Por Favor 4 Parte 1

Esta história contém conteúdo não recomendado para menores de 16 anos.

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Como foi que eu acabei aqui? O pensamento cruzou a mente de Yuuto enquanto ele contemplava os olhos de Akaishi-kun.

Se pudesse, o professor já teria saído correndo dali. Seja para o banheiro ou para qualquer outro lugar. Mas na situação que estava, com Akaishi-kun o segurando pela mão e quadril e dançando sob os olhares de tantas pessoas, fugir não era uma opção.

O estudante, por outro lado, tinha um sorriso nos lábios enquanto conduzia a dança. Akaishi-kun parece feliz, o professor pensou, suas bochechas avermelhando. Pelo menos ele está se divertindo depois daquilo. Yuuto suspirou em sua mente, um sorriso aparecendo em seus lábios antes que notasse.

— Qual o problema? Você parece vermelho. — Akaishi-kun deslizou a mão dos quadris até a lombar de Yuuto, puxando o professor mais perto. — E posso dizer que não é a maquiagem — ele sussurrou em seu ouvido.

O professor arregalou os olhos, esqueceu que estava dançando, se afastou por reflexo… e tropeçou nos saltos. O aluno pegou Yuuto e o trouxe ainda mais para perto, seus rostos centímetros um do outro, os narizes quase tocando.

— Não se preocupe — ele apertou a mão de Yuuto com mais força, mas de alguma forma ainda era gentil. — Eu disse que eu o pegaria.

O professor não sabia se era por causa da dança, ou dos sussurros que ele acreditava escutar, mas definitivamente sentiu seu rosto corando. Como foi que eu acabei aqui? O pensamento cruzou sua mente mais uma vez.

Aquela manhã de sábado começou melhor que a maioria. Ele iria trabalhar, então Yuuto acordou, tomou café da manha e foi para a escola. Mas como era meio expediente, estava em casa na hora do almoço. E graças ao fato de Akaishi-kun ter resolvido seu problemas de faltas com o vice-diretor, o professor não precisava mais ver o estudante no colégio. Apesar de ter se acostumado, e talvez até começado a gostar da relação um tanto quanto diferente deles, Yuuto não gostava de lidar com o turbilhão de sentimentos que sentia sempre que colocava os olhos em Akaishi-kun.

As coisas estavam tão bem naquela manhã que o professor não acreditava que qualquer coisa conseguiria acabar com seu humor. Como não tinha nada relacionado à escola para fazer, Yuuto decidiu trabalhar no seu cosplay mais recente. Com um pouco de sorte, ele terminaria antes da meia-noite.

Tenho certeza Akaishi-kun vai adorar pintar isso amanhã, Yuuto pensou, o sorriso aparecendo em seus lábios antes que percebesse. Que pose isso ficaria bem? Ele se pegou pensando em várias poses enquanto cantarolava. Com isso em mente, o professor sentou na cadeira e ligou a máquina de costurar, sua mão já mexendo o tecido.

Desde que virou musa, Yuuto posava para Akaishi-kun quase todos domingos. No começo, o estudante não gostou. Ele disse, do jeito exigente dele, que queria mais tempo juntos. Essa foram suas palavras exatas. O professor precisou lembrar Akaishi-kun que o professor tinha responsabilidades e uma tarde era o máximo que poderia ceder.

A razão era uma meia-verdade, uma que Yuuto conseguiu pensar depois de um longo tempo. Já que Akaishi-kun parecia conseguir ler o professor tão bem, ele precisava considerar suas palavras com cuidado.

Enquanto era verdade que ele tinha responsabilidades, Yuuto podia ceder mais dias se quisesse. Mas agora já era difícil o suficiente desaparecer todo domingo com um cosplay sem levantar suspeitas de sua irmã. Se ele posasse por mais dias, Yuuka com certeza notaria, e a última coisa que o professor queria era mentir para sua irmã. Não que ele conseguisse. Ela também conseguia ver através dele facilmente.

