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Yuuto mal percebeu quando chegou em casa; sua mente ainda tentava entender o que tinha ocorrido nas últimas horas. Antes que o professor notasse, ele tinha a chaves em mãos e destrancou a porta de seu apartamento.

— Cheguei. — ele disse por costume. Ele tentou tirar os sapatos, mas não conseguiu. Respirando fundo, ele sentou e se focou nos cadarços.

— Yuuto? — uma voz o chamou da sala de estar. Quando ele levantou, Amane Yuuka apareceu. Ela vestia uma jaqueta verde, calças pretas de frio e tinha seu cabelo castanho amarrado nos dois lados. — Pensei que voltaria mais cedo.

— Irmã! Err… eu… err… o compromisso… demorou mais do que pensei — Yuuto evitou olhar diretamente para ela, mas quando virou a cabeça, Yuuka ainda o observava, os olhos cheio de curiosidade. O professor percebeu a mochila atrás dela e o casaco em seu braço. — Vai sair a essa hora?

— Ah, isso? Sim… meu mesa digital quebrou, mas mestre disse que posso usar a dela. — Ela checou Yuuto da cabeça aos pés, seus olhos estreitando. — Está tudo bem? Você parece vermelho — ela disse se aproximando e sentindo a bochecha do irmão com a mão.

— Tudo bem — ele respondeu rapidamente, afastando a mão e passando pela irmã. — Você não deveria ir logo? Seu prazo é em uma semana. Vai dar certo? Consegue terminar a tempo?

— Para ser honesta, não sei — ela disse esfregando os olhos. — Posso usar a mesa hoje, mas sei que a mestra tem seus prazos também…

— Quer que eu leve a sua para concertar amanhã de manhã?

— Sério? — o rosto da sua irmã se iluminou com um sorriso. — Valeu, Yuuto! Você é o melhor irmãozinho que existe! — Ela pulou, o abraçou e o beijou na bochecha. — Isso vai me salvar.

— Não tem problemas — Yuuto riu. Sua irmã sempre exagerava quando estava feliz, mas ele já estava acostumado com isso e nem se importava. — Só me prometa que vai dormir e comer. De verdade, não cochilos e lanches!

— Sim, sim, vovó. — Sua irmã ainda estava rindo quando soltou-o e foi até a entrada, calçando os sapatos. Ela levantou, abriu a porta, mas virou de volta para ele. — Tem certeza que tudo está bem?

Antes que conseguisse parar, as mãos de Yuuto foram para as bochechas. Era verdade; ele sentia seu rosto um pouco quente. Ele olhou para sua irmã e por um segundo a ideia de contar tudo o que aconteceu cruzou sua mente. Mas ele dispensou o pensamento quase na hora. Ele mesmo ainda tentava entender o que aconteceu no apartamento de seu estudante. Enquanto sua irmã certamente tentaria ajudar, ele não queria dar trabalho a ela, principalmente agora que o prazo dela estava tão perto.

— Eu estou bem… sério — o professor finalmente disse.

— Tá bom então… se você diz, então estou indo.

Apesar de suas palavras, Yuuto percebeu na hora que ela não acreditou, mas não perguntaria mais nada por respeito a privacidade dele. Obrigado, irmã, o professor pensou um segundo depois quando estava sozinho no apartamento de dois quartos.

Yuuto ficou onde estava por um momento e então, com um suspiro profundo e alto, ele foi até o banheiro checar seu rosto. Ele não só sentia quente; ele estava mesmo, quase como se estivesse usando maquiagem. Mas sua maquiagem de cosplay nunca o fez parecer que tinha corrido uma maratona. E lavar o rosto não ajudou nenhum pouco dessas vez.

 Desistindo, o professor abriu a bolsa e tirou o cosplay. Parece até pior agora, ele pensou, suas bochechas ficando de algum jeito mais vermelhas com a lembrança. O maiô escolar parecia como sempre, exceto pela mancha bem visível lá embaixo, mesmo contra o tecido azul escuro. E mesmo sem tocar, Yuuto conseguia dizer que estava úmido.

