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— Foi mais fácil do que eu pensei — Seiji-kun mencionou, sua voz cheia de satisfação.

— O quê? — Yuuto perguntou, sua voz cheia de irritação.

— Colocar você no meu sofá com nada além de roupa íntima — respondeu Seiji-kun. Embora seus olhos focassem mais no quadro do que no professor, ele observava Yuuto com cuidado, prestando atenção na reação do cosplayer com um sorriso nos lábios.

Yuuto bufou um pouco alto demais e abriu a boca… mas quando não conseguiu pensar em uma resposta, fechou a mesma e virou a cabeça para o outro lado.

— Não fique bravo comigo e nem mude a pose — disse Seiji-kun, sua mão ainda segurando o pincel. — A culpa é toda sua.

— Como isso é culpa minha? — O professor finalmente murmurou algo, porém era mais para si mesmo do que para Seiji-kun.

Desde que o ano letivo acabou, Seiji-kun pediu, com seu tom fofo e imperativo, para aumentar as sessões de musa deles. O professor não pensou duas vezes e aceitou com um sorriso no rosto.

Embora os alunos estivessem de férias, Yuuto ainda tinha que trabalhar, mas não em período integral. O professor já tinha planejado usar o tempo extra para ficar em dia com suas leituras, cosplays e quem sabe visitar seus avós nos finais de semana. Ainda assim, tinha mais tempo livre do que esperava.

Foi isso que Yuuto disse ao Seiji-kun. Era verdade, mas havia outro motivo por trás do sim instantâneo que ele deu, um motivo que o professor não dizer em voz alta, muito menos para si. O relacionamento peculiar entre eles cresceu nos últimos dois meses, tanto que Yuuto acreditava que eram mais que apenas musa e artista, professor e estudante. Ele realmente acreditava que havia uma amizade entre os dois, ou quem sabe mais.

Mas, poucos dias antes da formatura do Seiji-kun, Yuuto se viu com uma dor no peito toda vez que pensava em seu futuro ex-aluno. Ele achava que era porque um dos laços entre eles desapareceria, mas não tinha ideia de por que isso o incomodava tanto.

Parte dele pensava que a causa da preocupação era com relação ao que Seiji-kun falara no dia em que se tornaram musa e artista. Prometo que, enquanto ainda formos professor e estudante, não farei nada que desagrade você… Yuuto se sentia estranho toda vez que se lembrava da voz de Seiji-kun dizendo isso em sua mente, mas não mudava o fato de que um dos laços entre eles estava prestes a acabar.

Toda a cerimônia de formatura passou lentamente, tão lento que Yuuto se perguntou se algo estava errado com o tempo, como se ele estivesse se recusando a seguir do jeito adequado. O professor tentou procurar pelo Seiji-kun, mas entre tantas pessoas, era impossível. Quando acabou, e muitos de seus agora ex-alunos foram falar com ele, de repente tudo começou a se mover no dobro da velocidade e Yuuto desejou que tivesse mais tempo para preparar seu coração.

Finalmente, após quase todos os estudantes, formandos e pais foram embora e Yuuto se sentia um pouco triste, Seiji-kun apareceu. Embora ele conversou com Yuuto de forma bem normal e não provocadora, o aperto no peito do professor apenas aumentava.

Mas quando Seiji-kun se aproximou e sussurrou na orelha do professor que queria mais tempo juntos, Yuuto aceitou a proposta no mesmo segundo e teve problema para se conter e não abraçar seu antigo estudante bem ali, no meio da escola.

Mas, junto com o novo acordo, veio um problema imprevisto. Na segunda semana de março, Yuuto ficou sem novos cosplays para as sessões. Ele culpou sua felicidade por não perceber que isso aconteceria. Um pouco envergonhado por seu erro como musa, ele contou sobre a situação para o Seiji-kun, sempre evitando olhar nos olhos do ex-aluno.

Após um momento de silêncio do ex-aluno e o professor puxar a barra de sua camisa, Seiji-kun tocou gentilmente no queixo do Yuuto e forçou o professor a olhar em seus olhos. Ele disse com uma voz afável “não se preocupe. Um artista cuida da sua musa.”

Naquele momento, e até depois quando recordou-se, Yuuto percebeu que estava vermelho. Não é justo, pensou. Seiji-kun tinha o sorriso malicioso nos lábios e o brilho nos olhos que hipnotizava o professor. Não é justo usar esses dois ao mesmo tempo, Yuuto pensou enquanto deitava na cama, acariciando-se debaixo das cobertas.

Uma semana depois, quando o professor se esforçava em um novo cosplay para posar para Seiji-kun assim que podia, o ex-aluno enviou uma mensagem para ele vir a seu apartamento, sem maquiagem ou peruca.

Por que ele quer que eu vá? O que ele está tramando…? Ele… vai cuidar de mim? Com a personalidade do Seiji-kun, Yuuto já esperava alguma coisa que o envergonhasse. Será que ele tem um cosplay para mim? Ou, já que não tem peruca ou maquiagem, será que é outra festa, como da última vez? O professor nunca admitiria, mas se pegou querendo dançar com o Seiji-kun de novo.