Eu vou conseguir! Yuuto pensou algumas horas depois, limpando o suor da testa com as costas da mão. Se manter esse ritmo, posso terminar antes da meia noite! Completamente concentrado, o professor costurou mais rápido, a imagem do rosto surpreso de Akaishi-kun como combustível. Nada pode me parar agora!

Assim ele pensava. Mas perto das seis horas, o celular tocou e a tela brilhou.

Cerrando os lábios e suspirando fundo, ele pegou o aparelho. Quando viu de quem era o email, a raiva desapareceu de seu rosto quase na mesma hora. Como Akaishi-kun sabe meu email? Eu passei pra ele? O professor dispensou o pensamento com uma sacudida da cabeça.

Com um sorriso nos lábios, ele desbloqueou o celular, leu o email… e então quase derrubou o aparelho. O que…? Yuuto piscou algumas vezes. Eu devo ter lido errado. É isso. Estou cansado afinal de contas, ele pensou. Mesmo o email tendo apenas três frases, ele leu de novo.

O cosplayer não leu errado da primeira vez. O conteúdo era tão simples e autoritário Yuuto conseguiu ouvir a voz de Akaishi-kun enquanto lia pela terceira vez. Venha para meu apartamento. Em uma hora. Mas o que quase fez o professor derrubar o celular era a última, e mais estranha, linha. Sem cosplay.

Mas hein…? Ele quer que eu vá, mas sem cosplay? Por que? Mesmo agora, depois de ler pela quarta vez, era difícil acreditar. Será que alguma coisa aconteceu? Tem alguma coisa errada… Ele pode ser irracional as vezes, mas isso é diferente… Yuuto notou, um pouco tarde demais para impedir, que ele não só se acostumou com a situação deles, mas também tinha se pego pensando algumas vezes que o jeito de Akaishi-kun era bonitinho.

No começo, o professor pensava que seu estudante era apenas um menino rico e mimado. Mas depois de algumas sessões de musa, Yuuto descobriu um pouco do que estava por trás daquele sorriso maroto, olhos intensos e brincadeira usual.

Por um lado, o jeito dele mandar em Yuuto sem nenhum pudor era devido a forma que foi criado. As pessoas ao redor dele costumavam fazer o que ele dizia independente se ele pedisse de forma educada ou não. Mas Akaishi-kun também tinha seus momentos atenciosos com o professor.

Uma tarde, quando Yuuto começou a tremer devido ao frio, o estudante aumentou a temperatura. Em um outro domingo, depois dele tossir algumas vezes, Akaishi-kun descansou o pincel, foi até a cozinha e trouxe um copo d’água para o professor. Em outra ocasião, Yuuto sentia-se um pouco febril, Akaishi-kun deu um remédio e o fez descansar, dizendo que poderia pintar quando o professor estivesse melhor. Mesmo que tenha pintando Yuuto enquanto o mesmo dormia, Akaishi-kun fez tudo isso antes que Yuuto falasse qualquer coisa.

Deve ter acontecido alguma coisa, o professor pensou enquanto mexia os dedos. Em menos de vinte segundos, ele tinha escrito a resposta. Aconteceu algo? Porque sem cosplay? Yuuto apertou enviar e descansou o aparelho na mesa, voltando para seu cosplay. Mas depois que se pegou olhando para o celular pela terceira vez em menos de um minuto, ele desistiu de costurar.

Yuuto colocou os dois pés na cadeira e observou o aparelho, batendo os dedos nos joelhos. Logo ele parou o tamborilar e começou a balançar na cadeira. Depois do que pareceram horas, o celular tocou de novo, e as mãos do professor voaram até o aparelho. Quando ele leu o email, seus olhos estreitaram. Era ainda menor que primeiro. Traga sua peruca branca.

