puxou para dentro da banheira. Eles sentaram de frente um para o outro.

— Isso é ótimo. Ficar dentro da água quente nesse frio — disse o ex-aluno com um sorriso genuíno.

É bom mesmo, concordou Yuuto, mas ficou quieto. Enquanto Seiji-kun parecia estar aproveitando o banho, cantarolando com os olhos fechados, Yuuto, pelo contrário, não apreciou a situação. A voz da irmã dele ecoou em seus ouvidos.

O professor escondeu metade do seu rosto debaixo da água, sem nunca tirar os olhos de Seiji-kun. Como ele se sentiria se soubesse o que se passa na minha cabeça? Sentiria nojo? Yuuto tentou imaginar um pouco. Não, concluiu após um segundo. O Seiji-kun ficaria lisonjeado e arrumaria uma forma de distorcer esses meus sentimentos estranhos para me deixar envergonhado… Mas o que ele faria? A imagem deles quase se beijando no casamento surgiu em sua mente, e ele afundou o rosto um pouco mais na agua.

Não era a primeira vez que Yuuto lembrava do quase beijo dos dois. Ele ficou feliz que não passou daquilo. Naquele dia, eles ainda eram professor e estudante. Como um educador, ele se sentiria horrível se fizesse algo assim. Mas ao mesmo tempo, uma grande parte dele desejou que os dois não tivessem sido interrompidos. Aquilo teria acabado com só um beijo… ou nosso relacionamento poderia ser mais do que é agora? Se tivéssemos nos beijado… ele seria mesmo meu namorado agora…? Eu queria isso mesmo? O próprio Yuuto não tinha ideia.

Sentindo uma tontura repentina, o professor levantou, a água transbordou da banheira.

— Acho que é meu limite — disse com uma voz cansada. Yuuto se secou, envolveu a toalha em volta de sua cintura e saiu do banho antes que o Seiji-kun pudesse dizer qualquer coisa.

Nessa área, a luz do telefone não brilhava, sendo assim, ele usou suas mãos para encontrar o lavatório, onde suas roupas estavam. Após alguns segundos de tocar nas coisas a sua volta, ele encontrou. Com suas mãos na superfície, ele sentiu o mármore… e acabou empurrando suas roupas na pia com um som de molhado. Ah não… Subitamente nervoso, ele moveu suas mãos… e notou que a pia estava cheia.

— Droga! — Yuuto tirou as roupas o mais rápido que pôde, mas era tarde demais.

— O que foi? — A voz calma de Seiji-kun veio um segundo antes da partição se abrir.

— Derrubei minhas roupas na pia… Por que está cheia de água? — perguntou, torcendo suas roupas totalmente molhadas.

— Você tirou a tampa do ralo após lavar as mãos? — Yuuto pensou nisso por um momento e então pensou injúrias de si mesmo. — Sinto muito por você. — O professor podia sentir a falta de simpatia na voz do ex-aluno.

— Até minha cueca está molhada… — reclamou Yuuto, mais para si mesmo do que Seiji-kun. O barulho de uma risada contida veio de seu ex-aluno, mas o professor ignorou, torcendo os boxers. Não tinha como ele usá-los aquela noite.

Seiji-kun se moveu um pouco e então jogou a luz do seu celular no espelho, caminhando para o lado do professor. Ele assistiu os boxers úmidos por um instante e depois um par de calcinhas vermelhas apareceu na frente do Yuuto.

— Acho que vai ter que usar isso — sussurrou no ouvido do professor com um sorriso malicioso.

Ele olhou para elas por um momento e suspirou. Não tenho um descanso, pensou enquanto as pegava e vestiu-as.

— Não posso fica só de roupa íntima a noite toda.

— Calma — disse o Seiji-kun, repentinamente excitado. — Você ainda tem muitas opções!

Yuuto entendeu o que ele quis dizer na hora.

— Não vou ficar a noite toda de cosplay.

— Então posso emprestar algumas das minhas roupas, embora eu ache, ache, que podem ficar um pouco grande em você — disse Seiji-kun enquanto colocava suas próprias roupas.

Por algum motivo, a imagem de si próprio usando nada além da camisa de Seiji-kun apareceu na mente do Yuuto. Suas bochechas ficaram vermelhas mais uma vez. É como usar a camisa do namorado após transarem! Ele cobriu o rosto para esconder as maçãs do rosto e as esfregou, tentando pensar.

— Você… está certo. É grande demais… — Conseguiu dizer.