Não acredito que um homem, e o pior, um dos meus estudantes, quase me fez sentir prazer… Contra sua vontade, as cenas inundavam sua mente. O professor sentiu a vergonha transbordando e o sangue fluindo onde não deveria. Ele até conseguia sentir Akaishi-kun tocando-o de novo, a mão fria apertando o mamilo e a outra acariciando o professor lá embaixo, indo para cima e para baixo até…

Com mais força do que necessário, Yuuto jogou o maiô na máquina de lavar e ligou. Mas não era o suficiente para acalmar o que ainda crescia. Com a mente enevoando de novo e a respiração lenta, o professor tirou as roupas e tomou o banho mais frio que podia. Tudo isso enquanto tentava bloquear as memórias. De alguma forma isso ainda não era o suficiente; seu corpo ainda estava quente.

Apesar de colocar o pijama, mal tinha passado das oito horas. Duvido que consigo dormir agora… Normalmente ele trabalharia ou em coisas da escola ou no cosplay, mas nenhum parecia uma boa ideia. Não tinha nada relacionado ao colégio, já que hoje era o primeiro dia depois das férias de inverno.

E toda vez que seus olhos pairavam na máquina de costurar na mesa, ou os cosplays antigos no armário, a imagem de Akaishi-kun saltava em sua mente, junto com uma sensação estranha e um fluxo de sangue que Yuuto estava tentando muito ignorar.

Sem nenhuma outra ideia, o professor voltou-se para a TV. Mas mesmo depois de trocar todos os canais, não encontrou nada decente o suficiente para manter a mente ocupada. Porque os animes só passam mais tarde? Yuuto pensou com raiva. Então ele notou a luz do aparelho de Blu-ray piscando. Minha irmã esqueceu de desligar?

Yuuto mudou o canal e descobriu que estava certo. Sua irmã tinha esquecido de desligar o aparelho, a mensagem perguntando se queria continuar de onde ela parara piscando na tela. Ele sabia que Yuuka gostava de trabalhar com um barulho no fundo e com Yuuto fora do apartamento, ela podia usar a TV grande.

Aposto que ela estava vendo alguma coisa, a mesa quebrou, ai esqueceu que estava ligado, ele deduziu o que provavelmente aconteceu.

Feliz por ter encontrado algo para manter sua mente ocupada por algumas horas, Yuuto apertou o botão.

Demorou apenas alguns segundos para ele desligar a TV de novo, mas não foi rápido o bastante. Seu rosto inteiro já estava queimando, sua respiração rápida e irregular. Não importava o quão pouco ele viu, a imagem já estava marcada em seus olhos, os gemidos ecoando em seus ouvidos. Dois… dois… dois caras! Pelados… e… estavam…! Mesmo em sua mente, ele não conseguia se forçar a terminar o pensamento.

Droga irmã! Porque tinha que assistir esse tipo de anime aqui? Ele lembrava de ter perguntado a mesma questão quando a pegou assistindo algo desse tipo no meio da madrugada uma vez. Sua irmã estava com fones de ouvido e focava na TV, mas de alguma forma ela percebeu Yuuto, chocado demais e corando com o que acontecia na tela para dizer algo, em pé atrás dela.

Ela parou o anime e virou para ele. Depois de muitos fragmentos, Yuuto finalmente conseguiu murmurar, quase, uma frase, perguntado o que ela estava fazendo. Yuuka olhou entre a tela e seu irmão. ‘Estudando’, ela respondeu sem vergonha e apertou play.

Mesmo sem som, o vídeo sozinho fez Yuuto corar como ele nunca tinha feito. Ele teria corrido para seu quarto se não estivesse paralisado pelo choque. O professor acabou assistindo uma grande parte e só quando os personagens começaram o ato, Yuuto finalmente recuperou seus sentidos. Por sorte, de alguma forma a mente dele fez o melhor para apagar a memória, mesmo com sua irmã pedindo para ele fazer cosplays de um daqueles homens algumas semanas depois.