Porque ele está muito mais mandão hoje? Isso não é nem um pouco bonitinho! Digitando o mais rápido que podia, Yuuto escreveu de volta e apertou enviar. Dessa vez o celular tocou quase na mesma hora com a resposta mais recente de Akaishi-kun. Quando o professor viu a razão por ter sido tão rápido, ele fechou os olhos, inspirou lentamente pelo nariz e expirou pela boca, tentando conter a raiva. Não funcionou. De alguma forma, o email era ainda menor. Venha.

Com a raiva borbulhando, Yuuto escreveu de volta. Se não vou posar, não vejo razão para ir. Me diga o que está acontecendo, senão, não vou.

A resposta foi tão rápida quando a anterior, mas pelo menos era maior, apesar do conteúdo quase fazer Yuuto cair da cadeira. Se não estiver aqui em uma hora, vou ai pegar você.

É um blefe… né? Ele não sabe onde eu moro… sabe…? Yuuto tentou lembrar das sessões de musa, como o estudante insistia chamar. Era difícil lembrar de todas, mas o professor acreditava que nenhuma das conversas acabou nesse assunto. Então como ele descobriu meu email?

Yuuto conseguia imaginar muito bem Akaishi-kun vindo até seu apartamento só para buscar o professor. E dado o jeito dele, o estudante viria num jeito chamativo, como num carro caro ou limusine ou algo pior. Então Yuuto imaginou sua irmã conhecendo Akaishi-kun… um calafrio desceu pela coluna dele.

Com os dedos mexendo lentamente, o professor escreveu a resposta final. Eu vou. Ele apertou enviar com um sentimento de derrota o preenchendo, a cabeça abaixada. A resposta também veio rápida. Estarei esperando por você. Yuuto jogou o celular na cama.

Droga… mais uma vez ele está me manipulando como quer, Yuuto pensou enquanto remexia o material de cosplay por suas perucas. O professor segurou três perucas que batiam com a descrição de Akaishi-kun. Qual é?  Depois de um momento pensando, ele escolheu a mais longa, a que passava dos ombros, e guardou as outras duas junto com o resto das perucas.

 Antes que percebesse, a raiva e o sentimento de derrota foram embora, substituídos pela memória que vieram com aquela peruca. É a mesma que eu estava usando quando Akaishi-kun descobriu sobre minha arte, ele pensou, um sorriso gentil em seus lábios. Será que ele lembra?

Outro toque de seu celular acordou Yuuto de suas lembranças. Com a peruca em mãos, ele pegou o aparelho. Era outro email de Akaishi-kun e quando o professor leu, ele suspirou. Rápido.

Porque ele está tão impaciente hoje? Com isso em mente, Yuuto pegou a bolsa e jogou a peruca e os pinos para prender o cabelo dentro. Porque só a peruca? Ele se perguntou de novo, mas não chegaria em lugar algum pensando nisso agora. Com um último olhar para seu cosplay quase terminado, Yuuto suspirou, saiu do quarto e se despediu de sua irmã, tão rápido que não deu tempo para ela perguntar qualquer coisa.

Menos de meia hora depois, Yuuto estava virando na esquina da rua de Akaishi-kun… e seu coração quase congelou. É só uma coincidência, não é…? Estacionada bem na frente do prédio de seu estudante, estava uma limusine. É só uma coincidência… o professor disse para si de novo. Esse é um prédio chique. Tem muitas pessoas ricas vivendo aqui… Sim, é isso mesmo. Só uma coincidência…

Com dificuldades, Yuuto tirou os olhos da limusine e antes que falasse qualquer coisa, o porteiro o deixou entrar com um sorriso e uma reverência. Quando as portas do elevador abriram, uma senhora saiu, sorriu quando viu Yuuto e perguntou se ele gostou da loja de tecidos que ela recomendou. Yuuto agradeceu, dizendo que era ótima.

Eu venho aqui demais, o professor pensou quando disse adeus para a senhora e as portas fecharam. Apesar de começar a gostar, Yuuto as vezes se perguntava o que mais Akaishi-kun conseguia do relacionamento deles. O que vai acontecer quando eu não conseguir mais inspirar ele? O pensamento causava uma dor estranha em seu peito, tanto que o professor decidiu não se preocupar e apenas apreciar o presente. Mesmo assim, essas dúvidas o pegavam sempre que estava desprevenido.