— Então só tem uma opção, fora os cosplays que você rejeitou sem dó. — Ele ergueu suas sobrancelhas.

Dessa vez, Yuuto precisou de um segundo para entender… e então suspirou novamente.

— Tá, tudo bem. Não tem nada que eu possa fazer, de qualquer forma. — Apesar do banho quente, ele já estava começando a ficar com frio.

Seiji-kun sorriu.

— Espere aqui. Eu vou pegar o uniforme. — E foi embora.

Yuuto olhou para suas roupas de novo e abaixou a cabeça. Parece que tem uma força invisível fazendo tudo dar errado pra mim.

Seiji-kun voltou com o uniforme em mãos alguns instantes depois. Não posso acreditar que realmente vou usar o uniforme da minha escola. Yuuto respirou fundo e colocou a saia. É surpreendentemente longa, embora ainda mostre mais do que deveria, pensou enquanto olhava para a área descoberta acima do seu joelho.

Apesar das reclamações e recusas, ele se viu intrigado e olhou-se no espelho. Com uma meia preta até o joelho, pode ficar um cosplay bonito. Ele precisou conter a vontade de dar uma voltinha. Ele geralmente fazia isso para checar o risco de expor sua virilidade, mas não podia fazer isso com Seiji-kun por perto sem se arrepender depois. Yuuto segurou a camisa e percebeu que era grande demais para ele. Levantando sua sobrancelha e a camisa, o professor olhou para seu ex-aluno.

— Um pouco de tinta caiu na camisa e jaqueta, daí decidi que a camisa do meu uniforme seria perfeita. Sabe, para combinar — disse casualmente, mas o professor viu seus lábios tremerem um pouco.

Yuuto abriu sua boca… mas então fechou, respirando fundo em vez de falar qualquer coisa. De fato, uma força invisível… ele pensou enquanto colocava a camisa. Ele olhou para si mesmo no espelho novamente. Embora fosse grande, ele ainda podia ver a barra da saia plissada preta e azul, mas só se levantasse seus ombros. Se ele relaxasse e ficasse parado normalmente, parecia que não estava usando nada por baixo. A camisa do namorado… dessa vez Yuuto não ficou vermelho; estava cansado demais para isso.

Os lábios de Seiji-kun tremerem ainda mais, mas ele deu tudo de si para conter o riso.

— Parece erótico — disse.

— Não dá essa impressão — mentiu Yuuto e saiu do banheiro antes que o Seiji-kun dissesse qualquer coisa a mais.

— Está com fome? — Seiji-kun seguiu o professor. Yuuto balançou a cabeça; ele comeu a menos de algumas horas atrás, no caminho para o apartamento. — Pois eu estou — disse o ex-estudante e foi para a geladeira. — Droga… não tem nada… ah, esqueci que tinha isso. — Ele pegou algo.

Na escuridão, Yuuto não pôde ver o que o Seiji-kun segurava até que ele se aproximasse.

— Não pode. Não vou deixar — disse o professor com uma voz firme quando viu a garrafa de vinho. — Você é menor de idade.

Seiji-kun parecia confuso, e não era a expressão falsa que ele usava de vez em quando.

— Você me viu bebendo antes. — Não era uma pergunta.

— O casamento foi diferente. Você realmente acha que eu deixaria você beber desse jeito? — Ele tentou pegar a garrafa, mas Seiji-kun levantou os braços, tirando o vinho do alcance de Yuuto. — Como educador, não vou deixar você beber — disse. Droga. Por que ele tem braços longos? Pensou. Eles brigaram por um instante e seus rostos ficaram próximos. Eles olharam nos olhos um do outro, a garrafa foi esquecida por um instante.

Ambos ficaram vermelhos e Yuuto recuou.

— Então beba você — disse Seiji-kun com um sorriso malicioso.

— Por que eu beberia?

— Porque, caso contrário, eu irei.

— Ok, se é assim, me dê. Vou beber em outra hora. — Aposto que a Yuuka adoraria isso, embora eu também possa experimentar. Conhecendo o Seiji-kun, deve ser caro.

Seiji-kun franziu o cenho. Ele ficou parado por um momento… e do nada foi para a janela e a abriu. O vento entrou com força para dentro, mas ele ignorou. Ele puxou a rolha, jogou lá fora e fechou a janela novamente.

Yuuto ficou chocado por um instante e então correu para a janela.

— Por que você fez isso? — perguntou, tentando seguir a rolha com os olhos, mas já não podia vê-la mais.

— Agora você precisa beber logo.