Com metade dele curiosa e a outra metade nervosa, o professor decidiu ir e vinte minutos depois, ele estava batendo na porta do Seiji-kun.

O ex-aluno respondeu mais rápido que o costume, e, dado o sorriso em seus lábios, o professor sabia que ele tinha algo preparado logo de cara. Cinco segundos depois, Seiji-kun mostrou o que era. Em cima da mesa estavam duas roupas para cosplay. Um vestido vermelho chinês, calças pretas, dois ornamentos de cabelo redondos e uma sombrinha roxa. Ao lado dele estava um gorro preto com asas de morcego nos lados, um pequeno top vermelho na forma de morcego, um mini short com rabo de diabo e um par de meias preto e branco que ia até o joelho.

Antes de escutar qualquer tipo de explicação, a alma cosplayer de Yuuto aflorou e ele começou a examinar as roupas. Ambas pareciam compradas em lojas, eram muito bem feitos e pareciam representações perfeitas das personagens à primeira vista, mas as cores não combinam exatamente com as personagens.

— Tem algo de errado neles? — Seiji-kun sentou em seu banquinho e observou a reação do professor. Mas ele não aguentou continuar quieto depois de Yuuto circular a mesa três vezes.

Yuuto agachou-se e olhou para os cosplays mais de perto, tocando no tecido.

— Eles não são ruins, é só que… — Ele teve problema para tentar descrever. As cores não eram o único problema.

— Então você não gostou de nenhum deles. — Seiji-kun disse com um suspiro alto. — Eu sei que você é orgulhoso e tudo mais, mas não esperava que fosse tanto. Acho está sendo minucioso de propósito.

— Não tem nada a ver — o professor respondeu, levantando-se. — E além do que, você sabe que eu faço meus próprios cosplays, por que comprou esses? Você poderia ser paciente pra variar e esperar até que eu terminasse o próximo.

— Está demorando muito. Não tenho tempo pra esperar tanto — disse com seu tom autoritário. Seiji-kun fechou os olhos, respirou fundo e voltou-se para o professor. — Eu queria fazer uma surpresa para você. — O toque de honestidade na voz dele suavizou um pouco Yuuto.

O professor olhou para as roupas novamente, tentando ignorar as falhas insignificantes que só seus olhos de cosplayer podiam ver e imaginou-se usando elas…

— Não tem nada que eu possa fazer. Por causa do meu orgulho como cosplayer, eu só uso os que eu próprio fiz… — disse, seus ombros caíram. Quando Seiji-kun olhou para o chão, uma dor atingiu o coração do professor. Após uma semana toda sem se verem, Yuuto estava arruinando tudo por causa do seu orgulho. Mas isso também é por você, Seiji-kun. Eu quero ser a melhor musa possível para você, como ninguém jamais foi. — A menos que tenha outra ideia, você terá que esperar. — Se eu puder terminar o cosplay hoje, podemos ter uma sessão amanhã.

— Se eu conseguir encontrar roupas que se encaixem nos seus padrões extremamente altos e injustos, você posaria agora mesmo?

O instinto de Yuuto ativou e o professor franziu o cenho. Todo esse tempo com Seiji-kun o fez ler as entrelinhas do que o artista falava. Ele sabia que tinha alguma coisa escondida no que ele acabou de dizer, mas não conseguia dizer exatamente o quê.

Ele escolheu sua resposta com cuidado.

— Se as roupas que representarem a personagem não tiverem nada que eu possa reclamar, vou considerar.

Os olhos de Seiji-kun brilharam de repente, e um sorriso brotou em seus lábios. Ah não… mordi a isca… Yuuto soube no mesmo instante.

— Bom… tenho mais duas opções — disse o ex-aluno devagar. Ele se levantou, caminhou até um quarto e voltou com uma pequena caixa, a entregou para o professor e sentou no banquinho de novo. Seiji-kun assistiu com um sorriso e esfregando as mãos, quase ansioso para ver o que Yuuto faria.

Sem outra escolha, o professor tirou a tampa, olhou dentro… e então voltou-se para Seiji-kun, perplexo.

O ex-aluno, por outro lado, sorriu mais ainda.

— Eu sei com certeza que você não acha nenhum problemas nessas roupas — disse Seiji-kun como se tivesse feito algo incrível.

— Está falando sério? — Yuuto finalmente disse alguma coisa.

— Muito. — O sorriso presunçoso no rosto do Seiji-kun era fofo e irritante para o professor, mas agora estava mais para o último do que o primeiro.

— Não me lembro de dizer algo do tipo em qualquer momento. — Yuuto tentou ficar calmo, mas a raiva estava escapando em sua voz.

O sorriso no rosto do ex-aluno aumentou.

— Suas palavras exatas foram “eu acho o uniforme feminino da nossa escolha bonito. O preto e azul claro, combinado com a saia plissada o torna um dos melhores uniformes que eu já vi.” E quando perguntei se você queria usar, sua resposta foi “não sou um travesti, sou um cosplayer. Não confunda os dois, por favor.” — O sorriso de Seiji-kun ficou malicioso. — O que faz é um pouco estranho, já que você colocou aquele vestido para o casamento bem rápido.