Agora todo trabalho foi por nada com alguns segundos desse novo anime. Com seu rosto vermelho de orelha a orelha, ele correu para o quarto e se jogou na cama, rezando para conseguir dormir o mais rápido possível.

Mas não importava quantas posições ele tentasse, o sono não encontrou-o. Depois de se debater pôr o que poderia ser uma hora ou a noite toda, Yuuto jogou as cobertas de lado e chegou a hora no celular. Uma da madrugada?

Com o sono eludindo, e seu corpo quente apesar do quarto frio, o professor pressionou as têmporas e desistiu de dormir. Ele olhou o quarto, tentando achar alguma coisa, qualquer coisa para passar o tempo e ocupar a mente. Seus olhos pararam no laptop em cima da mesa. Melhor do que ficar acordado a noite toda desse jeito, ele disse para si mesmo, levantando.

Com o corpo e cabeça daquele jeito, ele tinha que pelo mesmo aliviar um pouco a tensão, e com alguma sorte, descansar. Três noites sem dormir certamente afetaria sua saúde, e provavelmente sua profissão.

Yuuto bateu os dedos com força na mesa enquanto esperava o computador ligar, e quando a tela finalmente mostrou a área de trabalho, ele já estava clicando no navegador. Parte de sua pressa também era para esconder a foto de fundo. Uma imagem dele com sua irmã e as amigas no evento que o professor fez cosplay pela primeira vez.

 Droga! Ele fechou o navegador e abriu de novo, dessa vez no modo anônimo. Mesmo sendo o seu próprio laptop, Yuuka usava as vezes quando as amigas vinham ajudar com o mangá. Seria vergonhoso demais se eles descobrissem o que ele usava para relaxar… de novo.

No pouco tempo entre fechar e abrir o navegador, Yuuto viu sua foto de cosplay, e Akaishi-kun vez apareceu em sua mente mais uma, a sensação estranha de calor aumentando um pouco. Para tirar tudo da cabeça, o professor rapidamente abriu os sites que usava para relaxar. Certamente olhar paras as meninas que ele gostava ajudariam.

Mas quase uma hora depois, nem Miu-chan, Renka-chan, Kurumu-chan, Moka-chan, nem as outras meninas conseguiram faze-lo levantar, nem mesmo um pouco. Com as pálpebras pesadas, a visão borrada, o sono ainda eludindo e a sensação estranha espalhando, sua mente ficou vazia, e Yuuto desistiu o pouco de senso que restava. O professor deitou na cama e colocou uma mão dentro da camisa e a outra dentro das calças…

Quase meia hora depois, ele estava finalmente dormindo.

Pela segunda manhã segunda Yuuto chegou na escola exausto. Depois de deixar a mesa digital de Yuuka no conserto, ele rapidamente correu para a sala dos professores, cuidadoso o suficiente para evitar encontrar qualquer um. Ele não sabia o que era pior. Encarar Akaishi-kun aqui ou ficar esperando até o aluno pedir para o professor posar de novo.

A ideia de usar um cosplay só para seu aluno deixava a mente de Yuuto num caos de sentimentos. Por um lado, ele tinha que admitir, apesar de a contragosto, era maravilhoso ter alguém reconhecendo sua arte incompreendida e desvalorizada. Aquela primeira pintura que Akaishi-kun tinha mostrado era simplesmente além de incrível.

Agora, depois de se acalmar, Yuuto lamentava ter deixado a peça de arte. Mas não importava o quanto queria colocar seus olhos naquela tela de novo e de novo, ele não podia arriscar sua irmã descobrindo. Se ela descobrisse, Yuuka certamente arrancaria tudo dele. A ideia dela sabendo que um homem quase deu prazer ao seu irmãozinho iria deixar a imaginação dela correndo solta, e ela não precisava de nenhuma ajuda nessa área.

Por outro lado, a ideia do que quase aconteceu ontem acontecer de novo o deixava com medo de si mesmo.