— E por quê? — Yuuto suspirou; ele estava cansado demais para ficar bravo.

— Vai estragar se ficar sem a rolha — disse Seiji-kun.

— Então apenas jogue fora.

— Essa garrafa custa por volta de cem mil ienes.

Os olhos do professor se arregalaram do nada. Quanto? Ele não sabia nada sobre vinho, portanto não podia dizer se era verdade. Contudo, ele conhecia seu ex-aluno bem o bastante para dizer se estava mentindo ou não, mas agora não conseguia discernir.

— Por que está se esforçando tanto pra me deixar bêbado?

Seiji-kun pensou por um instante, seu rosto ficou ilegível.

— Melhor do que ficar sem fazer nada. — Ele encolheu os ombros.

De repente, Yuuto entendeu. Ele está tentando evitar falar sobre o futuro… Uma ideia cruzou a mente do professor e ele virou sua palma para Seiji-kun.

— Você está certo. — O ex-aluno franziu o cenho, mas entregou a garrafa. Yuuto balançou ela um pouco. Ainda tem um terço. Graças a todas as noites saindo para beber com Sawa-chan, esse tanto não era o suficiente para deixá-lo bêbado. — Tem uma condição. Vou beber toda vez que você responder uma questão.

O rosto de Seiji-kun ficou ilegível. Ele mal aparentava respirar enquanto considerava a proposta do seu ex-professor. Após um tempo, ele abriu os olhos.

— Combinado. — Ele foi para o gabinete e pegou seis copos pequenos. Eram os mesmos do casamento, copinhos de tequila. Yuuto os reconheceu e então olhou para Seiji-kun com olhos arregalados. — Meu cunhado esqueceu aqui — disse com o rosto sério.

Yuuto viu através dele na hora.

— Se vamos jogar isso, não vale mentir.

Seiji-kun respirou devagar.

— Tá. Prometo. — Ele sentou no chão, descansou seu telefone na mesa e organizou os copos a sua frente. Yuuto entregou a garrafa a ele e o mesmo encheu os copos, sem gastar uma única gota.

— Você parece acostumado a isso… — disse Yuuto.

Seiji-kun coçou a cabeça por um instante e então soltou um grande suspiro.

— Fiz muito isso naquela época… mas foi antes de eu… — Ele não completou a frase.

O professor podia dizer que Seiji-kun falava a verdade, mas ele ainda queria escutar o resto. Antes do quê? Antes de mim? Antes de nos conhecermos? Ele queria perguntar, mas não podia gastar uma pergunta para isso.

Yuuto sentou no chão, de frente para o Seiji-kun e as bebidas. O ex-estudante levantou um dos copos.

— Me deve uma dose.

Yuuto aceitou o copo de vinho, mas não bebeu.

— Não foi uma pergunta.

Seiji-kun mordeu seus lábios por um momento.

— Ok. Pode perguntar.

Embora já soubesse a resposta, Yuuto precisava de um ponto de partida.

— Você tem algum objetivo futuro? Nada mesmo?

— Não. Nada. Agora beba. — O artista respondeu quase imediatamente.

— Seiji-kun… — Yuuto olhou nos olhos dele. O ex-aluno evitou o olhar do professor, mas após um segundo, olhou de volta.

— Estou falando sério… Não consigo me ver fazendo nada agora… — Ele olhou para o chão. — Não tenho nada que eu ame fazer. Eu… Eu queria ter algo como você. Seja como professor ou cosplayer.

Seiji-kun… Yuuto bebeu o vinho em um gole e alinhou o copo junto aos outros, virado para baixo.

O ex-aluno arregalou os olhos um pouco e então o sorriso voltou a seus lábios.

Você parece acostumado a isso.

— Se algum dia sair com a Sawa-chan, verá que isso não é nada — disse Yuuto, embora eu nunca tenha bebido vinho em doses. A bebida não era estranha para ele, mas beber em um gole o deixou com a cabeça um pouco leve. Ele balançou a cabeça e piscou algumas vezes, concentrando-se.

Seiji-kun notou e ofereceu outra dose.

— Próxima pergunta.

— Você parece estranhamente animado agora — disse Yuuto, aceitando a bebida. — Sei que não está se dando muito bem com sua família, mas eles não se importam que você não tenha qualquer plano futuro? Nem a sua irmã?

O pintor pegou outra dose e ofereceu.

— Duas perguntas, duas doses.

Yuuto não se moveu.

— Foi só uma pergunta. — Ele não pegou a bebida e permaneceu de olhar firme.