Yuuto ficou vermelho imediatamente e abriu a boca, pronto para responder… mas nada veio. Ele está certo, o professor concordou contra sua vontade na cabeça. Ele não podia desistir tão facilmente, contudo.

— Eu… eu… não lembro de ter dito isso, mas… se eu disse, então você já sabe que eu não vou usar isso. Eu sou um cosplayer, afinal.

— Mas e se eu disser que isso também é cosplay? — Ele levantou as sobrancelhas e trouxe o banquinho para mais perto, as rodinhas arranhando o chão.

— Eu… hã… Eu… não acreditaria em você — mentiu Yuuto. Ele sabia que Seiji-kun iria provocá-lo, distorcer e esconder a verdade por trás de suas palavras sempre que queria, mas nunca mentiria assim. E mesmo assim o professor disse que não acreditava em seu ex-aluno por puro orgulho.

O antigo aluno pareceu não se importar que seu ex-professor duvidasse de suas palavras. Na verdade, ele parecia estar apreciando a conversa, quase como se tudo seguisse seus planos.

— E se eu puder provar que o uniforme também é um cosplay? Você vestiria pra mim aqui e agora?

Yuuto deu alguns passos para trás, tentando encontrar uma forma de fugir da conversa.

— Por que você está insistindo tanto nisso?

Seiji-kun arregalou os olhos e abriu a boca um pouco, só para fechá-la no segundo seguinte. Ele fechou seus olhos, pensando na pergunta por um momento.

— Eu estaria mentindo se dissesse que não pensei em vê-lo usando nosso uniforme.

— Eu… fico lisonjeado… mas isso… não é um cosplay… — insistiu o professor teimosamente. Ele gostou da ideia de Seiji-kun pensando nele. Yuuto já perdeu a conta de quantas vezes se pegou pensando em seu ex-aluno. No que ele estaria fazendo, no que ele diria sobre o cosplay que o professor escolheu, se gostou… e ainda assim, seu orgulho fez ele rejeitar a ideia de usar o uniforme do colégio Hyouzan.

Com um sorriso presunçoso no rosto e sem dizer nada, Seiji-kun pegou seu telefone, mexeu na tela rapidamente e passou para o professor.

Ele previu qual direção a conversa iria? Yuuto pensou e suspirou antes de voltar sua atenção para a tela.

Era uma cena de animê, o professor soube na mesma hora. A cena era em uma estação e cheia de personagens genéricos, fora o facilmente identificável protagonista com cabelo ruivo rebelde. Mas não importa o quanto ele olhasse, Yuuto não conseguia entender o que Seiji-kun queria mostrar para ele.

O ex-aluno parecia notar isso.

— Não está vendo? — perguntou antes de tocar na tela com o polegar e o indicador e dar um zoom na imagem.

Só quando estava tão perto que era impossível não notar foi que Yuuto reparou no que Seiji-kun queria mostrar a ele. Lá no fundo, quase invisível na cena por causa do protagonista, estavam alguns estudantes de outra escola, e o uniforme deles era idêntico ao que Seiji-kun deu ao professor, idêntico ao uniforme feminino da escola de Yuuto.

— Como… você encontrou isso?

— Internet. Preciso agradecer esses otakus enfadonhos — disse ele, balançando o telefone. — Joguei Escola Hyouzan, animê e uniforme na internet e após muita, muita coisa estranha — ele balançou a cabeça — achei um fórum em que um pessoal disse que nosso uniforme foi usado em um animê — terminou ele, com um ar de superioridade.

Yuuto ficou mudo. Ele pegou o celular da mão de Seiji-kun e olhou novamente para a imagem. É… o nosso uniforme, ele admitiu para si mesmo, aceitando a derrota.

— Mas não é um cosplay de verdade — disse em voz alta. O professor não ia desistir tão fácil. Graças à conversa de Seiji-kun, ele tinha uma vaga lembrança de ter falado sobre o uniforme feminino uma ou outra vez, mas ainda que tenha feito cosplay de personagens em uniformes escolares, ele nunca sentiu vontade de usar o da sua escola.

— Por que não é? Está em um animê. Ainda que seja só de fundo, tem uma personagem usando quase o mesmo uniforme. — Seiji-kun inclinou-se pra frente, diminuindo a distância entre eles ainda sentado no banquinho. — Você disse só personagens de mangá, animê e videogames, não é?

— Sim… — concordou, relutante, evitando os olhos de Seiji-kun. Eles eram intensos demais para o professor. Mas algo que o ex-aluno disse chamou sua atenção. — Não é o mesmo uniforme, todavia. Isso também fere meu orgulho como cosplayer — disse Yuuto, triunfante.

— É mesmo? — Seiji-kun franziu um pouco o cenho. — Então trazer um personagem a vida e levar alegria aos outros só vai até o ponto de algumas pequenas imperfeições. — Não era uma pergunta. — Nunca pensei que algo tão trivial fosse o suficiente para ferir seu orgulho.