— Você tomou seu tempo. — Essas foram as palavras de cumprimento de Akaishi-kun quando o estudante abriu a porta.

— Eu estava trabalhando — Yuuto retrucou, tirando os sapatos e entrando sem esperar pelo convite de Akaishi-kun. — Você está cada vez mais autoritário.

— Hoje eu tenho minhas razões.

— Existe uma primeira vez pra tudo. — Yuuto foi até a cozinha, pegou um copo d’água e bebeu em um gole. — Então me diga a razão pela qual decidiu me chamar hoje só com a peruca e sem cosplay.

Akaishi-kun mostrou o sorriso maroto. Yuuto engoliu seco, já se arrependendo de ter entrado no joguinho dele.

— Eu pedi para você vir porque tenho um pedido e presentes.

Presentes…? — Yuuto repetiu a palavra lentamente. — Isso não explica a peruca.

Akaishi-kun ignorou o professor, virou e foi até o quarto, voltando com duas caixas embrulhadas com papel presente. Ele entregou as duas para Yuuto.

— Escolha a que gostar mais, apesar das duas serem suas.

Yuuto aceitou, olhando com suspeita entre as caixas e seu estudante. Ele sabia que tinha algo por trás, mas não importava o quanto pensasse, não conseguiu imaginar o que podia ser. Com um suspiro, o professor desistiu e rasgou o papel vermelho escuro. Sem acreditar no que via, ele desembrulhou a outra caixa também. Ele virou sem palavras para seu estudante quanto viu o que os presentes eram.

— Eu escolhi pessoalmente — Akaishi-kun disse com orgulho.

Demorou um tempo para Yuuto encontrar sua voz de novo.

— Akaishi-kun… qual… o significado disso? — Ele sacudiu as caixas na frente de seu estudante.

Akaishi-kun inclinou a cabeça com a expressão inocente que as vezes Yuuto pensava que era fofa.

— Meu presente para você — ele disse, e então mostrou uma expressão de dor. — Você não gostou?

— Pare de brincar. — O professor sabia que a expressão era falsa também.  — Que tipo de presentes são esses?

— Não estou brincando — ele disse, de repente sério. — Você vai precisar de uma dessas para o que tenho planejado para nós nessa noite especial.

Yuuto sabia que Akaishi-kun só estava brincando com ele, mesmo assim era difícil não corar. Ele sempre escolhe as palavras erradas. Respirando fundo, o professor precisava recuperar algum controle.

— Então me diga, por favor, me diga o que tem planejado. Caso contrário vou pra casa. Tenho trabalho para fazer.

Akaishi-kun suspirou e deixou cair os ombros. Logo no começo do relacionamento de musa deles, Yuuto notou que seu estudante ficava desse jeito sempre que o professor não caia nas brincadeiras dele.

— Estou sério. Preciso de você esta noite, e para isso você precisa de um desses presentes.

Dessa vez foi mais difícil impedir as bochechas de avermelharem. Porque você sempre escolhe as palavras erradas?

— Você ainda não me disse o por que eu preciso de lingerie. — De novo Yuuto sacudiu as caixas no rosto de seu estudante. — Poderia me dizer, por favor? — ele disse, um pouco mais alto do que pretendia.

— Nunca pensei que você preferiria ir sem nada por baixo. — O professor corou e o estudante notou, o sorriso maroto de volta nos lábios dele. Depois de um tempo Akaishi-kun parou de sorrir e ficou sério de novo. — Mas é verdade. Preciso de você ao meu lado essa noite e para isso você precisa vestir corretamente.

— Pra o que você precisa de mim?

— Uma festa.

— Festa? — Yuuto repetiu a palavra, inclinando a cabeça. — Que festa?

— Apenas uma reunião de amigos e familiares — ele respondeu dando os ombros. — Eu tenho que ir, mas como não estou afim, minha irmã me convenceu a trazer alguém.