— Meu pai está ocupado demais com a companhia. Acho que a última vez que o vi foi no casamento e nem então ele mencionou meu futuro uma única vez. Minha mãe diz que devo parar de agir feito criança, prestar uma faculdade e me formar em um curso de negócios para, segundo ela, ajudar na companhia — zombou. — Se ela me conhecesse um pouquinho, saberia que sou horrível nesse tipo de coisa e provavelmente arruinaria a empresa. Além do mais, esse é o futuro do meu irmão mais velho. Ele está no caminho para herdar a Corporação Pedra Vermelha e fazê-la crescer ainda mais… isso se ele conseguir esperar, é claro. Ele é tão ambicioso que estou surpreso que ainda tenha tentado tomar a companhia para si.

Yuuto não conseguiu conter a risada. A descrição de Seiji-kun se encaixava perfeitamente com a imagem do homem que ele conheceu no casamento, puro negócios e ambições.

— Ele nunca disse nada sobre seu futuro?

— Tudo que ele diz é para não embaraçar a família — disse o Seiji-kun, balançando a cabeça.

— E a sua irmã?

— Nos encontramos para nos divertir e tudo mais… mas raramente temos conversas sérias. — Ele olhou para o chão. — Desde que o vovó… desde então, evitamos falar sobre o meu futuro — disse Seiji-kun com a voz baixa.

Acho que eles não são tão próximos quanto pensei… Após encontrá-la no casamento, e depois de escutar as histórias de Seiji-kun sobre o que ela fez com ele durante a infância em suas sessões, Yuuto acreditou que os irmãos eram tão próximos quanto ele e Yuuka eram. Acho que estava errado… Ele levou o copo aos lábios e virou em sua boca.

Dessa vez, ele não esperou, pegando outro copo.

— Você disse que não consegue se imaginar fazendo nada, mas você não gosta de pintar? Você é muito bom, poderia virar um artista. — Embora eu espere que você não deixe o meu lado, Yuuto pensou, mas deixou essas palavras no seu coração.

Seiji-kun mostrou um pequeno sorriso.

— Você é a segunda pessoa que me diz isso — disse. Ele esfregou o rosto lentamente e fechou os olhos. — Acho que já te disse, mas não gosto exatamente de pintar. Eu gosto de pintar você. Por algum motivo, toda vez que olho para você, minha mente fica agitada de tantas formas que sinto que preciso pegar o pincel… Mas nunca senti isso com qualquer outra coisa. Nem com outra pessoa, nem com a Amira. — Eles se encararam em completo silêncio. — Você é o único que me faz sentir assim.

Seiji-kun… Yuuto bebeu a dose. Eu só tenho mais três perguntas agora… pensou sobre elas com cuidado.

— O que… o que… — ele hesitou. Não recue agora. É pelo bem do Seiji-kun. O professor respirou fundo. — Que tipo de homem você acha que seu avô queria que você fosse?

Dessa vez, o silêncio foi longo e sofrido, cada segundo se alongando. Eles olharam um para o outro, o rosto de Seiji-kun totalmente ilegível. Ainda assim, Yuuto conseguia ver a dor naquele par de olhos, mas continuou encarando. É para o bem dele, disse para si mesmo novamente, tentando deixar de lado a dor em seu coração por machucar alguém com quem se importava.

Seiji-kun olhou para baixo.

— Não sei. — Yuuto sabia que ele não estava apenas evitando a pergunta. O professor podia ver que seu ex-aluno realmente não tinha noção do que seria. — O vovô foi como meu pai, sempre pensando sobre seu trabalho, mas havia uma grande diferença. Ele nasceu depois da guerra e cresceu pensando sobre como ele poderia melhorar a vida das pessoas a sua volta. Quando ele tinha o poder, criou muitas instituições de caridade e doou muito dinheiro. Mas depois que a vovó morreu, ele mudou. Começou a dizer que dinheiro valia mais que a vida. “Eu dou comida e roupas para o corpo, mas o que posso dar a alma?” ele ficava falando. Após isso, ele passou a sua aposentadoria encorajando as pessoas a lerem, praticarem esportes, artes marciais, criar arte… — Seiji-kun cobriu os olhos, escondendo suas lágrimas. Depois de um tempo, ele olhou de volta para o professor. — Ele foi a primeira pessoa que falou que eu deveria me tornar um artista. — E terminou com um sorriso genuíno, ainda que pequeno.