O professor podia ver claramente que o Seiji-kun estava tentando manipulá-lo, sendo assim, ele escolheu suas palavras com cuidado.

— Talvez chamar de orgulho seja exagero, mas eu permaneço firme no que disse. Faço cosplay para alegrar os outros e a mim mesmo. Usar esse cosplay, usar o uniforme da nossa escola, traria alegria a quem?

— A mim — respondeu Seiji-kun sem uma gota de vergonha e com um sorriso genuíno.

O professor quase ficou vermelho. Usar esse rosto não é justo, pensou novamente.

— Mas não estamos aqui para entreter um ao outro. Estamos aqui como artistas. Musa e pintor. — Amigos e… Yuuto queria dizer, mas nem ele tinha certeza, então guardou para si.

— Você está certo. — O sorriso ficou um pouco menor e muito mais malicioso. — Então, por favor, me diga qual o seu limite como artista. Você traz personagens à vida, mas isso inclui fazer coisas que as personagens possam fazer?

— Sim. — As palavras saíam da boca de Yuuto antes que ele pudesse impedir. — Se combinar com a personalidade da personagem, eu poderia fazer — adicionou, já que ele não podia mentir para Seiji-kun de qualquer forma. Já fiz isso antes, pensou Yuuto, mas manteve para si.

Após seu terceiro ou quarto evento, quando Yuuto decidiu adentrar no mundo do cosplay de verdade, sua irmã pediu para ele fazer uma sessão de foto de cosplay como a personagem principal do mangá Vampire Chevalier antes que fosse descoberta como a própria vampira. Yuuto aceitou na hora. E após um pouco de pesquisa, ele descobriu que muitos cosplayers faziam esse tipo de coisa, e ficou animado com a ideia. Era uma ótima forma de começar.

O que ele não podia imaginar, o que sua irmã escondeu dele, era o fato de que Yuuto não faria a sessão de fotos sozinho. Após o professor já estar vestido de cosplay, uma camisa preta de uniforme escolar com detalhes brancos, uma saia preta com babados, meias três quartos pretas e uma peruca castanha que ia até a altura dos ombros, Yuuka mencionou casualmente que ela tinha convidado mais pessoas para participar.

Eram dois cosplayers homens que, na realidade, organizaram a sessão de fotos porque estavam procurando por alguém para fazer cosplay da personagem principal.

Quando ele tentou recusar, Yuuka o manipulou, mencionando coisas como se tornar a personagem e viver como ela, levar aquela mídia à vida e várias outras coisas que ele não conseguia lembrar. No fim, ele posou e foi uma das coisas mais vergonhosas que fez em toda sua vida.

Quase uma semana depois, quando ele viu as fotos, seu rosto ficou com um tom alarmante de vermelho. Uma das poses mais embaraçosas foi a em que Yuuto deitava e os outros cosplayers quase abraçavam ele, um em volta da cintura e o outro no peito. Outra foto tinha eles quase deitados em cima de Yuuto, cuja camisa fora molhada com água. E também tinha uma foto dos dois quase mordendo o pescoço do professor ao mesmo tempo. Ele não se lembra daquela cena no animê nem no mangá, mas sabia que era algo que a personagem principal faria.

Foi só uma ou outra vez, e é claro que ele tinha seus limites, mas se ele negasse agora, Seiji-kun saberia imediatamente.

Disfarçando, o professor não tinha ideia de como escapar.

— Tá — disse Seiji-kun de repente. — Então eu vou me livrar desse uniforme e pedir que você traga essa personagem para cá, agora. — Ele pressionou a tela do seu celular, ficou mexendo nele por um momento e depois mostrou para Yuuto.

De início, o professor não sabia para o que ele estava olhando… então sentiu um calafrio. Não precisa nem ver o que Seiji-kun queria mostrar para ele. O professor estava mais preocupado com o site. Era o blog do Yuuto, ou melhor, era o blog da Yuuno.

— Seiji-kun… como… como você descobriu meu… blog? — Foi uma pergunta idiota, ele soube assim que ela deixou seus lábios.

— Depois que você me contou seu nome, como eu não poderia procurar? — perguntou ele com um sorriso malicioso.

Yuuto engoliu em seco. Um dos motivos pelo qual manteve seu nome de artista escondido era exatamente para prevenir coisas desse tipo. Ele não tinha vergonha nem nada do blog, mas havia algumas fotos que ele preferiria que seu ex-estudante nunca visse. Especialmente aquelas que sua irmã tinha organizado.

— Devo dizer, nunca pensei que você posaria assim com outros homens. Até eu fiquei com vergonha vendo essas fotos — disse e evitou olhar nos olhos do Yuuto, as maçãs de seu rosto um pouco vermelhas.

O professor sabia que era encenação, mas isso não o impediu de ficar vermelho também.

— Aquilo foi… foi… — Yuuto deixou os ombros caírem — eu… vivendo a personagem — adicionou em voz baixa.

— Com isso em mente. — Ele mostrou o celular de novo. — Eu gostaria que você vivesse essa personagem.