— Então sou a última opção. — Por alguma razão isso machucava e irritava o professor. — Só alguém para lhe entreter quando ficar entediado? — ele disse, sua voz com mais raiva do que ele gostaria.

— Não — disse Akaishi-kun sério. — Você é minha primeira e única opção. Não vou levar você para me entreter. Eu preciso de você lá — o estudante falou numa voz baixa, olhando diretamente nos olhos do professor.

Não importava o quanto tentasse, Yuuto não conseguia dizer se Akaishi-kun estava brincando ou não. Depois de muitos segundos encarando um ao outro, o professor decidiu. Mas antes que dissesse qualquer coisa, o estudante foi mais rápido.

— Eu quero você lá por que as coisas são mais divertidas quando estou com você. — Akaishi-kun desviou os olhos, suas bochechas levemente avermelhadas. O professor engoliu seco.

— Tá bom, tá bom — Yuuto finalmente disse, encarando as caixas em suas mãos para esconder as bochechas vermelhas e o sorriso que teimava em aparecer nos seus lábios.

Apesar de preferir trabalhar em seu cosplay, uma festa era interessante. E se era uma reunião de amigos e familiares, quer dizer que era um Evento da Família Akaishi. De repente um pensamento cruzou a mente do professor.

— Agora eu entendo a peruca, mas não tenho nada pra vestir.

— Já cuidei disso também. Tudo que precise fazer agora é escolher um de meus presentes. — O sorriso maroto estava de volta.

Yuuto não gostou de como as coisas acabaram. Apesar de estar interessado na festa, o sentimento de ser manipulado irritava-o.

— Então vou escolher.

O professor encarou as caixas e levantou a cabeça, encarando Akaishi-kun.

O estudante observava Yuuto de perto, prestando atenção nas reações do professor. Aposto que está esperando me deixar com vergonha, ele pensou. De repente Yuuto sorriu para seu estudante e foi até o banheiro, trancando a porta. Aquela expressão foi maravilhosa! O professor teve problemas para conter a risada. O rosto de Akaishi-kun cheio de surpresa porque a brincadeira não funcionou como queria não tem preço.

Sorrindo de orelha a orelha, Yuuto virou sua atenção para os presentes. Duas lingerie, uma verde escura de seda e uma preta de renda. Isso é chique demais! Nunca usei nada como isso! Não tinha etiqueta, mas dado o logotipo Pedra Vermelha, o professor sabia que era caro demais. Aposto que é mais caro que toda minha roupa intima de cosplay junta!

— Escolheu qual? — A voz de Akaishi-kun veio do outro lado da porta.

Porque você está ai? Yuuto segurou a pergunta.

— Ainda estou escolhendo! — de novo ele falou mais alto que gostaria.

O professor acabou tirando a lingerie verde escura de seda primeiro. Só com um olhar era o suficiente para Yuuto saber que era erótica demais. O que Akaishi-kun está pensando? Isso é sério ou ele só quer me envergonhar? Ele abriu o outro presente. Apesar de ser um estilo diferente, era tão erótica quanto a outra. O professor notou outra coisa; ambas não tinham alças.

No final, Yuuto escolheu a de seda verde escuro. Combina mais comigo, ele admitiu para si a contragosto. De alguma forma parecia ainda mais erótico quando ele vestiu. Pelo menos é confortável… A parte superior encaixou após um pequeno ajuste e ainda tinha um volume. Tem lingerie com enchimento? A parte inferior parecia esconder sua masculinidade sem forçar o tecido.

 —Como ficou? — Akaishi-kun falou de novo.

Ele está com o ouvido na porta? Yuuto segurou a língua. Outra coisa pegou sua atenção.

— Como você adivinhou meu tamanho? — o professor perguntou através da porta.

— Você acha que eu esqueceria seu corpo depois de tocar tanto?

Mesmo sem ver, Yuuto conseguia dizer que Akaishi-kun tinha o sorriso maroto nos lábios. Dessa vez as bochechas do professor queimaram. Ainda bem que ele não está me vendo agora.