Seiji-kun… Yuuto queria chorar, queria abraçá-lo, queria consolá-lo naquele instante. Mas ele se conteve. Não posso… ainda não. Ele precisava fazer outra pergunta, uma que o Seiji-kun não estava pronto para escutar. Mas eu preciso… preciso pedir que imagine seu futuro num mundo sem seu avô. O próprio Yuuto não conseguia. Se fosse o meu avô…

Yuuto bebeu a dose e pegou outra. Ele abriu a boca, mas as palavras nunca saíram dela. Vamos lá… é pro bem dele! Ele disse para si mesmo de novo, ignorando a dor em seu próprio coração.

— Seiji-kun… você pode…

Antes que pudesse terminar, o ex-aluno estendeu a mão, pegou o copo da mão de Yuuto e bebeu a dose de vinho ele mesmo.

Yuuto arregalou os olhos por um instante e, um segundo depois, um sorriso cansado apareceu em seus lábios. Acho que esse é o limite dele… O professor queria perguntar, mas conhecia seu ex-aluno bem demais. Ele respirou fundo várias vezes.

Embora Yuuto mal tivesse bebido, o vinho o deixou com a cabeça mais leve do que pensara que deixaria. Balançando a cabeça, ele olhou para o chão. Ainda tem um copo. O que posso fazer com mais uma pergunta? Ele pegou o copo e olhou para o Seiji-kun, que estava brincando com o copo em sua mão.

Uma ideia veio a sua cabeça e, por puro impulso, Yuuto bebeu a dose.

— Como você se sente a meu respeito? —ele soltou.

Seiji-kun inclinou sua cabeça, as maçãs de seu rosto levemente rosadas. Yuuto não sabia se era de vergonha ou não. Ele sorriu.

— Antes disso, você me deve uma resposta — disse, derrubando os corpos de lado e se inclinando na direção do professor. Ele olhou bem nos olhos de Yuuto. — Quero beijar você.

A mente de Yuuto ficou em branco, seu coração batendo alto no peito.

— Isso não é uma pergunta — disse.

Seiji-kun fechou seus olhos e seus lábios foram de encontro aos de Yuuto.

Yuuto arregalou os olhos e então os fechou, devolvendo o beijo de Seiji-kun.

O ex-aluno levou o professor gentilmente ao chão, e sua língua estava dentro da boca de Yuuto. O professor envolveu seus braços no pescoço de Seiji-kun.

— Seiji-kun — disse Yuuto quando o ex-aluno separou seus lábios e beijou o professor no pescoço. — Isso está acontecendo porque você quer… ou por outro motivo? — As palavras saiam antes que ele pudesse pará-las. Por que estou estragando o momento? Ele não queria perguntar, mas sua boca parecia ter uma vontade além de seu controle.

Seiji-kun parou de beijá-lo por um momento e olhou o professor nos olhos outra vez.

— Isso importa? — disse, lentamente.

Importa, importa muito… e também não importa. Yuuto puxou Seiji-kun para mais perto de si e o beijou. Ele sonhou com isso por tanto tempo, e ainda que negasse para si mesmo, seu corpo não negara; ele ainda acordava com seu membro duro por causa daqueles sonhos, por causa de Seiji-kun. Ainda que fosse só por uma noite, ele queria isso… ele queria se tornar um com o Seiji-kun.

Seiji-kun o beijou de volta e parou de repente.

— Vamos continuar no meu quarto — sussurrou no ouvido do professor…

Então foi isso que aconteceu! O rosto todo de Yuuto ficou com um tom alarmante de vermelho e ele cobriu com as mãos. Ele balançou a cabeça, tentando ignorar a vergonha. O professor não conseguiu ignorá-la, nem fazer o sorriso que tinha desaparecer.

Yuuto olhou para o Seiji-kun pela abertura dos dedos. Até depois de tudo que fizemos, ele consegue fazer um rosto tão inocente, o professor pensou. Antes que notasse, ele estava acariciando gentilmente a cabeça de Seiji-kun, todas as memórias voltando a ele.

Seiji-kun o beijando, o carregando, desabotoando a camisa. Seiji-kun beijando Yuuto nos lábios, no pescoço, no peito, beijando os mamilos até que ficassem duros, beijando a barriga e então lá embaixo. Yuuto se lembrou da estranha sensação do dedo de Seiji-kun cobertos com lubrificante dentro dele e então como ficou estranhamente melhor quando ele colocou mais um dedo.