Após um longo suspiro escapar de seus lábios, Yuuto olhou para a tela de novo, e dessa vez ele viu imediatamente o que Seiji-kun estava tão ansioso para mostrar. Era uma foto do professor fazendo cosplay de Hayama Yuna. A personagem não tinha nada de errado, mas a personalidade dela… Agora o professor se arrependia de ter feito aquela enquete perguntando qual personagem os visitantes do blog queriam que Yuuno trouxesse a vida a seguir.

— Eu… eu já fiz cosplay dela para você… — Ele sabia que não funcionaria, mas ainda precisava tentar.

— Ah, eu lembro, mas, naquela vez, você ficou escondendo a personalidade dessa personagem de mim, não importa o quanto eu perguntasse. Agora que tenho mais informação, até já sei por que.

Yuuto engoliu em seco de novo. Essa informação da qual Seiji-kun falava provavelmente era a personalidade da personagem. Yuuto se arrependeu de fazer a enquete porque, após ser decidido, ele procurou saber quem ela era. O que o cosplayer encontrou foi… único. Hayama Yuna gostava de roupa íntima. Gostava muito. Ela não era uma pervertida nem nada, mas ela amava calcinhas e sutiãs, tanto que começou um clube para ajudar as garotas a entender a importância da roupa íntima certa. Mas a parte principal dela era o fato de que nunca ficava envergonhada quando o assunto surgia.

— Acho que você sabe o que quero que faça, não é? — Seiji-kun pediu, sua voz gentil.

Yuuto sabia o que era, mas ele ainda tentou encontrar algo para tirá-lo daquela situação. O professor sorriu.

— Sim, eu sei — disse com tamanha confiança que o sorriso de Seiji-kun diminuiu. — Sou um homem e não volto atrás em minha palavra. Se quer que eu traga essa personagem a vida e pose de roupa íntima, o farei. Mas só tem um problema. Para me tornar ela, precisarei de uma peruca — terminou, com um sorriso presunçoso.

Por um momento, Seiji-kun ficou sem reação, então seus lábios tremeram. Ele os mordeu na mesma hora, mas quando cobriu a boca com a mão, Yuuto sabia que era alguma coisa. Após um tempo, o ex-aluno não conseguiu segurar mais e soltou o riso que ecoou. Quando ele finalmente parou, ele fez um gesto na direção da mesa, apontando para a caixa com o uniforme.

Suspeitando o pior, o professor pegou a caixa e tirou a jaqueta e a camisa. Debaixo estava a saia plissada preta e azul. Yuuto olhou para Seiji-kun, que o encorajou a continuar. Com mãos hesitantes, o professor tirou a saia da caixa… e o que estava debaixo era uma peruca castanha com dois rabos de cavalo laterais… o mesmo penteado que a personagem Hayama Yuna.

Yuuto ficou mudo. Seiji-kun, por outro lado, sorriu como uma criança. O professor olhou em volta, encarando o cosplay comprado em loja, o uniforme em sua mão e a peruca na caixa.

— Você fez tudo isso pra me enganar? — Yuuto não tinha ideia se deveria se sentir bravo, mas ele estava tão cansado que simplesmente desistiu. Aparentemente, provocá-lo era um entretenimento maior para ele do que o professor pensara.

— Acredite, valeu a pena. — Ele ainda tinha o sorriso, tanto nos lábios quanto nos olhos.

Olhar para aquele rosto brilhante fez o professor suspirar em derrota, então ele sorriu também.

— Se tem tempo pra isso, deveria ter usado pra pensar no futuro.

— Não quero pensar no futuro — disse, seu sorriso sumiu por um momento. Ele fechou seus olhos e respirou fundo. — Quero passar tempo com você agora. — Quando ele olhou para o professor de novo, o sorriso voltou, mas era menor e um pouco triste do que antes.

Yuuto queria falar mais sobre o assunto, mas ele sabia que Seiji-kun evitava a questão toda vez. Desde o começo do ano escolar, alguns dos docentes estavam preocupados já que um dos seus alunos mais famosos, alguém família Akaishi, não tinha planos para o futuro. No formulário, Seiji-kun escreveu “nada em especial” como objetivo. E quando o professor foi falar com ele, foi o mesmo que conversar com uma parede.

A última tentativa foi após as férias de inverno, depois de Seiji-kun descobrir sobre o cosplay. Daquele ponto em diante, quando todos acreditavam que Yuuto era responsável pela volta do Seiji-kun à escola, a diretoria insistiu que ele continuasse perguntando sobre os planos do estudante.

Seiji-kun evitava o assunto até com Yuuto. Mas, conforme o relacionamento deles crescia, o professor notou o motivo por trás do comportamento do estudante. Não era por ser um moleque mimado como alguns professores viviam dizendo. Era por causa do avô de Seiji-kun.

Pouco a pouco, sessão a sessão, Yuuto descobria mais sobre Seiji-kun. Seu avô ficou doente em setembro, na mesma época em que ele terminou com a ex-namorada.

Mas se ele está feliz assim, acho que o avô deve estar melhor. Na última vez que o professor ficou sabendo de alguma coisa, Seiji-kun tinha boas notícias. O avô dele saiu da unidade de tratamento intensivo e voltou a um quarto particular.