— Me deixe ver — ele falou, como conseguisse ler a mente do Yuuto.

— Cadê a minha roupa?

Yuuto descobriu que Akaishi-kun odiava quando as pessoas ignoravam seus pedidos, mas o professor fez mesmo assim. Tinha zero chances dele deixar seu estudante vê-lo nessa lingerie erótica demais. Mesmo que parte dele gostaria de ver a reação de Akaishi-kun, Yuuto sabia que morreria de vergonha. Espera… porque eu quero mostrar isso pra ele? Ele sacudiu a cabeça, não querendo pensar na resposta.

Do outro lado da porta, Yuuto escutou uma língua estalando e então passos pesados. Eles diminuíram e depois de alguns segundos de silêncio, estavam de volta.

— Aqui — disse Akaishi-kun.

O professor abriu a porta um pouco, enfiou a mão pela fresta, agarrou as roupas que Akaishi-kun segurava, puxou o braço de volta e fechou porta com força, seu coração batendo forte. Tudo isso para o estudante não conseguir espiar dentro do banheiro. Ele vai ficar com raiva por um tempinho, ele pensou, um pequeno sorriso travesso aparecendo nos lábios do professor.

Respirando fundo, Yuuto encarou as roupas em suas mãos só quando seu coração acalmou. Wow… era a única coisa que ele conseguia pensar. O vestido azul era simplesmente maravilhoso. Apesar de Yuuto não se interessava muito em se travestir tirando os cosplays, seria uma pena não usar isso.

Tem muitos personagens que usariam um vestido lindo como esse, ele pensou, levantando os braços e colocando a roupa. Yuuto fez um nó ao redor do pescoço e virou, olhando seu reflexo no espelho. Não é tão curto quanto achei. Apesar de parecer curto, a barra do vestido ficava apenas um pouco acima dos joelhos. O decote era discreto e combinava com a roupa íntima com enchimento, mas nada que focasse na área do peito. Pelo menos Akaishi-kun pensou nisso. As costas era nuas mas sem mostrar a roupa intima, combinando com a lingerie sem alça. Odeio admitir, mas Akaishi-kun tem um bom gosto, o professor pensou, girando uma vez para ver como ficava.

— Já acabou?

Yuuto escutou a voz do estudante de novo, mas dessa vez Akaishi-kun parecia irritado. Isso colocou um sorriso satisfeito nos lábios do professor.

— Sim — ele respondeu, destrancando a porta. Akaishi-kun empurrou a porta, mas quando viu seu professor, sua boca ficou um pouco entre aberta, nenhum som saindo dela. — O que acha?

 Apesar de tudo, Yuuto queria saber a opinião de seu estudante. Os segundos que duraram até Akaishi-kun se recuperar foram longos demais para o professor.

O estudante mostrou o sorriso maroto… mas suspirou, e o sorriso desapareceu quase na mesma hora, substituído pelo gentil.

— Você está bonito demais para palavras.

Yuuto não esperava esta reação; o complemento verdadeiro o pegou de surpresa, tanto que o professor corou e desviou o olhar.

— Obrigado — ele conseguiu dizer numa voz baixa, olhando para o chão e segurando seu braço.

O estudante e professor ficaram em silencio por um tempo.

— Tem mais — Akaishi-kun quebrou o silêncio.

Ele saiu e logo voltou com um kit de maquiagem enorme, outro produto da Pedra Vermelha. Ele deu o kit e sem esperar pelo pedido de Yuuto, saiu do banheiro, fechando a porta atrás dele.

Ele está com vergonha? Era uma das poucas vezes que Yuuto via esse tipo de reação nele. É bem fofo, o professor tinha que admitir, de novo um sorriso em seus lábios antes que percebesse.