Yuuto não só corava toda vez que relembrava. O que aconteceu foi que… mesmo que contra seu senso comum, ele tinha que admitir que a sensação foi boa. Boa demais… por um segundo eu estava prestes a me deixar… O que o apavorava era o fato que parte dele, aquela que quase se deixou levar, queria que Akaishi-kun não tivesse parado. Mesmo agora aquela parte dele que tinha despertado lamentava as regras que o próprio Yuuto tinha colocado.

Depois do incidente, depois de ter visto a pintura e do pedido para posar para mais uma pintura, depois da mente de Yuuto voltar ao normal e o sangue retornado para o lugar certo, o professor percebeu que tinha concordado em ser uma musa. Na mesma hora ele queria retirar suas palavras, mas não só a parte recém despertada dele segurou sua língua, o resto dele temia as consequências. Quem sabe o que o estudante poderia fazer se Yuuto dissesse que não iria ser uma musa?

Akaishi-kun nunca espalharia o segredo, mas talvez ele pendurasse uma das pinturas na escola. Yuuto conseguia imaginar isso muito bem. Combinaria com a personalidade do aluno, ou pelo menos, a personalidade que o professor acreditava.

Devido a excelente performance de Yuuto, sem contar com seu relacionamento com os estudantes e colegas, as chances dele perder o disso emprego por causa eram pequenas. Mas no mínimo ele perderia o respeito dos alunos. Ele podia imaginar os olhos deles, a isso o machucava profundamente. Ser um professor era seu sonho; perder isso ou sua arte era inimaginável.

A opção mais provável era Akaishi-kun não deixar o professor em paz, tentando convencer Yuuto a ser sua musa, e isso deixaria o cosplayer andando sobre ovos. Sem contar com o risco de ser descoberto.

Outra possibilidade também pulou na mente de Yuuto na hora. Caso voltasse com sua palavra e desistisse de ser uma musa, Akaishi-kun poderia continuar o que tinha parado mais cedo, e talvez o estudante não pararia dessa vez. Talvez ele cruzasse a linha e professor e aluno entrariam na terra proibida.

E qual o problema disso? A voz de seu novo lado que sussurrava toda vez que Yuuto pensava em Akaishi-kun estava de volta. Ele tentou silencia-la de novo e de novo, mas ainda ela assim voltava. Você sabe que gostou… muito… até mesmo fez aquilo ontem, e foi tudo você…

Eu não sou um personagem dos mangás da minha irmã!  Ele gritou em sua mente com a voz normal.

Vai se arrepender daquelas regras estupidas… a nova voz ecoou nos ouvidos de Yuuto, e o professor reviveu aquela noite contra sua vontade.

— Eu disse que vou ser sua… musa — até mesmo dizer a palavra o fazia corar. — Mas eu tenho regras!

— Tudo que minha musa desejar — Akaishi-kun disse, fazendo uma reverencia com a cabeça e Yuuto corar ainda mais.

O professor perdeu a conta de quantas vezes suas bochechas avermelharam desse jeito apenas naquela noite.

— Primeiro, pare com essa coisa de…musa. É estranho e… vergonhoso… — e confuso!

Akaishi-kun olhou para o professor como se conseguisse ler a mente de Yuuto e sorriu. Yuuto não conseguia dizer se era o sorriso gentil ou o malicioso.

— Mas eu não posso negar a verdade. Sua beleza e sua arte me inspiraram a criar isso — ele indicou a pintura no sofá. — Colocar meus olhos em você me inspira até mesmo agora. Como eu posso dizer isso? Você me excita em mais jeitos do que acreditaria.

Porque tinha que escolher essa palavra em especifico? O professor pensou, mas antes que dissesse qualquer coisa, Akaishi-kun colocou a mão perto do rosto de Yuuto. Estava tão perto que o professor conseguia sentir o calor emanando dela.

Os olhos do estudante tinham o brilho intenso de volta. Ele encarou Yuuto enquanto mexia a mão, sempre tão perto, mas nunca tocando, no pescoço do professor, queixo, peito, barriga, entre as pernas… até os dedos dos pés.