Yuuto olhou para seu aluno e uma ideia surgiu em sua mente. Ele ficou vermelho ao pensar aquilo, mas valia tentar.

— Se… se eu fizer isso — ele pegou a peruca —, promete que vamos falar sobre seu futuro?

Seiji-kun continuou ilegível de início, e então seu rosto relaxou.

— Claro, claro — suspirou. Mas quando abriu os olhos novamente, ele estava sorrindo. — Sendo assim, vamos começar, por favor — disse o ex-aluno.

Preso por suas próprias palavras, Yuuto foi ao banheiro e voltou cinco minutos depois, usando nada além da peruca, a meia preta com listras brancas que ia até o joelho e uma lingerie de laço vermelho que já estava o aguardava no balcão.

— Isso é exagero, até para a personagem — disse, deixando os ombros caírem.

Seiji-kun sorriu.

— Discordo. Acho que combina com você, digo, a personagem, perfeitamente.

Foi uma das poucas e raras vezes em que Yuuto não sabia dizer se o sorriso do seu ex-aluno era genuíno ou malicioso. Uma coisa que o professor notou era que os dois tipos estavam ficando mais difíceis de ler a cada dia. É porque ele realmente ama me provocar? Mas ele não tinha tempo para pensar nisso, já que Seiji-kun parecia impaciente para começar a pintar.

— Vamos, deite. — Ele fez um gesto na direção do sofá.

O professor deitou como mandado e esperou. Após todo esse tempo, Yuuto desistiu de tentar posar seguindo as instruções dele. Ele nunca ficava como o ex-aluno queria de qualquer forma, então Seiji-kun simplesmente colocaria o professor na posição que tinha em sua cabeça, como se Yuuto fosse uma boneca moldável.

Hoje não foi diferente. Seiji-kun caminhou até Yuuto e começou a colocar as mãos, braços e pernas do professor na posição que ele queria sem nem se incomodar em dizer algo.

Por mais que Yuuto estivesse acostumado, ainda se sentia muito esquisito. O toque de Seiji-kun sempre o fazia sentir algo, e apesar de saber que não deveria, não queria que o ex-aluno parasse de tocá-lo. Seu corpo reagia a isso, o sangue fluindo para onde não deveria.

Mas, por algum motivo, hoje não teve nada. O toque de Seiji-kun foi o mesmo, completamente focado em fazer Yuuto ficar na pose de sua cabeça, e nunca tentando deixar o professor embaraçado. Ele não está tão concentrado porque não pode parar de pensar no avô?

Finalmente, o ex-aluno terminou e sentou no banquinho sem dizer nada.

Yuuto olhou para a pose. É assim…  mesmo que ele quer me pintar? A pose era bem simples, especialmente para um artista como Seiji-kun, que ama fazer seu modelo ficar vermelho. O professor tinha uma perna abaixada e a outra cruzada, cobrindo a saliência criada por seu membro. Os braços estavam cruzados e as duas mãos cobriam o sutiã. Não é brega nem nada, mas… Yuuto não sabia como se sentir. Para ele, as poses que o pintor o colocava eram interessantes, mas só após o professor ver a arte completa que ele notava como as poses eram maravilhosas. Talvez fosse a habilidade de Seiji-kun fazer posições simples ficarem incríveis, mas a que Yuuto estava fazendo agora não parecia que acabaria da mesma forma que as outras.

Seiji-kun olhou para Yuuto, seus olhos completamente imersos e concentrados. O professor engoliu em seco. Aquele olhar sempre o atiçava mais do que deveria, especialmente considerando que o ex-aluno o fazia de forma inconsciente. E também deixava Yuuto ficar vermelho. Era mais efetivo do que quando Seiji-kun tentava fazer de propósito. Mas, por algum motivo, ele ainda não tinha notado esse efeito.

Seiji-kun mal pegara o pincel e já o soltara.

— Está faltando alguma coisa — disse mais para si mesmo do que para o professor. Antes que Yuuto pudesse dizer alguma coisa, o pintor foi até a geladeira e quando caminhou de volta para o sofá, tinha um cubo de gelo na mão.

— O que você pretende fazer com isso? — perguntou Yuuto, mas já tinha uma vaga ideia.

Sem falar nada, Seiji-kun lambeu o gelo e se agachou, trazendo seu rosto perto demais do de Yuuto. O professor olhou para outra direção, e antes que percebesse, o ex-aluno estava esfregando gentilmente o cubo de gelo em Yuuto, começando do pescoço. Gelado… o professor pensou, ficando vermelho.

Mas Seiji-kun não notou ou ligou. Ele chegou lentamente ao peito, e ficou um bom tempo lá, circulando em volta do sutiã. Os mamilos do Yuuto ficaram duros e a mão de Seiji-kun parou por um momento. Ele olhou para os olhos de Yuuto, levantando uma sobrancelha. Agora o professor podia afirmar que era um sorriso malicioso.

— Está frio — tentou dar uma desculpa antes que o ex-aluno pudesse dizer qualquer coisa.