Yuuto se lembrou de como eles se olharam um para o outro quando se tornaram um. Como Seiji-kun hesitou, se movendo lentamente e, apesar do prazer que devia estar sentindo, o artista sempre perguntava se estava machucando sua musa, ainda que ele sempre fosse gentil. Yuuto se lembrou de como seu sêmen saiu dele e a sensação do sêmen de Seiji-kun entrando nele. Quando eles não eram mais um, o ex-aluno perguntou, sem fôlego, se havia doído, e quando o professor disse que doera um pouco, ele ficou preocupado.

Yuuto se lembrou de como o Seiji-kun hesitou quando o professor disse que queria tentar de novo. Não importa o quanto dissesse que estava bem, o artista estava com medo de ferir sua musa. O professor ficou impaciente e beijou-o demoradamente e, quando o membro do seu ex-aluno ficou duro, Yuuto o empurrou e sentou no topo dele. Após um instante, a virilidade de Seiji-kun estava dentro dele novamente, Yuuto se mexendo para cima e baixo até encontrar o ponto de prazer.

Yuuto não podia se lembrar do momento em que não eram mais um. Sua mente estava uma confusão de prazer. Mas ele se lembrava de estar sem ar e não conseguir parar de sorrir. Quando deitou de volta ele tentou recuperar o folego. Ele não sabia quanto tempo tinha passado, mas o Seiji-kun de repente estava em cima dele.

Yuuto se lembrou de como Seiji-kun parecia tão sem ar quanto ele, mas isso não o impediu de ficar duro novamente, e quando ele percebeu que o professor não sentia mais dor, ele não se segurou. Seiji-kun virou e levantou a cintura do professor e então seu membro estava dentro do Yuuto novamente. Após isso, Yuuto só podia se lembrar de que perdera completamente a cabeça em prazer. Fora muito diferente da primeira vez. Seiji-kun estava gentil e intenso ao mesmo tempo.

Quando eles terminaram, Yuuto lembrou do Seiji-kun pegando as roupas do professor e passando para ele. Quando ele estava vestido o ex-aluno sussurrou:

— Não me deixe. Por favor. — Ele segurou o professor com força em seus braços, e quando Yuuto o abraçou de volta, ele relaxou, então os dois caíram no sono.

Yuuto se lembrou de tudo, e não esqueceria novamente.

Seiji-kun bocejou e Yuuto tirou a mão por reflexo. O ex-aluno limpou um pouco de baba na boca antes de abrir os olhos. Ele olhou em volta e quando viu que não estava sozinho, piscou algumas vezes.

— Bom dia — disse Yuuto, sorrindo.

— Bom dia — disse Seiji-kun, confuso. Ele esfregou os olhos e então suas mãos se moveram para as têmporas. — Ontem à noite… — Yuuto prendeu a respiração. O que ele vai dizer? Ele ficou com vergonha? Até depois de fazer tudo aquilo comigo, mas eu também fiz bastante… O professor não pode impedir seu rosto de ficar quente. —…está tudo embaralhado. O que aconteceu?

Yuuto sentiu a felicidade evaporar dele. Ele… não se lembra… Aquela dose de vinho foi o bastante para deixá-lo bêbado? Ele não está acostumado a beber? Ou é uma das piadas dele? O professor tentou ver além da sonolência de Seiji-kun. Não consigo dizer se ele está mentindo ou não… talvez se estivesse com fome, ele poderia ter ficado bêbado só com aquilo.

— O quanto você se lembra? — perguntou o professor.

Seiji-kun se sentou.

— Me lembro do blecaute… e então do jogo de beber. — Ele piscou os olhos novamente. — Ah, e me lembro de você lavando as minhas costas — disse com o sorriso malicioso. — Você foi muito gentil.

Dessa parte você lembra? Yuuto suspirou.

— Não se lembra de nada mais? Nada sobre o que aconteceu entre nós?

— Eu… lembro da nossa conversa… — Seiji-kun olhou para baixo. — Obrigado. Eu não estou pronto, mas precisava daquilo. — Ele respirou fundo, então olhou para o professor, o sorriso genuíno em seus lábios. — Obrigado por sempre me aturar.

Yuuto engoliu em seco… então sorriu também. Não importa o quão feliz estivesse, não importa o quanto quisesse ser um com o Seiji-kun novamente, agora não era a hora. Mais do que um amante, Seiji-kun precisava de um amigo agora, alguém com quem ele pudesse contar. E o professor seria essa pessoa.

Mas não vou desistir. Se não posso fazer você se lembrar da nossa noite juntos, farei ela acontecer outra vez!

— Você sempre pode contar comigo, Seiji-kun — disse Yuuto com um sorriso fraco.

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