O professor não corou dessa vez. Yuuto estava sem palavras diante tanta paixão naqueles olhos. Faz quanto tempo desde que eu me sentia desse jeito?

— Você não pode negar. Você já é uma musa… — Ele pegou a mão de Yuuto com as suas, fechou os olhos e respirou lentamente, como se respirasse inspiração do professor. — Minha musa — ele disse, abrindo os olhos de novo.

Professor e estudante ficaram em silêncio por um longo tempo, olhando um nos olhos do outro.

Yuuto não tinha ideia de quanto tempo eles ficaram desse jeito, mas só quando percebeu que prendia a respiração, o professor quebrou o silêncio.

— Tá bom. — Yuuto olhou para o lado, puxando a mão de volta. — Me chame de sua… musa… se quiser… — ainda é embaraçoso!

— Então quais são as outras regras de minha musa? — Akaishi-kun mostrou o sorriso de novo.

— Regras?

Yuuto inclinou a cabeça. Ah, é mesmo! Até o próprio professor tinha esquecido. Ele balançou a cabeça para dispensar o clima estranho e vasculhou suas memórias, procurando as experiências ruins que teve com sua arte. Yuuto fez uma careta, tremeu por um momento e então abriu os olhos.

— Meus cosplays são sobre trazer personagens a vida. Isto é, eu não faço cosplays genéricos. — Akaishi-kun tinha um olhar intrigado em seu rosto. Ele não entendeu… Yuuto pensou com um suspiro. — Quer dizer que eu não faço cosplay de garota neko, maid, ou esse tipo de coisa. Apenas personagens de mangá, livros, anime e videogames.

— Hm… — Akaishi-kun acenou a cabeça devagar, ainda sorrindo. — Algum outro desejo?

Yuuto engoliu seco.

— E eu… eu não faço cosplays pervertidos também. — O sorriso de Akaishi-kun cresceu um pouco e o professor percebeu.

— Não gostaria que minha musa se sentisse desse jeito — ele disse, olhando Yuuto nos olhos de novo. — Sua arte não é sobre satisfazer prazeres, mas sim sobre trazer alegria. Como eu poderia pedir para fazer coisas pervertidas comigo?

Dessa vez as bochechas do professor avermelharam na hora. Porque a péssima escolha de palavras de novo? Pelo menos era a deixa para a última regra.

— E sobre isso… eu… eu… — Do nada Yuuto sentiu um distúrbio entre as pernas, mas ele não podia cobrir com as mãos nem mexer as penas para esconder, porque Akaishi-kun notaria. — Você não… não pode fazer… aquele tipo…de coisa… comigo… de novo… — O professor divagou. Dizer em voz alta era vergonhoso demais.

— Do que está falando, minha musa? — Akaishi-kun inclinou a cabeça, um ar de inocência em seu rosto.

Yuuto podia perceber que era falso. Talvez ele ache que aquilo não foi um problema, o professor considerou por um momento… e ficou com raiva.

— Você não pode… não pode… me tocar daquele jeito! — Yuuto finalmente conseguiu colocar para fora, o rosto queimando.

O sorriso de Akaishi-kun virou malicioso.

— Prometo que enquanto somos professor e estudante, não farei nada que possa desagrada-lo. — Ele beijou a mão de Yuuto. O professor tinha muito o que dizer, mas a parte recém despertada segurou a língua de novo. Yuuto acabou suspirando em derrota. — Agora vamos continuar. Por favor, fique na posição.

  — O que? — Yuuto soltou a pintura e se abraçou, como se isso o protegesse. Ele abriu a boca, tentando falar qualquer coisa, mas nenhum som saiu. — Você prometeu… — o professor finalmente murmurou, quase chorando.

Akaishi-kun riu e colocou o seu rosto a centímetros de distância do de Yuuto. O professor conseguia sentir a respiração do estudante; isso mandava um tremor através de seu corpo, até lá embaixo. Seus lábios estavam tão próximos Yuuto só precisava mexer um pouco para juntá-los…  No que estou pensando?