— Hum… — Seiji-kun continuou deslizando o cubo na barriga de Yuuto, o sorriso malicioso permanecia em seus lábios.

Yuuto respirava e exalava lentamente, tentando controlar os impulsos de seu corpo. Mas quando Seiji-kun esfregou o cubo por sua perna, ele sentiu uma excitação nas partes baixas que não pôde controlar.

— Já está bom, não acha? — Yuuto soltou, tentando tirar a atenção de Seiji-kun das partes baixas de seu corpo.

O ex-aluno olhou para ele, e então o cubo saiu das pernas de Yuuto. Seiji-kun caminhou lentamente para seu banquinho e comeu o gelo enquanto olhava nos olhos do professor. Yuuto desviou o olhar e o silêncio se seguiu enquanto o ex-aluno pintava, mas foi por pouco tempo.

— Eu já falei para não mudar de pose só porque ficou bravo — repetiu Seiji-kun.

— Eu não mexi um milímetro — disse Yuuto em sua defesa. Ele não fizera nada, mas ainda respirava rápido, tentando relaxar. Embora não estivesse animado no começo, agora ele queria ver que tipo de pintura o ex-aluno faria.

— Até que ponto você viverá a personagem? — Seiji-kun perguntou de repente, ainda movendo sua mão. Embora mantivesse os olhos no quadro, Yuuto podia dizer que sua mente estava em outro lugar.

— Até que ponto?

— Eu assisti alguns animês que você fez cosplay e notei que alguns personagem falam de forma bem irritante, então quero saber se você também fala daquela forma em convenções e competições. — Seus olhos saíram totalmente do quadro e foram para o professor.

— Sim — respondeu Yuuto após um tempo. Antes das convenções e eventos, o professor estudava as personagens e praticava, embora tentar falar como elas fosse mais difícil do que parecia. — Mas não diga que é irritante. Muitas são fofas. — Ele defendeu as personagens que fazia cosplay, embora pudesse entender o que o Seiji-kun dizia.

— É mesmo? — disse, seus olhos voltaram ao quadro, o sorriso malicioso nos lábios. — Então eu gostaria de ver agora.

— Eu me recuso — disse Yuuto, áspero. Mas quando o ex-aluno se voltou para ele com um olhar questionador, ele rapidamente adicionou: — Eu preciso praticar antes de poder fazer isso. — Era verdade, e Seiji-kun podia perceber. O que Yuuto guardou para si era o fato de que era embaraçoso. Uma vez sua irmã pegou ele praticando, terminando suas frases com nyaa, que nem um gato. Ele não queria escutar aquele tipo de risada de novo.

O pintor mal moveu o pincel quando parou novamente.

— Eu nunca perguntei isso para você, mas como se sente com homens usando suas fotos pra sentirem prazer? — perguntou ele, casualmente.

— Por que você está perguntando isso agora? — A pergunta completamente repentina e vergonhosa pegou o professor desprevenido e ele ficou vermelho de orelha a orelha. Ele tentou se acalmar, mas o assunto sempre o incomodou desde que começou a fazer cosplay. Sua irmã avisou para não dar trela, que não podia controlar o que os outros faziam e que deveria se focar na felicidade que trouxe. — Eu me sinto mal. Quem não se sentiria?

— Eu não iria ligar — interrompeu Seiji-kun. — Me sentiria lisonjeado que só minha aparência poderia fazer alguém sentir prazer — disse com um rosto normal.

— No meu caso são homens. — Ele queria balançar a cabeça e mandar a ideia embora, mas isso acabaria com a pose e, como musa, ele não faria isso. — No seu caso, seriam principalmente garotas, já que você é bonito e tudo mais — soltou. Demorou um segundo para notar o que dissera, e ficou vermelho de novo.

— É isso que você acha? — Seiji-kun disse. Yuuto esforçou-se para evitar olhar para ele, mas ainda podia sentir um sorriso se formando nos lábios do ex-aluno.

Não importa o quanto tentasse se acalmar, o professor sentiu as maçãs do rosto queimando de vergonha. Ele se esforçou para pensar em outro assunto, mas o ex-aluno foi mais rápido.

— Eu li sobre alguns cosplayers que encontram seus fãs mais fanáticos. Já encontrou um?

— Sem comentários — disse o professor. Sob um acordo não oficial, Yuuto e Seiji-kun podiam perguntar qualquer coisa um ao outro, e tinham que responder com honestidade. Melhor, Yuuto tinha, já que ex-aluno sempre sabia se o professor estava mentindo ou não. Quando o professor não queria responder, ele podia dizer “sem comentários” e Seiji-kun não insistiria.

O motivo pelo qual que escolheu não dizer nada foi porque Yuuto não queria reviver aquela memória, quando um fã o prendeu no banheiro feminino em uma convenção. O homem disse que amava Yuuno desde o primeiro evento dela e que tudo que queria era apertar sua mão. Yuuto permitiu, com medo de que algo a mais acontecesse caso negasse. Mas ainda aconteceu. O fã ficou tão feliz que perdeu todos os parafusos da cabeça, pulou em cima do professor e lambeu ele. Se não fosse por uma garota que tinha entrado no banheiro naquela hora e chamado o segurança, Yuuto não teria ideia do que poderia ter se seguido.