O kit era pesado, então Yuuto colocou no balcão. Mordendo os lábios, ele girou o fecho e abriu a tampa. Seus olhos brilharam; tinha praticamente tudo. Tantas cores… O artista dentro dele ficou com inveja. Isso, a lingerie e o vestido devem ter custado mais do que todo meu material de cosplay junto, o professor dentro dele pensou.

Mas ele não tinha tempo para isso. Yuuto rapidamente procurou as cores que combinavam com seu tom de pele e as roupas. Em um pouco mais de dez minutos, o professor estava destrancando a porta.

Akaishi-kun não estava esperando do outro lado dessa vez. Ao invés disso, ele sentava no sofá, lendo um livro. Mas no momento que escutou a porta, ele virou a cabeça e levantou, jogando o livro na mesa. O estudante encarou Yuuto, sua boca levemente aberta.

— Você está… digno… de uma tela… — ele murmuro as palavras.

Yuuto deu uma risadinha. O professor tinha certeza que Akaishi-kun pensou essas palavras antes, mas num raro momento, Yuuto o pegou desprevenido. O aluno desviou o olhar, e o professor poderia jurar que viu as bochechas dele avermelhando de novo.

— Vou aceitar essas palavras como elogio — Yuuto disse com um sorriso e ajeitando parte da peruca atrás da orelha.

Quando se viu no espelho, o cosplayer soube como deveria arrumar o cabelo na hora. Um lado solto e outro atrás da orelha. Foi uma boa escolha. A expressão de Akaishi-kun foi fofa demais. Será que não vai chamar muita atenção?

— E essa roupa combina muito com você — Yuuto disse.

Akaishi-kun tinha trocado de roupas também. Ele vestia agora um terno preto com uma camisa azul escura e tinha um relógio de aparência cara no pulso. Mesmo dessa distância, o professor conseguia sentir o perfume dele. Ele está cheiroso, Yuuto pensou, corando um pouco. A única coisa que estava igual era o cabelo, o mesmo penteado de sempre.

— Obrigado — o estudante disse, sua voz um pouco estranha.

Apesar de tentar esconder, Akaishi-kun ficava olhando para o professor, e quando seus olhos se encontraram, o estudante virava a cabeça na hora. Finalmente ele parou, tossindo exageradamente.

— Tem mais duas coisas.

Ele apanhou outra caixa, dessa vez maior que as duas anteriores, mas não embrulhada, e entregou para Yuuto.

O professor abriu a caixa. Pego de surpresa, ele não teve reação por um instante… e então sorriu. Salto altos que combinavam com o vestido.

— Você tem um gosto surpreendentemente bom — Yuuto elogiou seu estudante.

— Minha irmã escolheu — ele admitiu, desviando o olhar.

É tão difícil assim admitir? Yuuto pensou com uma pequena risada. Ele está me mostrando um lado completamente novo. O professor tinha um sorriso nos lábios.

—Mas quem escolheu isso foi eu — ele disse, tirando um colar com um pingente de flor do bolso.

O professor observou a joia por um instante… e então virou o corpo, expondo o pescoço. Akaishi-kun gentilmente colocou ao redor do pescoço do Yuuto. O professor virou de volta, segurando o pingente com cuidado.

— Está lindo… — Akaishi-kun disse depois de admirar por um momento.

— Obrigado — O professor agradeceu numa voz baixa, sem olhar o estudante nos olhos.

— Eu tinha brincos para combinar, mas suas orelhas não são furadas…

— Estou surpreso que tenha notado. — O cosplayer tinha brincos, mas todos eram de pressão. Ele já pensou em furar uma vez. Seria mais fácil, e daria mais variedade aos seus cosplays. Mas depois que se imaginou chegando no colégio com as duas orelhas furadas, desistiu da ideia.

— Estou olhando você por um bom tempo — Akaishi-kun disse, encarando o professor. Yuuto corou de leve.

O silêncio estranho onde os dois estavam vermelhos ficou por um tempo… até que Akaishi-kun quebrou limpando a garganta.

—Vamos logo.

Ele foi até a porta sem outra palavra. Yuuto riu em sua mente enquanto se juntava a Akaishi-kun na entrada, colocando os saltos.