Prometi que não farei nada que desagrade minha musa, e não farei as coisas que está imaginado. Mas parece que você esqueceu que quero pintá-lo mais uma vez. — A mente de Yuuto ficou sem reação por um momento. Então suspirou aliviado, apesar de parte dele sentir outra coisa. Antes que o professor pudesse organizar esses sentimentos conflitantes, Akaishi-kun inclinou para a orelha de Yuuto. — Mas essa eu manterei apenas para mim — ele sussurrou, o professor corou e alguns instantes depois, o estudante estava pintando…

— Qual o problema, Yuuto?

Ele reconheceu a voz, mas antes que Yuuto olhasse, uma mão bateu em seu ombro algumas vezes. Era um gesto amigável, mas dado a diferença de força entre eles, o professor quase afundou na mesa.

Apenas uma pessoa seria tão brusca; Dan-kun. Yuuto levantou os olhos, massageando o ombro, e confirmou a pessoa em pé ao seu lado era seu amigo. O homem alto, loiro e completamente protegido contra o frio.

— Wow, você tá com uma cara horrível, Yuuto.

— Se me bater desse jeito, claro que vou ficar horrível — Yuuto riu para disfarçar, mas o homem loiro encarou-o de volta, sem um sorriso no rosto. Mesmo que Dan-kun fosse apenas alguns anos mais velho, era difícil mentir diante daqueles olhos. Logo Yuuto se viu falando. — Eu… eu… acabei numa certa situação… — ele tentou ser o mais vago possível.

Yuuto sabia que Dan-kun entenderia. Mesmo que o estrangeiro fosse um pouco barulhento demais, o professor tinha certeza que seu amigo tentaria ajudar de alguma forma. Dan-kun já sabia sobre a arte de Yuuto, e apesar da aparência selvagem, nunca riu de Yuuto por ser um crossplayer. O estrangeiro era mesmo um grande amigo. Mas, mesmo com toda a confiança, Yuuto sentiu que deveria guardar isso para si.

Dan-kun o estudou por um momento… e Yuuto entendeu. Debaixo daqueles olhos cor de avelã, ele não conseguiria esconder nada. Depois de um tempo, o estrangeiro tinha um sorriso convencido no rosto e esfregava a barba recém feita.

— Seiji descobriu sobre você e agora ele… bem, eu sei que ele não tá chantageando você. Sua cara estaria pior se fosse isso. — Ele estreitou os olhos, seu rosto cheio de concentração. — Já que ele é um pintor… ele pediu para você ser a inspiração dele ou algo assim… — não era uma pergunta.

Yuuto suspirou derrotado.

— Você acertou tudo. — O professor estava cansado demais para negar. Seria inútil de qualquer forma, ele pensou. Mas uma coisa o intrigava. — Como você sabe que ele é um pintor?

— Elementar, meu caro amigo. O avô dele falava sobre isso. Muito. — Dan-kun riu de suas próprias palavras, mas depois de um momento, a risada parou e ele olhou para o chão, passando a mão pelos cabelos algumas vezes e suspirando. — Não acho que posso ajudar, mas posso dizer isso. Agora, Seiji está num lugar ruim e precisa de alguém para ajuda-lo atravessar essas horas difíceis. — O estrangeiro encarou Yuuto com aqueles olhos que radiavam força e o professor só pode concordar em silêncio. — Mas lembre-se disso; não importa o quão… confusa fique a situação, você é o adulto. E o professor dele — ele disse e foi até a porta. — Se qualquer coisa acontecer, use meu nome. Seiji meio que tem medo de mim — ele riu. — E lembre-se que estou aqui para você. — E então Yuuto estava sozinho na sala dos professores de novo.

Eu sei, ele pensou. Agradeço sua ajuda, Dan-kun. As palavras de seu amigo ecoaram em sua mente por um bom tempo… Yuuto finalmente tomou sua decisão. Eu sou o professor, e farei o melhor para ajudar Akaishi-kun. Só espero que eu possa organizar minha cabeça e lidar com ele antes que qualquer coisa aconteça…

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