Ao menos pôde tirar uma coisa boa daquela experiência. Após ficar amigo da garota que o salvou, os dois acabaram namorando alguns meses depois. O rosto chocado, depois impressionado, e então bem invejoso do fato de que seu namorado podia ser mais bonita que ela ainda fazia Yuuto sorrir quando se lembrava.

Mas o professor precisava estar preparado. Havia algo quando se recusava a responder uma pergunta. Toda vez que Yuuto fazia isso, havia uma reação; a questão seguinte do Seiji-kun era muito mais vergonhosa. Era a forma do ex-aluno mostrar sua irritação por ser recusado. Yuuto preparou-se para isso, mas Seiji-kun tocara em um assunto sensível, então a próxima questão poderia ser do mesmo assunto, mas ainda pior.

— Já sentiu prazer pensando em um homem alguma vez? — Seiji-kun trouxe uma pergunta ainda mais embaraçosa, como o professor esperava.

— SEM COMENTÁRIOS! — Yuuto soube logo de cara que estragou tudo. Ele não só gritou, mas também pode sentir seu rosto todo queimando.

Embora ele não quisesse relembrar, a memória inundou sua mente.

Depois daquela segunda-feira, quando Seiji-kun ainda era seu aluno e tinha pedido que o professor fosse sua musa, após tentar sentir prazer sozinho sem sucesso, Yuuto desistiu do bom senso, e relembrou do que acontecera no mesmo dia. A forma como Seiji-kun tocara nele, seus mamilos, o símbolo de sua virilidade lá embaixo… seu membro ficou duro quase na mesma hora. E ele o acariciou, seu sêmen saindo bem rápido. Mas não foi o bastante para livrar seu corpo do calor, então ele se masturbou mais três vezes naquela noite, sempre pensando em Seiji-kun e na forma como suas mãos frias o tocaram… E aquela não foi a única que ele fez isso.

Ah não… A memória foi o bastante para fazer algo se excitar entre as pernas de Yuuto. Não importa como tente pensar em outra coisas, seus pensamentos voltavam ao toque de Seiji-kun.

— Você não está bem conversador hoje? — perguntou Yuuto, desesperado para tirar a atenção de si. Mas no momento que ele falou, ele percebeu a verdade por trás de suas próprias palavras.

Por mais que conversassem, nunca foi esse tanto. Só poucas trocas de palavras, mas na maior parte antes ou após as sessões. Yuuto gostava muito dessas conversas. Graças a elas, eles aprendiam muito um sobre o outro, mas o professor manteve em segredo do pintor que ele preferia quando eles não falavam durante a sessão. Ver o Seiji-kun pintando era hipnotizante. A forma como seu rosto ficava parado, quase congelado de tanta concentração, seus olhos brilhavam com algum tipo de energia, suas mãos segurando e movendo o pincel delicadamente, sua respiração tão lenta que Yuuto algumas vezes se perguntava se ele ao menos respirava… Yuuto começou a amar ver Seiji-kun pintando.

Mas hoje o professor não viu nada disso.

O ex-aluno congelou por um segundo e então o pincel se moveu novamente, quase como se nada tivesse acontecido. Yuuto notou, contudo. Não importa se tivesse sido por menos de um segundo, Yuuto notara.

— Sem comentários — disse Seiji-kun, com um tom sem emoção.

Então Yuuto percebeu.

Por trás de toda essa conversa em excesso, todos os cosplays que ele comprou, toda a provocação, toda a inquietação… Eu sou um idiota! O professor gritou consigo mesmo em sua mente. Como pude ser tão cego?

Antes que ele próprio percebesse, Yuuto pulou do sofá e diminuiu a distância entre eles em um instante, seus braços envolveram cabeça de Seiji-kun.

— O que você está fazendo? — A voz de Seiji-kun saiu abafada. Mas o ex-aluno não recuou e nem tentou sair do abraço.

— Sinto muito por não ter percebido antes. Sou um idiota — disse Yuuto, apertando o abraço. Por trás de tudo que ele fez hoje, havia uma coisa que Seiji-kun tentava esconder: a dor. — Seu avô… ele piorou, não foi? — perguntou o professor, em um sussurro.

Seiji-kun ficou completamente parado por um instante.

— Você consegue me ler tão bem. — Ele tentou rir para fugir do assunto, mas sua risada morreu quase na hora. Por um longo tempo, eles ficaram daquele jeito, em silêncio, até que o ex-aluno devolveu o abraço do professor. — Ele está em coma. — Seiji-kun mal conseguiu falar. Então ele tremeu nos braços de Yuuto.

Yuuto sentiu uma dor no coração. Seiji-kun… Ele não sabia o que o ex-aluno era para ele, mas ele sabia que queria ajudá-lo. Não porque Yuuto era uma musa e Seiji-kun um artista. Não porque eles eram ex-professor e estudante, mas porque Seiji-kun era importante para ele.

Ele não sabia como podia ajudar, então a única coisa que Yuuto fez foi abraçar com mais força.

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