O professor levantou, vendo se poderia ficar a noite toda usando os saltos. Apesar de estar um pouco acostumado graças a alguns de seus cosplays, todas as vezes que usava, tinha um cuidado extra. A última coisa que precisava era reviver a vez quando caiu durante uma convenção, especialmente durante um Evento da Família Akaishi. Mas, como a roupa intima, coube em Yuuto perfeitamente.

—Preciso agradecer sua irmã por isso — Yuuto lembrou de repente.

— Você pode agradecê-la pessoalmente hoje — Akaishi-kun disse, trancando a porta e já indo para o elevador.

— Ela vai estar na festa? — Yuuto perguntou quando alcançou Akaishi-kun. Apesar de estar familiarizado, ele não conseguia andar na velocidade normal.

O estudante estava prestes a responder com um sorriso quando o professor percebeu que talvez fosse uma pergunta boba. Se era um Evento da Família Akaishi, as chances dela estar lá eram altas. Mas um toque salvou Yuuto.

Akaishi-kun tirou o celular do bolso e encarou a tela, lendo a mensagem, seus lábios indo de um sorriso a vazio num instante. Ele ficou assim por um tempo e então virou para Yuuto.

O professor o encarou, inclinado a cabeça. Mas antes que perguntasse qualquer coisa, a expressão no rosto de Akaishi-kun atenuou, voltando ao sorriso.

Respirando fundo, o estudante desligou o aparelho, guardando-o de volta no bolso.

— Claro que ela vai estar lá — ele respondeu quando as portas do elevador abriram. — Ela é a pessoa mais importante nessa noite.

— É o aniversário dela? — Yuuto perguntou. Não é falta de educação eu aparecer quando nem a conheço? Ele manteve o pensamento para si, no entanto. O professor sabia que seu aluno simplesmente dispensaria a ideia como se não fosse nada.

— Não, não. Não é nada desse tipo.

Eles estavam fora do hall e Yuuto virou para Akaishi-kun. Como vamos chegar lá? Apenas agora ele pensou nisso. Se fosse ele, o professor provavelmente iria de trem. Ou talvez táxi. Mas isso dificilmente seria adequado para a imagem da Família Akaishi.

O estudante nem hesitava, andando com passos rápidos, sem hesitar. O professor o seguiu da melhor forma que podia. Sem chances…. Akaishi-kun estava andando diretamente para a limusine que Yuuto viu mais cedo.

Antes que ele entrasse no veículo, o motorista parado ao lado fez uma reverência e então abriu a porta.

 — É o casamento da minha irmã — disse Akaishi-kun, gesticulando para Yuuto entrar.

O professor já estava com problemas acreditando na limo, e as palavras de seu aluno demoraram um pouco para processarem.

— O que você disse? Casamento? — Yuuto perguntou só para ter certeza, parando na metade do caminho até o carro.

— Sim. Minha irmã esta casando hoje.

Akaishi-kun tinha o sorriso maroto de volta em seu rosto. Ele finalmente tinha pego o professor desprevenido. Ele pegou a mão do professor e fez Yuuto entrar no carro primeiro.

Ele ainda estava processando, e não resistiu. Se poderia ser considerado falta de educação comparecer numa festa de aniversário sem conhecer o aniversariante, um casamento era ainda pior. A porta batendo despertou o professor.

— Você disse que era uma reunião de amigos e parentes!

— E não é? — Akaishi-kun perguntou levantando as sobrancelhas, os lábios tremendo por segurar o riso.

— Chegaremos lá em trinta minutos, senhor — o motorista disse antes que Yuuto pudesse protestar mais.

— Obrigado. Teremos bastante tempo para nos preparar — Akaishi-kun disse e então levantou a janela interna da limo. Yuuto olhou para seu estudante, o rosto vermelho. — Desse jeito teremos privacidade.

Privacidade pra que? Preparar pra o que? O professor pensou, sentindo que a noite mal começara.

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